Novos percentuais estão previstos na Lei do Combustivel do Futuro, desde que aprovada a viabilidade 'técnica' - mas será que é isso mesmo?
A bandeira que se empunha não poderia ser mais convincente: reforçar a presença dos biocombustíveis para reduzir a poluição atmosférica e a dependência dos combustíveis fósseis. O aumento nos percentuais está previsto na Lei do Combustivel do Futuro, de 2024. Etanol na gasolina vai para 35% (E35) e o biodiesel no diesel até 25% (E25). Hipocrisia: desde que aprovada a “viabilidade técnica”.
Teoricamente, uma legislação que só merece aplausos: quem poderia – em sã consciência – ser contrário a reduzir emissões e reforçar a presença de combustíveis renováveis que estimulam o setor agrário?
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Entretanto, existem limites tecnológicos para se elevar estes percentuais. O etanol, por exemplo, é um excepcional substituto da gasolina. Se, por um lado tem menor valor energético (poder calorífico) e aumenta o consumo, por outro seu teor de carbono é muito menor (mais limpo) e sua octanagem elevada.
Um novo motor projetado para queimar só etanol poderia ser mais eficiente que o flex, por não ter que servir “a dois senhores”. Não é conversa fiada: a Fiat já tem um pronto na prateleira há alguns anos. Só não põe nos carros pelo temor do motorista em se tornar refém do etanol, que pode variar de preço ou até faltar no posto (como já ocorreu no final da década de 1980 e desacreditou o “Pró-Álcool”).

Ao subir o percentual de etanol no ano passado, de 27% para 30%, os testes aprovaram o E30 com algumas ressalvas, principalmente nas motos. Mesmo assim, foram realizados somente provas de dirigibilidade, pela “urgência” do governo em aprová-lo.
Nada de verificar se o etanol poderia prejudicar a durabilidade (compatibilidade) dos componentes. Sem tempo hábil para uma rigorosa avaliação da “viabilidade técnica”, como previsto na legislação.
Se subir o percentual do etanol e passar a gasolina para E35 é uma aposta arriscada, no caso do diesel é quase um escândalo, pois hoje (B15) já prejudica os motores devido às suas moléculas diferentes do diesel. Ele provoca borra no fundo do tanque que sai entupindo filtros, bombas e o que encontra pela frente.
E o sofrimento é maior ainda nas baixas temperaturas no sul do país. Motoristas e frotistas tremem ao imaginar o biodiesel elevado para 20% ou 25% (E25) como pretendem seus produtores.
Amparados pela Lei do Combustivel do Futuro, governo e empresários do setor se utilizam de argumentos os mais marotos para silenciar quem contesta os novos percentuais. Alegam que o motor pode funcionar até com biodiesel puro (B100) e que alguns países já elevaram este percentual para 30% ou 35%. O que é verdade. Mas não explicam serem necessárias condições especialíssimas – e aumento de custos – para se contornar os problemas provocados por este combustível.
A guerra no Oriente Médio veio bem a calhar para a pretensão dos produtores de biodiesel, pois a dificuldade na importação de cerca de 30% do diesel consumido no Brasil só escancara as portas para que se atendam suas reivindicações.

E os motoristas e frotistas de veículos diesel, como ficam nessa? E os motores que não operam continuamente, como os geradores de energia elétrica em prédios, principalmente os hospitais? Ou nas máquinas agrícolas, que podem ficar semanas ou meses inativas até a safra seguinte? Existem paliativos que reduzem os efeitos negativos, como troca de filtros mais frequente e aditivos específicos no tanque, mas que encarecem a operação destes motores. Ou seja, é (sempre) o usuário que paga o pato…
Mas nada disso interessa: o produtor exige, o governo (MME) se ajoelha e autoriza. Na marra…
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Tal como nos tempos do Império, os barões do Agro ainda continuam atrasando os interesses e os rumos do País.
Já não basta a esses senhores os $bilhões e mais $bilhões de lucros que eles embolsam a cada safra???
O Agro é pop….o k-c-t !!!
Por estas e outras que o Brasil não vai pra frente !
Que idiotice!
É a decisão estúpida