Ruf revela motor boxer de oito cilindros com mais de 1.000 cv e câmbio manual em Goodwood
Protótipo B8 Erprober antecipa o próximo superesportivo da Ruf e prova que o câmbio manual resiste mesmo na casa dos mil cavalos de potência
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 09/07/2026 às 21h00
A Ruf usou o Festival de Velocidade de Goodwood, na Inglaterra, para revelar o B8 Erprober, protótipo que antecipa a próxima geração de superesportivos da fabricante alemã e prova que o câmbio manual ainda tem lugar no topo do segmento. Batizado internamente de “Erprober” (“testador”, em alemão), o carro é uma plataforma de desenvolvimento para as tecnologias que equiparão os futuros modelos da marca.
O grande destaque é o motor: um inédito 4.8 boxer de oito cilindros, o primeiro da história da Ruf. O flat-eight biturbo entrega mais de 1.013 cv de potência e mais de 102 kgfm de torque, sem qualquer ajuda de eletrificação. Mais raro ainda é o conjunto vir acoplado a um câmbio manual de seis marchas, combinação praticamente extinta entre os carros de mais de mil cavalos.

Para acomodar o propulsor, maior e mais largo que um seis-cilindros, a Ruf alongou em 10 cm o chassi do CTR3, seu superesportivo de carroceria e estrutura próprias apresentado em 2007. A escolha do modelo, segundo a empresa, foi estratégica: permitiu testar os limites do novo motor de forma discreta, sem chamar atenção durante o desenvolvimento.
Durante o evento, o protótipo fará seis subidas na tradicional prova de montanha de Goodwood, duas por dia, de sexta (10) a domingo (12), com o piloto Tanner Foust ao volante. O carro exibe uma pintura exclusiva criada por Aloisa Ruf em parceria com a Optima Batteries: o tom amarelo remete ao icônico CTR Yellowbird de 1987, enquanto os grafismos desenham repetidamente o número oito, referência à contagem de cilindros.

Boxers de oito cilindros são raríssimos: a Porsche chegou a usá-los em carros de corrida nos anos 1960 e 1970, como os 908 e 907, mas nunca os levou a um modelo de rua. A própria Ruf construiu sua reputação sobre os flat-six derivados do Porsche 911, base estética que segue no DNA da marca, já que o CTR3 aproveita a estrutura dianteira do esportivo alemão. Fiel a essa história, a Ruf sempre produziu em pequena escala: o Yellowbird, por exemplo, teve apenas 29 unidades feitas à mão.
A Ruf não informou quando lançará a versão de produção, mas o fato de o motor já rodar em um protótipo funcional sugere estágio avançado. Se as especificações chegarem às ruas, o novo esportivo superará com folga o atual carro mais forte da marca, o CTR3 Evo, que rende cerca de 811 cv e não oferece câmbio manual.


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