O truque da madrugada que faz o carro elétrico custar 76% menos que a gasolina
Estudo mostra que recarregar na madrugada com Tarifa Branca pode deixar o elétrico até 76% mais barato que a gasolina
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 26/06/2026 às 11h00
A adoção da Tarifa Branca combinada à recarga de veículos elétricos durante a madrugada pode reduzir em até 76% o custo de abastecimento em relação a um carro movido a gasolina. A conclusão é de um estudo da TR Soluções, empresa especializada em projeções tarifárias para o setor elétrico.
A modalidade cobra valores distintos conforme o horário de consumo e divide o dia em três faixas:
- fora de ponta, quando a demanda do sistema é menor;
- ponta, no fim da tarde e início da noite, quando o consumo dispara;
- intermediária, na transição entre os dois períodos.
A lógica é estimular o uso da rede nos momentos de menor pressão. Para chegar aos números, o levantamento considerou um percurso de 1.000 quilômetros por mês e rendimentos de 6 km/kWh para o elétrico, 12 km/l para a gasolina e 8,5 km/l para o etanol. Os cálculos usaram a gasolina a R$ 6,29 e o etanol a R$ 4,21 o litro, além das tarifas de baixa tensão da Cemig já com ICMS, PIS/Pasep e Cofins.
Nesse cenário, o gasto mensal chega a R$ 524 com gasolina e R$ 495 com etanol. O elétrico, mesmo na tarifa convencional, custa R$ 197 ao mês — 62% menos que o carro a gasolina. Ao restringir a recarga ao intervalo entre 23h e 8h, faixa mais barata da Tarifa Branca, a conta cai para R$ 126, a economia de 76%.
O estudo também simulou o pior cenário, com a recarga concentrada no horário de pico: o custo sobe para R$ 355 mensais, mas ainda fica 32% abaixo do que se gasta com gasolina.
Os ganhos não se limitam ao bolso do motorista. Segundo a TR Soluções, ajustar o horário de recarga ajuda a otimizar o uso da infraestrutura elétrica e pode adiar investimentos na expansão da rede. “A viabilidade microeconômica da eletromobilidade passa a estar intrinsecamente ligada à discricionariedade do consumidor sobre seus horários de recarga”, afirma Helder Sousa, diretor de Regulação da empresa.
O alerta vem na sequência: recargas desordenadas e concentradas nos momentos de maior demanda podem sobrecarregar subestações e alimentadores locais. O detalhe não é trivial — o consumo diário de um elétrico plug-in pode equivaler ao de uma residência de classe média inteira, segundo o estudo.
Criada pela Resolução Normativa nº 733/2016 da Aneel e em vigor desde 2018, a Tarifa Branca é herdeira da Tarifa Amarela, idealizada ainda em 1985 e que nunca chegou a sair do papel.
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E se eu precisar de uma carga rápida de 15 minutos em um eletroposto particular de rodovia, quanto custa?
