Estudos mostram que o som insistente convence o usuário ocasional, que esquece o cinto em trajetos curtos ou no aplicativo, a afivelar
Você provavelmente já reparou: os avisos de cinto de segurança nos carros novos ficaram mais insistentes e barulhentos, mas há uma estatística por trás disso. Nos Estados Unidos, mesmo com o uso do cinto acima de 90%, quase metade das pessoas que morrem em acidentes de trânsito não estava usando o equipamento. Foi esse dado que levou as montadoras a adotar lembretes cada vez mais incômodos.
Segundo dados da NHTSA, a agência federal de trânsito americana, 48% das 22.713 pessoas mortas em acidentes em 2024 estavam sem cinto. Ainda assim, metade das vítimas em colisões dispensava o equipamento, afirma Jessica Jermakian, vice-presidente de pesquisa do IIHS (Instituto de Seguros para Segurança nas Rodovias), em entrevista ao site Motor1.
Chama a atenção porque, no quesito proteção, dirigir nunca foi tão seguro: airbags, controle de estabilidade e frenagem automática de emergência se tornaram comuns. Mesmo assim, as mortes no trânsito americano voltaram a subir, e o cinto não afivelado aparece como o elo comum em metade dos casos.
Para mudar esse cenário, o IIHS, mantido por seguradoras e referência em testes de segurança, passou em 2022 a avaliar os lembretes de cinto dos carros novos. A análise considera os alertas sonoros e visuais dos bancos dianteiros e da segunda fileira, levando em conta volume, frequência e duração. Para receber a nota máxima, Good, o veículo precisa emitir um aviso sonoro de pelo menos 90 segundos quando um ocupante está sem cinto.
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O efeito foi rápido. Em busca de boas notas, as fabricantes passaram a instalar sistemas mais persistentes e, muitas vezes, irritantes, com bipes mais altos, mais frequentes e que se recusam a parar. Entre os modelos 2025 testados pelo instituto, que não avalia todos os carros novos, quase 70% conquistaram a classificação Good.
E o incômodo, ao que tudo indica, funciona. Os testes do IIHS mostram que lembretes mais insistentes convencem justamente o usuário ocasional, aquele que esquece o cinto ou o dispensa em trajetos curtos, no táxi ou no carro de aplicativo, a afivelar.
No Brasil, o uso é obrigatório para todos os ocupantes, à frente e atrás, pelo Código de Trânsito, e dirigir sem o equipamento é infração grave. Vale, portanto, a mesma lógica das montadoras: o som irritante no painel é, na prática, um empurrão deliberado para que ninguém deixe de se proteger.
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