Honda e Yamaha estão ‘ameaçadas’ pelas motos chinesas e indianas?

Crescimento percentual das concorrentes tem mudado a perspectiva dos consumidores em relação a quais são as maiores marcas do mercado

Honda cg bandeira india japão e china
Japonesa divide cada vez mais a "pizza" percentual com concorrentes (Fotomontagem: Inteligência Artificial)
Por Lucas Silvério
Publicado em 09/08/2026 às 11h00

O mercado brasileiro de motos vive uma verdadeira proliferação de marcas orientais desde 2017. Marcas chinesas e indianas como Haojue e Royal Enfield desembarcaram no Brasil de forma pioneira, mas o movimento continuou nos últimos anos, com Bajaj (2022), Zontes (2023) e a recém-chegada Cfmoto (2026). Essa movimentação naturalmente traz mais concorrência e, de certa forma, ameaça as tradicionais japonesas que chegaram ao país antes dos anos 2000, como Yamaha (1970), Honda (1971) e Suzuki (1992).

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!

É exatamente isso que a comunidade motociclística tem comentado: “Honda e Yamaha estão perdendo espaço para as chinesas e indianas”. Mas, além da falácia, será que isso é verdade?

Hoje, a Honda conta com 63,73% de participação, considerando todo o mercado nacional de emplacamentos de motocicletas, segundo registros da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Esses números vêm diminuindo ao longo dos anos. Afinal, a japonesa já chegou a deter mais de 85% de toda essa “fatia da pizza”.

A situação da Yamaha é diferente, uma vez que a fabricante, que atualmente tem 13,70% do mercado, transita nessa faixa percentual há décadas, já tendo registrado índices maiores e também menores.

VEJA TAMBÉM:

Participação no mercao e número de vendas

Para o especialista em mercado e criador de conteúdo Seku Mello, as marcas dominantes estão realmente perdendo participação no mercado, mas isso não é um problema no momento.

“Elas estão perdendo market share, mas continuam aumentando o volume de vendas. Ou seja, vendem mais motos hoje do que vendiam antes. O mercado brasileiro cresceu muito. Então, mesmo com uma fatia menor, o número absoluto de motos comercializadas aumentou”, destacou Mello.

Honda CG 160 2026
Honda CG 160 é campeã de vendas no mercado nacional desde sua introdução, em 1976 (Foto: Honda | Divulgação)

Market share, ou participação de mercado, é a porcentagem que cada concorrente possui dentro do mesmo segmento. Em 2003, quando a Honda fechou o ano com 83,73% de participação, obteve 717.137 emplacamentos. Já em 2025, o percentual caiu para 66,82%, mas o número de motos emplacadas mais que dobrou, totalizando 1.468.229 unidades.

Seku Mello ainda salientou que esse é um movimento natural do mercado, uma vez que cada vez mais fabricantes entram no Brasil e o consumidor passa a ter mais opções de escolha. “Quanto maior o número de marcas no país, mais empresas irão ‘repartir a pizza'”.

No mercado mundial a situação pode ser diferente

Apesar de, no Brasil, esse movimento ser natural e as japonesas estarem comercializando cada vez mais motocicletas, em nível global a situação pode ser diferente.

CFMOTO V4 SR RR
CFMOTO atinge 315,82 km/h e registra recorde de velocidade nacional (Foto: CFMOTO | Divulgação)

“Já na visão global, especialmente da Honda, existe uma preocupação maior. Um diretor japonês da empresa comentou recentemente que o Japão não consegue acompanhar a velocidade de evolução da indústria chinesa. Não é apenas que a China evoluiu muito; ela evoluiu muito rápido. As fabricantes japonesas levam cinco ou seis anos para desenvolver um produto. Os chineses colocam uma moto no mercado, observam o resultado, retiram de linha se não funcionar e rapidamente lançam outra. Essa velocidade preocupa.”

Seku Mello afirma acreditar que, se esse movimento continuar, “a Honda pode chegar a algo entre 30% e 40% de participação, enquanto diversas outras marcas disputarão fatias entre 5% e 15%”.

O problema da velocidade

O ponto é que esse investimento acelerado não necessariamente significa uma novidade que veio para ficar. A  Honda já soma 76 anos de atuação global e acaba de completar 50 anos no Brasil. Por aqui, a fabricante conta com mais de 1.300 pontos de venda e manutenção certificados, que reforçam sua “qualidade japonesa” e formam uma rede consolidada.

A Shineray, por exemplo, vem trazendo muitos modelos diferentes para testar o mercado. Algumas motos já foram descontinuadas rapidamente porque perceberam que não atendiam às expectativas. Outras receberam atualizações de cilindrada e mudanças técnicas. É um processo muito dinâmico, explica o especialista.

Ainda vale destacar que a Shineray está no centro de uma disputa com a Abraciclo, a associação dos fabricantes de motocicletas, que a acusa de fraudar testes de emissões e vender motos ilegalmente no Brasil.

Novas chinesas no Brasil

Voge DS900X
A Voge é a mais nova marca de motos do mercado brasileiro (Foto: Voge | Divulgação)

Além da Shineray, outra chinesa que está na crista da onda no Brasil é a CFMOTO. A marca trouxe produtos já conhecidos mundialmente por preços competitivos e é uma das que mais aparece entre os consumidores como uma possível “ameaça” às japonesas.

Apesar disso, a fabricante ainda está começando sua trajetória no país, e falar em uma preocupação real para Honda e Yamaha pode ser precipitado. Em outra matéria, o AutoPapo já abordou esse tema.

E as indianas?

Royal Enfield Shotgun 650 x Rough (16)
A Royal Enfield está no mercado desde 1901 (Foto: Royal Enfield | Divulgação)

A Shineray já está no mercado há muitos anos e a CFMOTO acaba de chegar. No meio deste caminho existem as indianas como Royal Enfield e Bajaj, duas marcas fortes no oriente e que disputam em mercados parecidos com as japonesas.

Se por um lado as montadoras chinesas têm velocidade, por outro as indianas, neste momento, têm quantidade e experiência. A Índia é o maior mercado de motos do mundo e suas fabricantes já estão acostumadas a construir modelos robustos de baixo custo, mesmo sem tanta tecnologia para a maioria dos casos.

Aqui, assim como para suas vizinhas, as montadorad da Índia dependem do tempo e de investimento para bater a fama e a estrutura que Honda e Yamaha têm no Brasil.

Newsletter
Receba diretamente em seu e-mail notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.