A Amazonas 1600 foi a moto mais brasileira de todos os tempos, fabricada apenas com peças nacionais em uma época em que não se podia importar
Para os amantes de futebol, o termo “Brasa” tem gerado polêmica neste ano, em que todos ficam mais patriotas, afinal há Copa do Mundo de Futebol. Porém, para os fãs das duas rodas, essa brasilidade já foi transmitida de uma forma mais raiz, em uma época em que fomos tricampeões do mundo.
Na década de 1970, o brasileiro teve a honra de conhecer, conviver e/ou pilotar a mais brasileira de todas as motos custom clássicas: a Amazonas. Esse modelo, criado a partir de várias peças de automóveis, foi um símbolo nacional que até hoje cativa quem gosta de motociclismo.
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Na década, em regime ditatorial, quem quisesse andar de moto tinha que se contentar com os modelos nacionais ou com as antigas japonesas que circulavam no mercado de usados. Afinal, o Decreto-Lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, assinado pelo general Ernesto Geisel, proibiu importações.
Uma complicação, uma vez que a Yamaha acabava de chegar a São Paulo (1974) e a Honda estava se instalando em Manaus (1976).
Com a medida, o mercado de motos passou a ter carência de produtos, principalmente quando se falava de modelos grandes. Essa necessidade de ter uma moto robusta e com peças acessíveis instigou os mecânicos Luiz Antônio Gomide e José Carlos Biston a criarem a aclamada Amazonas.
A necessidade de utilizar peças brasileiras fez os idealizadores desenvolverem uma moto com motor de um Volkswagen 1500 (o famoso Fusca), refrigerado a ar, e com chassi aproveitado de uma Harley-Davidson modelo Indian.
A Auto Importadora Ferreira Rodrigues se interessou pelo projeto e, no ano seguinte, um protótipo com melhorias mecânicas e estéticas ficou pronto. Painel e comandos elétricos do VW Passat, farol de caminhão Mercedes-Benz, cáliper de freio do Ford Corcel, discos de VW Variant e outros componentes compunham o modelo.

Também chamada de Motovolks, a Amazonas foi a primeira moto do mundo a contar com marcha ré — característica derivada do fato de o modelo ter, além do motor VW, uma caixa de marchas de automóvel da marca.
Em 1979, a gigante brasileira recebeu o motor de 1.584 cm³, que gerava 56 cv a 4.500 rpm e 10 kgfm a 3.000 rpm, alimentado por um tanque de 30 litros. O torque elevado para uma moto da época facilitava a aceleração dos 407 kg (em ordem de marcha), até mesmo em 2ª marcha.
A Amazonas era uma verdadeira mistura de peças e, após o interesse da Auto Importadora Ferreira Rodrigues, foi atualizada com mais itens automotivos, como painel e comandos elétricos do Volkswagen Passat, farol de caminhão Mercedes-Benz, cáliper de freio do Ford Corcel, entre outros.
O que mais impressionava na gigante era o conforto, que, mesmo com seus 407 kg, tornava a condução em rodovias uma experiência relativamente tranquila para a proposta da época.
Com dois carburadores, a gigante fazia de 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos. Suas suspensões eram telescópicas na dianteira e com duplo amortecedor na traseira. Para segurar todo o peso, contava com dois discos de freio na roda dianteira e um na traseira.

Em 1986, a fábrica da Amazonas foi vendida para o empresário Guilherme Hannud Filho, que continuou a produção até 1988, quando as atividades foram encerradas. Em 1990, os criadores da motocicleta apresentaram, no Salão do Automóvel de São Paulo, um novo projeto utilizando motor VW 1600.
Batizada de Kahena, era uma evolução do produto original, com chassi de aço estampado, transmissão por eixo cardã e suspensão traseira monobraço. Porém, sua produção ocorreu de forma artesanal, resumindo-se a poucas unidades e sendo descontinuada no final dos anos 1990.
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