Táxis autônomos se envolvem em 68% menos acidentes do que veículos comums, aponta estudo
Estudo do IIHS analisou 80 milhões de km autônomos em quatro cidades dos EUA; no Texas, porém, a taxa foi 4% maior
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 28/07/2026 às 15h00
Os robô-táxis da Waymo se envolveram em 68% menos acidentes por quilômetro rodado do que motoristas humanos nas mesmas cidades americanas. A conclusão é de um estudo do Instituto de Seguros para a Segurança nas Rodovias (IIHS, na sigla em inglês), entidade sem fins lucrativos mantida por seguradoras dos Estados Unidos.
A pesquisa avaliou os carros autônomos da empresa em quatro grandes centros urbanos — São Francisco, Phoenix, Los Angeles e Austin — e considerou apenas as batidas que uma pessoa normalmente levaria à polícia. A base é expressiva: cerca de 80 milhões de km percorridos de forma totalmente autônoma entre 2021 e 2024, contra aproximadamente 357 bilhões de km dirigidos por humanos no mesmo período e nas mesmas regiões. Os números do instituto apontam reduções ainda maiores em ocorrências graves: 81% menos batidas com feridos e 85% menos acidentes envolvendo um único veículo.

A média de 68%, porém, esconde diferenças grandes. Em Phoenix, a queda foi de 76%; em Los Angeles, de 71%; em São Francisco, de 35%. Já em Austin, onde a frota é menor e a amostra reduzida, os robô-táxis registraram taxa 4% maior que a dos motoristas humanos.
“Os resultados mostram que, em escala limitada, esses carros sem motorista são mais seguros do que condutores humanos — que podem estar alcoolizados, sonolentos ou sofrer lapsos de atenção”, disse David Harkey, presidente do IIHS.
Por que a comparação não é direta
Há uma ressalva importante por trás dos números. Os carros da Waymo são classificados como nível 4 na escala da SAE International, o que significa que a automação dirige sozinha, sem supervisão humana, mas apenas em condições determinadas. Na prática, eles só circulam em áreas mapeadas e delimitadas, em cidades escolhidas a dedo, dentro de um envelope de operação definido pela própria empresa. Nível 5, capaz de dirigir em qualquer condição, ainda não existe.
As quatro cidades do estudo não têm neve nem gelo, por exemplo. E, no período analisado, o serviço praticamente não rodava em vias expressas: a Waymo só abriu corridas comerciais em freeways de São Francisco, Los Angeles e Phoenix em novembro de 2025, depois do fim da amostra. O ser humano da comparação, por outro lado, dirige em tudo: rodovia, estrada de terra, tempestade, madrugada.
O peso disso no resultado final é objeto de disputa entre pesquisadores. Estudos da própria Waymo sustentam que o cálculo é conservador, porque a frota roda de forma desproporcional à noite e em fins de semana, quando o risco humano é mais alto. A ausência de vias expressas empurra o número no sentido oposto. Em qualquer dos casos, a conclusão metodológica é a mesma: comparação honesta exige recortar tipo de via, horário e local.
Falhas na coleta de dados oficial

O relatório também expôs lacunas no monitoramento federal. As empresas são obrigadas a notificar acidentes à Administração Nacional de Segurança do Tráfego Rodoviário (NHTSA) desde 2021, mas não há exigência legal de informar a quilometragem rodada pelas frotas. A Waymo fornece esse dado voluntariamente; as concorrentes, não — o que torna impossível calcular a taxa de acidentes delas e explica por que o IIHS usou apenas os números da Waymo.
Outro obstáculo é a diferença de rigor no registro: motoristas humanos só precisam avisar a polícia em casos com feridos ou prejuízo material acima de US$ 1.000, limite que varia por estado, e muitos deixam de fazê-lo para não encarecer o seguro: cerca de metade de todos os acidentes e um terço dos que têm feridos nunca são reportados. As empresas de carros autônomos, ao contrário, registram até o arranhão que o carro faz ao raspar a parte de baixo em uma entrada de estacionamento.
Para equiparar as duas bases, a equipe liderada por Eric Teoh, diretor de serviços estatísticos do IIHS, descartou registros duplicados e casos em que a automação não estava acionada ou o veículo não estava em via pública — cerca de um quarto do total. Das 736 ocorrências em via pública com automação acionada, apenas 22% passaram no filtro de relevância policial.
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