Novo Sandero híbrido entrega potência de esportivo e consumo de 30 km/l

Modelo europeu da Dacia estreia conjunto com 158 cv e eficiência impressionante. Tecnologia, contudo, deve passar longe do Brasil e do Renault Kardian

RENAULT DACIA SANDERO 2
Com a nova identidade visual da Dacia, o Sandero Stepway exibe visual robusto e faróis em "pixel" na versão eletrificada que não virá ao Brasil. (Fotos: Dacia | Divulgação)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 16/07/2026 às 17h00

Fora do mercado brasileiro desde a despedida do Stepway, em 2025, o Sandero segue firme em sua atual geração na Europa — e acaba de estrear ali sua primeira motorização eletrificada. Depois de um facelift que alinhou o hatch à nova identidade visual da Dacia, o compacto ganhou a versão Hybrid 155, cujo conjunto rende 155 cv de potência combinada e coloca o modelo em um patamar de desempenho inédito para a linha, acima dos 150 cv do saudoso Sandero RS que fez história por aqui.

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O sistema une um motor 1.8 aspirado de quatro cilindros, com ciclo Atkinson e 109 cv, a dois propulsores elétricos — um principal, responsável pela tração, e outro que atua como gerador e motor de partida — alimentados por uma bateria de 1,4 kWh. O câmbio é automático multimodo, sem embreagem convencional. Desenvolvida pela Horse, braço de motores do Grupo Renault, a mesma arquitetura já equipa Duster, Jogger e Bigster. O resultado permite acelerar de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos.

Mais do que o desempenho, porém, o verdadeiro trunfo da versão está na eficiência. Como o híbrido parte sempre em modo elétrico e pode rodar a maior parte do tempo apenas com a bateria em deslocamentos urbanos, o consumo na cidade chega a surpreendentes 30,3 km/l pelo ciclo europeu WLTP. Na média combinada, o índice homologado é de 4,2 l/100 km — cerca de 23,8 km/l —, com emissões de 96 g/km de CO₂, número suficiente para garantir o selo ambiental ECO na Europa. Os preços partem de 19.890 euros.

As chances de ver esse Sandero híbrido circulando pelas ruas brasileiras, contudo, são praticamente nulas. A Renault, que substituiu sua gama de entrada pelo Kardian, adota estratégia distinta para a América do Sul. Enquanto os europeus apostam no híbrido pleno da Dacia, a fabricante francesa prepara para o Brasil uma eletrificação de 48 volts voltada à tração integral sob demanda, batizada de e-4WD — arranjo em que um motor elétrico instalado no eixo traseiro dispensa o cardã e reduz o consumo na cidade.

A solução, prevista para estrear por volta de 2027, chega primeiro ao SUV Boreal e, num segundo momento, à picape Niagara, ambos apoiados no motor 1.3 turbo flex. Para o Kardian, a expectativa é de um pacote ainda mais simples. Assim, embora o Sandero europeu impressione pela tecnologia e pelos números, ele acaba servindo como um espelho da distância técnica que hoje separa o portfólio da marca no Velho Continente das soluções pensadas exclusivamente para o mercado sul-americano.

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