Aumento do prazo de troca com desconto de ICMS: minimize o impacto

Regra para revenda de veículos comprados com isenção de ICMS para pessoas com deficiência passou de 2 para 4 anos

Por Alessandro Fernandes22/03/19 às 14h08

Na reunião do Confaz em 26 de julho de 2018 foi ratificada a alteração na regra para revenda de veículos comprados com isenção de ICMS para pessoas com deficiência, que passou de 2 para 4 anos. Portanto, a partir daquela data, só é possível solicitar nova isenção de ICMS de 4 em 4 anos. Apesar da regra para solicitar isenção de IPI não ter se alterado e continuar valendo os 2 anos para troca de carro com esta isenção, se o candidato a comprar carro com isenção quiser comprar com as duas isenções, terá que respeitar o prazo de 4 anos. Vale a pena, pois o percentual da isenção do imposto estadual é maior do que o do federal.

Porém, ter que permanecer com o veículo pelo dobro do tempo pode trazer algumas preocupações. Em primeiro lugar, a grande maioria das montadoras dá 3 anos de garantia em seus veículos zero quilômetro. Então, ao acabar a garantia, o comprador ficará exposto aos gastos que um carro pode acarretar por pelo menos um ano.

Dicas para minimizar o impacto do aumento do prazo de troca do veículo com isenção de icms

Além disso, após o fim da garantia, a desvalorização dos veículos acelera, justamente por não estar mais protegido. E ao ficar quatro anos com o veículo, a defasagem do modelo será maior. Para minimizar os problemas que este prazo maior pode trazer, darei a seguir algumas sugestões.

Desvalorização

A primeira delas é considerar a desvalorização projetada do veículo que se pretende comprar. Aqui no AutoPapo há uma página onde é possível consultar a desvalorização de quase todos os modelos do mercado nacional, inclusive de algumas versões PcD. Aí é só escolher a marca do veículo em questão, clicar na imagem dele na barra “Modelos Atuais” e em seguida escolher o ano e modelo.

Quando não há a versão PcD na relação de modelos, é só pesquisar pelo modelo mais próximo dele. Descendo na página, ao lado do quadro de consumo, estará o quadro da desvalorização, que mostra o valor do veículo 0km e o valor atual do veículo, e em vermelho a desvalorização percentual no período escolhido. A partir deste percentual é possível extrapolar para os anos seguintes e ter uma ideia de como vai ser a desvalorização até o fim do período de quatro anos. Como eu disse acima, o resultado é só uma projeção, há muitos outros fatores a se considerar.

Se o veículo foi lançado recentemente no mercado, não tem como saber como será sua desvalorização. Neste caso, verifique como é a desvalorização de outros veículos da mesma marca em comparação com marcas concorrentes e compare também a desvalorização do segmento com outros. Fuja de marcas com alta desvalorização ou cuja procedência o público em geral desconfie.

Evite segmentos que estão sumindo do mercado, como hatches médios e peruas, e outros que têm poucos modelos, como os monovolumes. Carros de nicho são menos procurados, portanto candidatos a desvalorizar mais. Claro que em todos os segmentos há as exceções, procure saber se o modelo que você deseja é um deles.

Cores mais vivas também costumam desvalorizar mais. Carros vermelhos, amarelos, alaranjados, desvalorizam mais rapidamente. Procure cores mais neutras, como preto, prata e algumas de suas variações. Brancos também caíram no gosto popular, e tendem a perder menos valor.

Os tópicos a seguir também influenciam na desvalorização, portanto fique atento a eles também para evitar uma grande perda na hora da revenda.

Garantia

Para se manter protegido durante todo o período em que precisará ficar com o carro até ter direito à nova isenção de ICMS é recorrer às montadoras que oferecem 5 anos de garantia em seus carros, como a Hyundai e a Chery. Com este prazo resolve-se o problema da garantia no último ano, porém não necessariamente estará a salvo da desvalorização, pois não é apenas a garantia que determina se ela será menor.

