Sem sinal na estrada? A partir de 2027, seu celular poderá usar a rede de outra operadora

Regra que permite usar a rede de concorrentes eleva de 36,6% para 58,9% a cobertura nas federais; Anatel ainda vai definir os detalhes

PEDÁGIO FREE FLOW COBRANÇA AUTOMÁTICA
Plano federal prevê levar internet 4G ou superior a 72,3 mil km de estradas até 2030 e cobrir toda a BR-101 já no ano que vem (Foto: Divulgação | AutoPapo)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 16/10/2026 às 17h00

O governo federal vai obrigar as operadoras de celular a compartilhar o sinal nas rodovias a partir de 2027. Quem estiver em um trecho sem cobertura da própria operadora poderá usar a rede de uma concorrente, com conexão 4G ou superior.

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A regra faz parte da Política Nacional de Conectividade em Rodovias, lançada nessa quinta-feira (15) pelos ministérios das Comunicações e dos Transportes. O plano prevê levar internet móvel a 72,3 mil km de estradas federais e estaduais até 2030.

O compartilhamento, chamado de itinerância ou roaming, será regulamentado pela Anatel, que vai definir as regras técnicas e a remuneração entre as operadoras.

Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o governo não pagará compensação às empresas, que devem equilibrar o custo de ceder a rede com o ganho de usar a das concorrentes. Também está descartado aumento de pedágio por causa do plano.

Cobertura deve dobrar nas federais

Só com o compartilhamento, a cobertura disponível nas rodovias federais deve subir de 36,6% para 58,9%, segundo o Ministério das Comunicações. A extensão atendida passaria de 27,2 mil para 44,1 mil km.

Com outras medidas, como obrigações nas concessões de rodovias, a meta é chegar a 57,1 mil km de estradas federais com sinal até 2030, mais que o dobro de hoje.

Para 2027, o governo planeja conectar 16 mil km de rodovias federais, incluindo toda a BR-101, com cerca de 4.800 km do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

Leilão e fundo federal

Parte da expansão sai do leilão da faixa de 700 MHz, realizado pela Anatel em maio. As vencedoras assumiram cerca de R$ 2 bilhões em compromissos de investimento, que incluem levar sinal a 6,5 mil km de rodovias federais sem cobertura.

A partir de 2027, as operadoras poderão usar ainda recursos do Fust, fundo federal de universalização das telecomunicações, via BNDES, para ampliar a infraestrutura nas estradas.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, o sinal nas rodovias deve facilitar o socorro em acidentes e a adoção do pedágio free flow, sem cancelas, que será padrão nos editais de novas concessões.

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