6 fatos para os 60 anos da Kombi brasileira

Se ainda estivesse na linha de montagem a Kombi completaria hoje 60 anos de produção no Brasil. Listamos seis histórias sobre a Velha Senhora da indústria automobilística nacional

Por Daniel Camargos02/09/17 às 07h15

“Mas Kombi? Esse carro aí já era”. Talvez seja essa a reação do leitor incrédulo ao ler o título. A produção da Velha Senhora no Brasil realmente acabou antes do aniversário de 60 anos, que seria comemorado hoje. Não tem problema. Nós do AutoPapo acreditamos na vida eterna dos automóveis e queremos homenagear a Kombi assim mesmo.

Sabemos que a Kombi deixou a linha de produção da fábrica de São Bernardo do Campo – a última no mundo a produzir o modelo – em dezembro de 2013, mas permanece viva nos nosso corações <3.

1 – A pioneira

Foi o primeiro modelo fabricado pela VW fora da Alemanha, antes mesmo do Fusca. Em dois de setembro de 1957 começou a ser produzida. Vale destacar que fabricada é diferente de montada. Pois a montagem, com peças importadas da Alemanha, já havia começado em 1953, em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo, junto com o Fusca.

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Idealizada pelo holandês Ben Pon na década de 1940, a Kombi foi baseada no conjunto mecânico do Fusca e lançada na Alemanha, em 1950. Mais do que um veículo, a Kombi é um negócio, capaz de transportar cargas, passageiros e fazer as vezes de sacolão, lanchonete e mil utilidades sempre ambulante. Tudo isso graças a estrutura leve, do tipo monobloco, e carroceria em forma de caixa, ou, pão de forma, como alguns a chamaram no Brasil.

2 – Paz e amor

A Kombi foi assunto da tese do Mestrado em artes de David Burnett, na Universidade da Virgínia, nos EUA. Burnett estudou a história cultural da Kombi e escreveu o trabalho: “From Hitler to hippies: The Volkswagen Bus in America” (De Hitler aos hippies: a Kombi na América).

Burnett explica que o legado hippie da Kombi, ou Volkswagen Bus, como ela é chamada nos EUA, vem das campanhas publicitárias do início da década de 1960, que ligavam o veículo à contracultura hippie. “Nas décadas seguintes, a reputação hippie continuou a crescer, alimentada pelos entusiastas e pela mídia”, analisa.

VW Kombi 60 anos
Casal no festival de Woodstock, em 1969

Na tese, ele explica que os jovens hippies adotavam a Kombi porque ela casava perfeitamente com o estilo de vida que eles levavam. Outros motivos foram o baixo preço, a facilidade de manutenção e excentricidade.

Um dos depoimentos colhidos por Burnett foi o de Bob Thurmond, que comprou uma Kombi no auge da era hippie: “Você pode viver em uma Kombi. Pode facilmente dormir e viver nela. Pode fazer uma festa, ir à praia. Ela se ajusta perfeitamente a um estilo de vida viajante. A vida em comunidade está voltando à moda atualmente. A Kombi se encaixa perfeitamente, pois você pode amontoar todos os membros da comunidade dentro dela”.

3 – O apelido

O nome Kombi é uma abreviação, adotada no Brasil, para o termo em alemão Kombinationsfahrzeug, que em português significa “veículo combinado” ou “combinação do espaço para carga e passeio”. Na Alemanha o modelo recebeu o nome VW Bus T1 (Transporter Número 1). Além das versões com janelas traseiras de vidro ou furgão, a Kombi também foi fabricada como picape, com cabine simples ou cabine dupla.

VW Kombi 60 anos
Primeiros esboços da Kombi feitos pelo holandês Ben Pon

4 – As versões

Foram várias nos quase 60 anos de vida no Brasil. Veja a linha do tempo:

  • 1957 – Lançamento, com 50% dos componentes originais e motor 1.2 refrigerado a ar.
  • 1961 – Passa a ter 95% de nacionalização e ganha uma versão com seis portas.
  • 1967 – Chega o modelo picape, além do motor 1.5 refrigerado a ar.
  • 1975 – Mudanças na carroceria e motor 1.6 refrigerado a ar.
  • 1981 – Versão picape cabine dupla com motor diesel.
  • 1982 – Motor 1.6 refrigerado a álcool para todas as versões.
  • 1983 – Modelo ganha um banho de loja, com bancos dianteiros anatômicos, apoio de cabeça para a versão standard; cintos de segurança de três pontos; rebaixamento da coluna de direção, novo desenho do volante, alavanca de freio de estacionamento na horizontal, sob o painel.
  • 1985 – Motor diesel da Kombi furgão e da picape cabine dupla saem de linha, assim como o modelo picape cabine dupla.
  • 1992 – Adota o catalisador, pneus radiais sem câmara e os bancos dianteiros passam a ter apoio de cabeça de série.
  • 1997 – Kombi é reestilizada e teto é elevado em 110 mm. Fim da parede divisória entre bancos dianteiros e compartimento de bagagem. O estepe vai para o lado esquerdo do compartimento de bagagem, porta lateral é ampliada e passa a contar com trava de segurança. O logotipo VW cromado fica entre os faróis e o modelo passa a contar com a versão Carat, para sete passageiros. Todos os bancos têm apoio de cabeça individuais.
  • 1998 – Adota a injeção eletrônica de combustível multiponto.
  • 1999 – Versão Carat é extinta e são criadas as versões Escolar e Lotação.
  • 2000 – Passa a contar com imobilizador eletrônico e versão picape é extinta.
  • 2006 – Fim do motor refrigerado a ar. Passa a adotar o 1.4 total flex.
  • 2013 – Lançamento da Last Edition (foto abaixo), com pintura saia e blusa, acabamento interno caprichado, rodas e calotas pintadas de branco e uma série de detalhes em edição limitada e de despedida de 1,2 mil unidades.
VW Kombi 60 anos
(Volkswagen/Divulgação)

5 – A despedida da Kombi

Quando deixou de ser produzida a VW preparou um vídeo emocionante sobre a história do modelo. Veja:

6 – A volta

Pode limpar a lágrima que escorreu, pois a Kombi vai voltar. Vai ser diferente, com outra proposta, mas o espírito deve permanecer. O Boris, inclusive, já até dirigiu o conceito I.D BUZZ que servirá de base para o modelo que chega ao mercado em 2022.

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