Método compara a pressão a frio com a leitura após rodar; vale em rodovia e asfalto, mas não no off-road nem em pneus de competição
Existe um teste simples para saber se a pressão dos seus pneus está correta: a chamada “regra dos 4 PSI”. A ideia é comparar a pressão com o pneu frio e depois de rodar — e a conta funciona bem em rodovia e asfalto, mas perde a validade fora desse cenário.
O ponto de partida é sempre a pressão recomendada pela montadora, indicada na etiqueta da coluna da porta do motorista — e não o número gravado no flanco do pneu, que é a pressão máxima suportada, não a de uso. Calibre os pneus frios com esse valor, rode em velocidade de rodovia por 20 a 30 minutos e meça de novo; a maioria dos carros modernos mostra a leitura no painel ou na central multimídia. Se a pressão subiu cerca de 4 PSI, está tudo certo.
O aumento acontece por causa do calor. A cada giro, a lateral do pneu se flexiona e gera atrito interno — fenômeno que os engenheiros chamam de histerese. Esse atrito vira calor, aquece o ar preso dentro do pneu e eleva a pressão. Uma alta bem acima de 4 PSI indica que o pneu partiu de uma pressão baixa demais: ele flexiona mais, esquenta mais e corre risco de dano estrutural ou separação da banda. Já uma variação bem menor sugere calibragem inicial alta demais, que concentra o desgaste no centro da banda de rodagem.
A regra, porém, pressupõe velocidade constante de rodovia sobre piso firme — e desmorona em outras situações. No fora de estrada, é comum reduzir a pressão para algo em torno de 12 PSI na areia, 18 na lama, 20 na neve e 25 no cascalho, valores muito abaixo do que a conta dos 4 PSI prevê. O mesmo vale para pneus especiais: enquanto a recomendação típica de fábrica fica entre 28 e 36 PSI, os slicks de arrancada rodam de 4 a 12 PSI, faixa em que uma variação de 4 PSI deixa de ser um ajuste fino para virar uma mudança enorme.
Usar o TPMS do carro como referência para o teste é razoável: em avaliação da AAA de 2023 com 11 veículos, a maioria mostrou leitura dentro de cerca de 1 PSI da pressão real. Ainda assim, nenhuma medição com o pneu quente deve substituir a pressão a frio recomendada pela montadora — esse é o número que manda.
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