Óleo não é a maior preocupação: veja o que mais destrói motor de moto
Engenheiro de pesquisas da Honda aponta que os maiores vilões estão relacionados ao sistema de admissão do veículo
Publicado em 18/09/2026 às 15h00
Atualizado em 18/09/2026 às 15h24
Quando se fala em cuidar do motor da moto, o motociclista brasileiro costuma pensar primeiro na troca de óleo. Não que ela possa ser ignorada, mas os componentes ligados à admissão de ar e à queima do combustível são os que mais merecem atenção. Até porque admissão e combustão ruins acabam contaminando o próprio óleo.
Para Bismark do Vale, especialista em desenvolvimento do setor de pesquisa da Honda, a falta de conhecimento na hora de modificar a moto é parte do problema. Ele listou os hábitos que mais encurtam a vida do motor e explicou por que quase todos eles têm um ponto em comum: temperatura e equilíbrio.
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Filtro de ar saturado é o erro mais comum

O primeiro item da lista é também o mais banal. Segundo Bismark, a saturação do filtro de ar aparece com frequência justamente porque o brasileiro não tem o hábito de fazer a manutenção no intervalo correto. O resultado é um motor trabalhando com admissão comprometida por quilômetros a fio.
Pior do que o filtro sujo, na avaliação dele, é o filtro ausente. A prática de remover o elemento em busca de um ruído mais esportivo abre a porta para tudo o que o filtro existe para barrar.
“Vai passar sujeira, vai passar areia, poeira. Vai entrar no cilindro e vai contaminar o óleo”, afirma.
Gasolina velha prejudica a queima

O outro lado da conta é o combustível. Bismark explica que gasolina velha compromete a eficiência da combustão — um problema mais raro em quem roda todos os dias, mas relevante em motos que ficam paradas por longos períodos.
A lógica que ele usa para organizar a lista é simples: tudo o que influencia a explosão do motor da moto entra na conta — o combustível, o ar admitido e a queima. Mexer em um desses elementos sem mexer nos outros, diz, não gera ganho, gera desequilíbrio.
O óleo paga a conta dos outros erros

É aqui que a ordem de prioridade se inverte em relação ao senso comum. O óleo continua sendo essencial, mas ele pode ser a vítima, não a causa.
“O óleo é o sangue da moto. Se eu estou consumindo porcaria, respirando coisa ruim, eu vou estar contaminando o óleo”, resume Bismark, fazendo analogia ao corpo humano.
Ou seja: a admissão mal cuidada chega ao lubrificante, que circula na camisa dos cilindros.
O manual dá o intervalo, o uso define o resto

Sobre a troca, o especialista recomenda seguir as especificações do manual, mas com uma ressalva importante: avaliar se o uso é severo. Ele cita o caso do motoboy, que passa o dia em rotações altas, liga e desliga a moto o tempo todo e sai com o óleo frio — um ciclo constante de aquecimento e resfriamento que não aparece no hodômetro.
Para este, a troca de óleo deve ser mais curta que o recomendado no manual em casos convencionais.
E o mesmo acontece do lado oposto. Quem roda com o óleo sempre na temperatura ideal, como em uma longa viagem tranquila, pode até prolongar a vida do lubrificante.
Corrente e pneu também entram na conta

Lubrificação, ajuste e limpeza da corrente e calibragem dos pneus aparecem na lista por um motivo indireto: moto fora de ponto exige mais esforço do conjunto. Bismark diz que cada item deve estar no funcionamento ideal para que o motor não pague por ele.
Aquecer é preciso, mas poucos segundos bastam
A recomendação é deixar a moto funcionando parada alguns segundos, menos de minuto, na primeira partida do dia, tempo suficiente para lubrificar o motor antes de sair. Ao longo do dia, com o motor já aquecido, não há necessidade de repetir o procedimento.
O excesso, porém, também cobra o preço. Como a maioria das motos vendidas no Brasil usa arrefecimento a ar, deixar o motor ligado e parado por vários minutos pode aquecer a moto sem que haja fluxo de ar para resfriá-lo, passando do ponto ideal.
A analogia de Bismark é: correr numa esteira dentro de casa fechada não é a mesma coisa que correr ao ar livre num dia frio.
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