Moradores denunciam rachaduras e infiltrações em prédio da Aston Martin em Miami
Apartamentos custaram até US$ 8,5 milhões e a cobertura vinha com um Vulcan; agora o relatório aponta rachaduras e infiltrações
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 05/08/2026 às 19h00
A torre residencial mais alta de Miami, erguida sob a assinatura da Aston Martin, virou alvo de ações judiciais movidas pelos próprios moradores. A associação de condôminos do Aston Martin Residences acusa a construção de apresentar rachaduras, infiltrações e corrosão pouco mais de dois anos depois da inauguração.
O relatório da associação, revelado pelo site imobiliário Realtor.com, lista supostos defeitos construtivos no edifício de 66 andares e 391 unidades. Entre os pontos mais graves estão fissuras no concreto, entrada de água e corrosão no muro de contenção e nas varandas. O documento fala em rachaduras “consideráveis” espalhadas pelo prédio, o que levanta dúvidas sobre a integridade da estrutura.
Com base no laudo, a associação abriu processos contra a incorporadora Riverwalk East Developments e contra empreiteiras e escritórios de projeto envolvidos na obra. O escritório Haber Law, que representa os condôminos, afirmou ao Realtor.com que o reparo dos problemas apontados pode custar milhões de dólares.
A Riverwalk East Developments classificou as acusações como “infundadas” e disse que a ação seria uma tentativa de “desviar a atenção de obrigações pendentes” da própria associação.
O que a Aston Martin vende em Miami

Inaugurado em 2024, o Aston Martin Residences foi a primeira incursão da fabricante britânica no mercado imobiliário. A torre em forma de vela, projetada pelo argentino Rodolfo Miani em parceria com o arquiteto Luis Revuelta e construída pela G&G Business Developments, tem 249 metros e se tornou o edifício residencial mais alto ao sul de Nova York.
A marca assinou áreas comuns e acabamentos. São cerca de 3.900 m² de lazer distribuídos em quatro níveis, com piscina de borda infinita, academia de dois pavimentos, spa, galeria de arte, cinema, simulador de golfe e estrutura de marina para megaiates. Os apartamentos foram vendidos entre US$ 1,5 milhão e US$ 8,5 milhões, e as sete coberturas, de US$ 16 milhões a US$ 59 milhões.
O apelo automotivo fazia parte do pacote. Compradores de 47 unidades das linhas Signature e Penthouse podiam escolher entre um DBX ou um DB11. Já a cobertura triplex “Unique”, ainda à venda por US$ 59 milhões, inclui o último Aston Martin Vulcan produzido: um dos 24 exemplares do supercarro de fibra de carbono, com 831 cv, guardado em uma garagem climatizada no próprio edifício.
Não é o único alerta no sul da Flórida
Os arranha-céus de montadoras já enfrentaram outro questionamento na região. Um estudo da Universidade de Miami identificou, no ano passado, sinais de afundamento em 35 edifícios de luxo do litoral, entre eles a Porsche Design Tower, em Sunny Isles Beach, pioneira do modelo em 2017. As construções recuaram até 7,6 cm entre 2016 e 2023.
O levantamento não apontou falhas estruturais imediatas na torre da Porsche, e especialistas ponderam que alguma acomodação é esperada em prédios novos. Não há, até agora, evidência que ligue os defeitos alegados no Aston Martin Residences ao fenômeno descrito no estudo.
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