Troca de bateria vira pesadelo mecânico e exige até desmontagem de bancos em carros de luxo

Montadoras justificam complexidade com distribuição de peso, mas reparos simples em modelos da Mercedes e Dodge agora demandam horas de oficina

Mercedes AMG GLE 53 HYBRID 4MATIC+ Coupé Mercedes AMG GLE 53 HYBRID 4MATIC+ Coupé
Em SUVs como os Mercedes-Benz GLE e GLS, a bateria não fica debaixo do capô (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 19/01/2026 às 16h00

O ritual de abrir o capô, soltar dois cabos e trocar a bateria do carro em dez minutos tornou-se uma lembrança distante na indústria automotiva moderna. O que antes era uma manutenção básica, acessível ao próprio dono do veículo na garagem de casa, evoluiu para uma operação complexa que exige ferramentas específicas, horas de mão de obra e, em casos extremos, a desmontagem parcial do interior do automóvel.

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O exemplo mais crítico dessa tendência é observado nos SUVs de luxo da Mercedes-Benz, como as linhas GLE e GLS. Nestes veículos, a bateria de 12V não está no cofre do motor, mas escondida sob o banco do motorista. O acesso exige remover o assento, desconectar a fiação complexa, levantar o carpete e desmontar dutos de ventilação.

O projeto cria um paradoxo de engenharia: para acessar os parafusos que soltam o banco, é preciso movê-lo eletricamente; se a bateria estiver totalmente morta, o banco não se move, tornando a troca um desafio técnico ainda maior.

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A prática de alocar a bateria fora do cofre do motor não é exclusividade dos alemães, nem novidade absoluta. Modelos populares no mercado de usados, como o Dodge Journey e o Fiat Freemont, posicionam a peça atrás do para-choque, à frente da roda dianteira esquerda. Para realizar a troca, é necessário levantar o carro, remover a roda e retirar o revestimento da caixa de roda — um processo trabalhoso que frequentemente resulta em presilhas plásticas quebradas.

As montadoras defendem essas escolhas com argumentos técnicos. Retirar a bateria da dianteira libera espaço precioso para sistemas de controle de emissões e módulos eletrônicos, além de auxiliar na distribuição de peso, equilibrando a dinâmica do veículo.

Contudo, críticos apontam que a complexidade crescente serve também para afastar o motorista da manutenção independente. Ao transformar uma troca de consumível em um serviço pesado, a indústria força o proprietário a recorrer a concessionárias ou oficinas especializadas, encarecendo a posse do veículo a longo prazo.

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