A era das motos automáticas já começou, só falta massificar

Tecnologias estão cada vez mais frequentes e, ao que tudo indica, é questão de tempo para chegarem de vez ao mercado das duas rodas

CRF1100L África Twin Adventure Sports DCT DET 16
Nas motos, a assistência ao câmbio vem por meio de sistemas automatizados. Automáticas geralmente são scooters e elétricas (Foto: Honda | Divulgação)
Por Lucas Silvério
Publicado em 12/05/2026 às 17h00

As motos automáticas e automatizadas já são realidade no mercado. Grandes fabricantes, como Honda, Yamaha e BMW, já contam com essas tecnologias. Porém, uma pergunta ainda permanece em meio a esses avanços: será que as motos automáticas vieram para ficar?

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A resposta é sim, mas não espere uma guinada da noite para o dia. Trata-se de um processo gradual, semelhante ao que já presenciamos no mercado de automóveis. Hoje há mais carros automáticos emplacados do que manuais.

E para entendermos melhor como será a “popularização” da moto automática, questionamos os fabricantes. Hoje, a Honda é a fabricante que possui uma das maiores variedades de câmbios automáticos e automatizados do mercado, que deu detalhes de como a tendência tenderá a ganhar protagonismo daqui para frente.

Segundo o supervisor de Relações Públicas da Honda do Brasil, Luiz Gustavo Guereschi, a fabricante acredita que as tecnologias de automatização de câmbio nas motocicletas são uma realidade que veio para crescer e permanecer no mercado. “Essas novas tecnologias são avanços que entregam facilidade na pilotagem, mais conforto e agregam mais segurança ao piloto”, salienta Guereschi. “A Honda acredita que essas tecnologias são uma tendência no segmento de motos em todo o mundo e estarão presentes no futuro das motocicletas.”

Honda E Clutch
A tecnologia e-Clutch é a mais recente dentre as que a japonesa Honda têm (Foto: Honda | Divulgação)

Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em 2025 cerca de 38,98% dos veículos de duas rodas comercializados no Brasil foram scooters ou motocicletas do tipo cub, que possuem algum sistema de automatização ou facilitador de troca de marchas. Esse número representa um aumento de 15,39% em relação aos últimos cinco anos (2020) e de 27,51% na comparação com 2015.

Tipos de câmbios automatizados e automáticos em motos

Existem diferentes tipos de câmbios automatizados e automáticos em motos, que variam de acordo com o custo do projeto, a proposta do modelo e o tipo de pilotagem.

Tudo pode parecer a mesma coisa, porém existe diferença. Em um câmbio automatizado, as relações de marcha ainda existem fisicamente e quem realiza as trocas é um sistema automatizado, uma espécie de robô que faz o trabalho do pé e da mão do piloto. Já os câmbios automáticos convencionais utilizam conversor de torque ou um conjunto de polias CVT ligadas por correia, levando o modelo das velocidades mais baixas para as mais altas sem marchas preexistentes.

Scooters na vanguarda da transmissão automática

Por mais que os dados da Fenabrave comprovem a procura pela automatização em scooters e cubs — ou seja, motos menores e de pilotagem mais urbana —, atualmente motocicletas de maior porte também recebem esse tipo de assistência ao piloto. A Honda, por exemplo, conta atualmente com três tecnologias:

  • Sistema semiautomático: embreagem centrífuga (sem manete), com acionamento do pedal para troca de marchas com o pé esquerdo;
  • Sistema e-Clutch: embreagem com acionamento eletrônico, mantendo o manete de embreagem disponível para uso a qualquer momento, além da troca de marchas com o pé esquerdo;
  • DCT: tecnologia com dupla embreagem e acionamento eletro-hidráulico, realizando trocas automáticas de marcha de acordo com o estilo de pilotagem, podendo ter comportamento mais esportivo ou confortável.

As gigantes Honda CRF1100L Africa Twin e Honda NC 750X contam com a tecnologia DCT. Já o e-Clutch estreou em 2025 na esportiva Honda CB 650R.

Outras marcas, como a alemã BMW, também possuem tecnologias semelhantes em suas motos automáticas. Além do já conhecido quickshifter, que auxilia na troca de marchas sem o uso da embreagem, a fabricante trouxe para sua maior motocicleta, a BMW R 1300 GS Adventure, uma tecnologia de automatização chamada Automated Shift Assistant (ASA). O sistema atua de forma semelhante ao DCT da Honda e elimina o manete de embreagem, utilizando dois atuadores eletromecânicos para realizar as trocas de marcha.

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A BMW R1300 Gs Adventure é a mais tecnológica das motos da marca (Foto: BMW | Divulgação)

No mesmo caminho está a Yamaha, que entre 2024 e 2025 implementou o sistema Yamaha Automated Manual Transmission (Y-AMT) em motos da família MT no Japão. A diferença em relação aos concorrentes talvez seja justamente o manete de embreagem, que permanece no modelo caso o piloto queira utilizar a troca manual.

Yamaha MT 07 (1)
A Yamaha MT-07 ganhou o câmbio automatizado em sua ultima atualização de geração (Foto: Yamaha | Divulgação)

O que podemos esperar sobre as motos automáticas

A Honda também relembrou que a ideia de facilitar o uso da motocicleta por meio de sistemas de embreagem e transmissão começou ainda em 1958, com a Honda Super Cub. No Brasil, essa proposta chegou algumas décadas depois na Honda C100 Dream. Atualmente, essas tecnologias equipam modelos como Honda Biz e Honda Pop.

Honda Pop 110i ES 2027 (22)
A geração 2027 da Honda Pop 110i ES já é a segunda que conta com o câmbio rotativo (Foto: Honda | Divulgação)

A tecnologia das motos automáticas já chegou aos modelos mais acessíveis e populares do mercado, o que pode indicar uma futura expansão para motocicletas clássicas, como a Honda CG. Segundo a própria marca, essa tendência deve se popularizar e até ocupar o espaço do câmbio manual, assim como aconteceu no mercado de carros.

Porém, será o próprio mercado quem irá ditar esse ritmo. “O mercado tem espaço para todos os sistemas atualmente utilizados nas motos”, finalizou Guereschi.

Tudo indica que, no futuro, o mercado de motos poderá seguir caminho semelhante ao dos automóveis, com maior presença das motos automáticas, enquanto os modelos manuais devem permanecer por preferência dos pilotos ou questões de custo.

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