Criadas para dar fluidez aos carros, ruas de sentido único aumentam percursos, prejudicam lojas locais e elevam risco a pedestres, dizem novos estudos
As vias de mão única, há muito consideradas a solução padrão para o tráfego urbano, estão sendo revistas por especialistas em mobilidade. Implementadas em massa nos Estados Unidos nos anos 1950 para lidar com o boom automobilístico, essas rotas agora são apontadas como potenciais causadoras de mais problemas do que soluções.
O principal argumento a favor do modelo — a fluidez — tem sido contestado. Um estudo do sistema viário de São Francisco revelou que ruas de mão dupla podem ser mais rápidas. Nas vias de sentido único, os motoristas frequentemente precisam dar grandes voltas, adicionando o equivalente a três quadras extras por trajeto. Esse aumento de percurso gera frustração, amplia as emissões de gases poluentes e piora o congestionamento que promete evitar.
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A economia das cidades também sofre com a medida: a velocidade alta dos veículos e a restrição do campo de visão reduzem drasticamente a visibilidade dos comércios. Quando a Vine Street, em Cincinnati (EUA), adotou o sentido único, relatórios indicaram o fechamento de até 40% dos pequenos negócios locais. Com o trânsito desenhado apenas para escoar os automóveis rapidamente, o varejo de rua perde potenciais clientes e faturamento.
A segurança, no entanto, é o ponto mais alarmante do modelo. Esse desenho viário aumenta a necessidade de viradas em cruzamentos em até 160%, multiplicando os perigos para quem anda a pé. Em Nova York, um levantamento demonstrou que 70% dos atropelamentos envolvendo conversões à esquerda ocorreram em ruas de mão única. A ausência de tráfego no sentido oposto também estimula indiretamente a velocidade excessiva, o que reduz a visão periférica dos motoristas e fortalece a defesa global pelo retorno da circulação em mão dupla.
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