‘Você trocaria mesmo?’: Mercedes questiona a nova moda dos carros elétricos com gerador a gasolina
Vice-presidente da marca alemã duvida que ampliar a autonomia elétrica para 322 km convença o cliente e aponta os carros 100% elétricos como saída
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 26/10/2026 às 10h00
A Mercedes-Benz não pretende entrar na onda dos carros elétricos com extensor de autonomia.
Em entrevista ao site americano Motor1, Christoph Starzynski, vice-presidente de Estratégia e Direcionamento de Produto da marca alemã, afirmou que não vê demanda pela tecnologia entre os clientes da Mercedes.
Para ele, os híbridos plug-in da marca, que podem ser recarregados na tomada, já resolvem o uso diário: rodam mais de 100 km só com eletricidade, e alguns modelos vendidos na Europa chegam a 124 km.
Além disso, esses carros aceitam recarga rápida em corrente contínua, o que permite repor energia em paradas mais longas, e mantêm o motor a gasolina à disposição nas viagens.
Como funciona o extensor de autonomia
Nos elétricos com extensor de autonomia, conhecidos pela sigla EREV ou REEV, as rodas são movidas apenas pelo motor elétrico. O motor a combustão funciona só como gerador e recarrega a bateria quando a carga baixa.
Já no híbrido plug-in, o motor a combustão também pode mover as rodas. Por isso, os EREVs costumam rodar distâncias maiores no modo elétrico.
A tecnologia ganhou espaço nos Estados Unidos, onde parte dos consumidores tem trocado os carros 100% elétricos por híbridos. Mesmo assim, Starzynski duvida que ampliar a autonomia elétrica de cerca de 97 km para 322 km convença o cliente da Mercedes a mudar de carro.
Para quem quer rodar mais sem gasolina, ele aponta os modelos 100% elétricos, que, na avaliação dele, precisam de 450 km a 644 km de autonomia para ser satisfatórios.
Protótipo abandonado
A Mercedes já testou a ideia. Em 2024, a revista britânica Autocar revelou que a marca desenvolveu protótipos do EQS (sedã elétrico de luxo) com um motor 1.0 de dois cilindros funcionando como gerador.
O projeto foi encerrado porque a empresa concluiu que o extensor de autonomia era uma tecnologia de transição, com ganho de vendas de curto prazo e custo de produção alto.
No Brasil, a solução já está à venda: a Leapmotor, marca chinesa da Stellantis, oferece os SUVs C10 e B10 com extensor de autonomia. Antes deles, o BMW i3 também teve versão com o sistema por aqui.
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