‘Se não quebrou, pode esperar’: veja o problema de chassi da Yamaha Fazer 250
Especialista em estruturas de moto recebe o AutoPapo e explica a falha recorrente na parte superior do chassi do modelo
Publicado em 20/09/2026 às 11h00
A Yamaha Fazer 250 se tornou a FZ25 no fim de 2017, quando chegou à sua 4ª geração já na versão ano/modelo 2018, e nesse processo ganhou os olhos do público pela estética mais afiada e pela tecnologia embarcada. Porém, os anos se passaram e um problema sistêmico passou a preocupar alguns candidatos a proprietários: os rumores de quebra de chassi.
Em comentários nas redes sociais, parte dos motociclistas trata o assunto como coisa de internet, um problema sazonal e distante do público. O especialista em estruturas de moto Douglas Braga discorda: para ele, esta é a moto com maior recorrência de problemas envolvendo a estrutura.
E qual é a gravidade desse defeito? É mais ou menos como quebrar a coluna vertebral. Não dá mais para andar, a não ser que um “reparo” muito bom seja feito.
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Douglas é proprietário da DG.Motocraft, oficina referência em ajustes de estrutura de motos em Duque de Caxias (RJ). Em mais de dez anos de experiência, diz ele, a FZ25 é a campeã de quebra de chassi.
O problema é real e ele veio exatamente a partir da nova geração, que é de 2018 e vai até agora”, afirmou o mecânico.
A nova FZ25 quebra na parte superior do chassi
A quebra acontece de forma sistêmica na parte de cima da estrutura, bem no elemento que suporta o maior peso da moto.

O especialista afirma que o problema é de fato decorrente da mudança de geração. Isso porque, com a nova FZ25, o chassi perdeu partes importantes e não recebeu ajustes onde deveria.
“O que acontece é que a formação do chassi desse modelo é muito frágil, porque na anterior usava-se duplo berço [tipo de chassi em que dois tubos descem da coluna de direção e passam por baixo do motor]. O berço vinha da parte inferior central do chassi e ia até a parte superior do canote. Os modelos novos vêm com o motor complementando a parte estrutural do chassi”, afirma Douglas.
Sem essa estrutura “abraçando” o motor, a nova geração deixou para o propulsor a função de servir de suporte.
Os problemas dessa mudança, segundo Douglas, são dois: a elasticidade do motor e a fragilidade da parte superior do canote.
A vibração causada pelo movimento das peças internas movimenta o chassi mais do que ele deveria. Já a parte superior, onde de fato se quebra, sofre a fissura por falta de um reforço que poderia resolver o problema.
A Honda CB 300F Twister usa chassi parecido
Douglas chamou a atenção da reportagem para um ponto pertinente: a Honda CB 300F Twister, concorrente direta da Yamaha FZ25, tem a mesma proposta de chassi sem berço duplo, mas o modelo não sofre com o defeito.
“A Fazer usa o mesmo modelo de chassi da Twister. Mas por que as Twisters não quebram? Porque elas vêm com dois tubos de reforço na parte superior do chassi. A FZ25 vem com um só tubo.”
Qual seria a solução para a Yamaha Fazer 250?

Não existe uma solução oficial para este problema de quebra de chassi, uma vez que a Yamaha não aborda o assunto.
A saída que o mecânico encontrou foi reforçar a parte superior do chassi, colocando um tubo interno no ponto onde ele se quebra.
“Eu posso afirmar que eu faço manutenção em cerca de seis a oito motos por mês”, disse Douglas sobre a recorrência de FZ25 com este problema.
Segundo o especialista, não há quilometragem média nem tempo de uso definido para que o defeito apareça.
O que pode adiar o problema da Yamaha Fazer 250?

Da mesma forma que não há uma posição oficial sobre a solução, também não há uma sobre como tudo pode ser evitado.
As recomendações de Douglas são duas:
- Apertar os parafusos prisioneiros do motor — são eles que garantem que o chassi e o motor estejam alinhados da melhor forma, o que ajuda a adiar o problema.
- Instalar protetores de motor — os protetores que são parafusados junto do motor e do chassi ajudam a segurar a estrutura. Douglas cita a marca Stunt Race como referência neste tipo de produto.
Relatos de acidentes preocupam o especialista
Ao fim da entrevista, o especialista contou que já recebeu vários relatos de condutores que se acidentaram enquanto rodavam, com a moto simplesmente se partindo.
“Nós ficamos preocupados com a segurança dos pilotos. Em cima da moto, qualquer coisa pode levar ao chão.”
Yamaha não se manifesta
O AutoPapo entra em contato com a Yamaha desde que os problemas com a Fazer 250 se agravaram nos últimos anos. Em nenhuma de nossas solicitações a marca se posicionou sobre a situação.
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Uma pena. Tenho uma Blueflex 2015 com baixa quilometragem e muita gente quer comprar, mas não vendo. Como eles, pra economizar uns centavos, deixam uma máquina tão boa ficar tão ruim? Melhor para os concorrentes.
Tenho a mesma moto fazer 250 blueflex 2015 preta com detalhe fosco. me parece bem resistente mas estou tentando conversar com um amigo para reforcar soldando algum pedacos de metal nas juncoes criticas. pois sempre carrego mais peso.
