Por que carros elétricos se tornaram ‘queridinhos’ dos traficantes no Rio?

Facções aproveitam crescimento da frota elétrica para circular sem custos e fugir de câmeras em postos convencionais

ponto de abastamento de carro eletrico encontrado na capital fluminense
'Gatos' eram usados por integrantes do TCP para abastecer carros roubados sem custo de energia (Foto: Reprodução | O Globo)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 12/01/2026 às 12h00

A modernização da frota automotiva no Rio de Janeiro impulsionou uma nova estratégia logística do crime organizado: a criação de redes de recarga clandestina para veículos elétricos roubados, segundo O Globo. Na última quinta-feira (9), uma operação conjunta das polícias Civil e Militar localizou os primeiros “eletropostos” do tráfico na Vila Aliança, zona oeste da capital, área dominada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).

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Segundo as investigações, a infraestrutura improvisada utilizava ligações ilegais na rede elétrica — os populares “gatos” — para abastecer os veículos sem custo. A tática oferece aos criminosos uma vantagem operacional dupla: elimina a despesa com combustível e evita a exposição em postos de gasolina convencionais, locais frequentemente monitorados por câmeras de segurança.

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O fenômeno não é isolado. As autoridades de segurança já mapearam pontos de recarga similares em outros redutos do crime organizado, como os complexos da Maré, da Penha, do Alemão e do Chapadão. Além do uso para transporte interno e cometimento de delitos, os veículos elétricos tornaram-se visados para o desmanche e revenda de peças de alto valor agregado.

O interesse das facções acompanha o aquecimento do mercado legítimo. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) apontam que as vendas no estado do Rio saltaram de 12.754 unidades em 2024 para mais de 20 mil em 2025, um crescimento superior a 60%. Com mais carros nas ruas, a incidência de roubos aumentou proporcionalmente.

Para a polícia, a escalada nos roubos de veículos — elétricos ou a combustão — também funciona como retaliação a ações recentes de repressão, como a operação “Barricada Zero”. Em resposta, a Secretaria de Segurança intensificou a Operação Torniquete, com foco na Baixada Fluminense e em Duque de Caxias, regiões que concentram os atuais índices críticos de criminalidade e receptação de veículos.

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