Se durante o tempo em que ficar com o veículo houver algum recall, ou reclamações recorrentes de proprietários, ou for lançada nova geração daquele veículo, entre outros fatores, a desvalorização será grande do mesmo jeito. A garantia maior poderá servir como argumento de venda, já que ao final dos quatro anos ainda restará um ano de garantia.

Porém, se não quiser se limitar às montadoras que dão maior garantia, há ainda uma outra alternativa, aderir à garantia estendida que algumas concessionárias oferecem. É um valor pago à parte para as concessionárias que garantem a cobertura de qualquer problema de fabricação que eventualmente ocorra com o veículo após a garantia de fábrica. Na maioria das vezes é possível embutir na parcela do financiamento esta garantia estendida, o que suaviza seu pagamento.

Se não quiser pagar pela garantia extra, siga os padrões de manutenção programada após o fim da garantia de fábrica. Ainda poderá ter custo com algum problema ocasional, mas minimizará a possibilidade que aconteça.

Defasagem

Além da questão da garantia, é preciso ficar atento à possibilidade defasagem do modelo. Veículos que estão há muito tempo sem sofrer nenhuma alteração são mais suscetíveis a receber um facelift ou até mesmo uma nova geração. Se isto ocorrer, além da desvalorização aumentar, você vai rodar com um carro defasado. Tem muita gente que não liga para isto, mas se você é um do que liga, procure por modelos que sofreram facelift recentemente – pelo menos nos últimos dois anos – ou modelos que tenham sido lançados há pouco tempo.

Modelos que estão há muitos anos no mercado, e que sofreram muitos facelifts (com exceção de Corollas, Civics ou outros modelos tradicionais) também correm risco de serem substituídos por modelos totalmente novos. Observe também se o veículo tem equipamentos obsoletos ou que estão sumindo do mercado. Há grande chances de serem os últimos de sua espécie.

Aqui também vale a dica dos segmentos, se for um que esteja em extinção, logo ficará com um carro defasado, e que nem fabrica mais. Aí poderá também ter outro problema, dificuldade de conseguir peças e manutenção.

Foco no prazer

Tudo que foi dito acima são critérios para uma compra com isenção de ICMS mais racional, menos arriscada em termos financeiros. Porém, se você é apaixonado por carros como eu, o componente paixão também falará alto no momento da compra. Se este for o caso, descarte tudo que escrevi acima, compre o carro dos seus sonhos mesmo que desvalorize, saia da garantia ou fique defasado, e seja feliz com ele!

Carro, para nós, tem que dar prazer ao dono em primeiro lugar. O que pode fazer para minimizar a conta na hora de dar adeus é cuidar do seu veículo e fazer as manutenções em dia. Assim a despedida será dolorida, mas seu bolso ficará pronto para a próxima paixão!

Foto Shutterstock

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3 Comentários
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    Joel 24 de março de 2019

    Faltou dizer que a decisão do CONFAZ não é obrigatória para todos os estados. São Paulo, por exemplo, não aderiu a alteração. Já no Mato Grosso do Sul, além de aderirem aos 4 anos para venda do veículo adquirido com isenção, retroagiram a medida para quem havia adquirido o veículo quando a norma ainda era de dois anos.
    Poderiam fazer uma reportagem complementar mostrando essas diferenças adotadas por cada membro da federação.

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    Fabio 22 de março de 2019

    PCD pra quem mesmo ??? O brasileiro é muito criativo (esperto) mesmo. Vai chegar um dia em que todas as famílias terão ao menos 1 pessoa com direito a comprar veículo PCD. Eu mesmo, estou pensando em operar o joelho….kkk. Aí, a fórmula é simples: como os governos perdem em impostos, sobem o imposto dos demais pra compensar, começam a pedir mais documentos pra quem quer financiamento, ou aumentar o prazo que tem que ficar com o carro. Minha solução: acaba com esse regime de cotas pra PCD. Ô paisinho de terceiro mundo que adora um privilégio!

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    Antonio Donizeti Martins 22 de março de 2019

    GARANTIA é um produto que você paga antes de usar e se precisar usar, “todos” dirão à você que “aquele item” não é coberto pela mesma. No nosso país eles já descobriram que também não precisam cumprir a lei; Nem o Presidente cumpre, portanto……..

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