BR-030: quebra-molas na terra é a ‘cereja do bolo’

Parece piada, mas DNIT, que não conclui a pavimentação do trecho da BR-030 nas imediações em Itacaré (BA), "instalou" quebra-molas na péssima estrada

ESTRADA DE TERRA COM QUEBRA MOLAS DE TERRA ChatGPT
Quebra-molas de terra em estrada de terra é a chancela governamental do jeitinho brasileiro (Foto: Imagem gerada por inteligência artificial ChatGPT | OpenIA)
Por Boris Feldman
Publicado em 28/02/2026 às 09h00

Viajei em janeiro para a Bahia, região que deixa no chinelo muitas das praias famosas pelo mundo. Os franceses, por exemplo, que me perdoem, mas o luxo que eu imaginava das praias da Riviera Francesa são um lixo ao lado das nossas. Mas, o descaso do governo prejudica muito nosso turismo.

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Passei uma semana em Serra Grande (Bahia,entre Ilheus e Itacaré) e outra em Barra Grande (acima de Itacaré), ambas com praias de tirar o fôlego. Para chegar na primeira, algumas dezenas de km ao norte do aeroporto de Ilheus, com bom asfalto. Entre as duas, entretanto, o acesso é terrível. A BR-030, rodovia federal de Brasilia até o sul da Bahia, é a principal via de acesso à Peninsula de Maraú, onde está Barra Grande.

Motoristas, carros, ônibus e caminhões sofrem por se tratar, acima de Itacaré, de um trecho de terra, pré-preparado para receber o asfalto. Mas, na época de chuva, o sofrimento dos motoristas é ainda maior, pois diversos trechos viram verdadeiros lamaçais.

O DNIT é o órgão federal responsável pela rodovia e há uma reclamação geral dos constantes atrasos da pavimentação, apesar de repetidos anúncios de verbas destinada à obra. Como é das principais vias de acesso à região, seu movimento é enorme e o fluxo de veículos compete com estradas das regiões Sul e Sudeste.

É uma região de grande apelo turístico com pousadas de todos os níveis distribuídas por praias lindíssimas. E, lamentavelmente, a rodovia recebe um intenso fluxo de automóveis, motos, caminhões, ônibus e vans sofrendo com valas, costeletas, buracos e crateras sem uma sinalização adequada, pontos de serviço e atendimento.  Mas o fluxo agora vai se reduzir: eu pelo menos não volto lá até que o asfalto dê as caras…

E aí vem o detalhe tragicômico deste trecho da BR-030: apesar do piso irregular, da terra e cheio de desnivelamentos, costeletas e buracos, o DNIT decidiu complicar ainda mais a vida do motorista acrescentando mais alguns obstáculos, as tristemente famosas lombadas (“quebra-molas”) ao seu longo.

Fácil imaginar que um quebra-molas na terra é um verdadeiro deboche num piso acidentado e que nem permite velocidades mais elevadas. De quebra, sua sinalização é péssima ou inexistente, e não há como cumprir com a exigência de que tenham pintura em preto e amarelo para aumentar sua visibilidade. Pintar na terra? O DNIT se resguarda bem em seu acampamento ao lado da estrada: uma lombada antes, outra depois, afrontando a regulamentação (distância mínima entre eles) e até suas dimensões de acordo com a código de trânsito.

Além de aumentar o tempo necessário para vencer o trecho não pavimentado, os veículos sofrem com as irregularidades, a suspensão é duramente exigida, pneus se furam com mais facilidade e se desbalanceam com detritos nos sulcos. Filtros se sujam mais rapidamente e elevam o custo de manutenção. E, além de todos estes inconvenientes, a cereja do bolo, totalmente irregular e dispensável, a famosa “ondulação transversal”, lombada ou Quebra-Molas que, na verdade, é um “Quebra-Tudo”.

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8 Comentários
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Jean 2 de março de 2026

Estive em Maraú ano passado e a pista é horrível,costeletas do começo ao fim uma viagem que duraria em média 1 horas vc gasta 3 e não consegue transitar acima de 40km.

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Dina Maria dos Santos Ribeiro 1 de março de 2026

Os quebra molas em estradas de terra não visam conter a velocidade e sim evitar que as águas das chuvas façam mais buracos ou trechos de atolamento. Aqui no Paraná é comum as lombadas nas estradas de terra.

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Fernando Monteiro 1 de março de 2026

Aproveite antes que acabe. Com o asfalto, a península de Maraú logo sofrerá uma expansão na ocupação que já é desordenada. O paraíso vai acabar. Estivemos lá em 2022 e ainda era bom mas já havia algumas construções polêmicas sob a forma de condomínios, ruas privatizadomas, etc.

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Jefferson 1 de março de 2026

Bom dia. As praias do sul da Bahia são, realmente, espetaculares. Porém, há, na região da Riviera Francesa, praias extremamente belas e boas para frequentar. O litoral de Nice, Saint-Tropez, Antibes, Cannes e Hyères les Palmiers, por exemplo, possui praias muito bonitas, várias delas com águas calmas e transparentes, rampas de acessibilidade, banheiros e vestiários públicos gratuitos, chuveiros nas saídas e serviço de informação ao visitante. Uma estrutura de dar inveja à maioria das nossas (mesmo aquelas bem famosas). Ainda assim, prefiro as nossas, onde o clima é mais gostoso e as pessoas mais simpáticas, mas creio inadequado chamar as praias francesas de lixo. Muitos podem discordar, mas é minha opinião.

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Jozelito Fernandes Santos 1 de março de 2026

Já foi dito que essa imagem foi criada por IA! Conheço essa estrada muito bem e na prática é horrível, se o motorista desviar de um buraco, ele cai dentro de três ou quatro buraco…. Isso quando o tempo está seco, porque no momento o período está chuvoso em toda Bahia, inclusive no litoral.
Da última vez que eu disse, isso já deve mais de 5 anos, eu tinha um carro básico, sem ar condicionado, eu comentei com um colega que só voltaria em Barra Grande quando eu trocasse de carro, ou seja, quando eu comprasse um carro com ar condicionado! Já tem 5 anos que troquei de carro e ainda não voltei em Barra Grande, porque o que impede é a atual estrada.

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Santiago 28 de fevereiro de 2026

Se a estrada de terra em questão for essa da foto, ela não tá ruinzinha não! Dá até puxar uma boa velocidade nela, a ponto disso ser um risco à pedestres, ciclistas, animais, e mesmo a outros veiculos.
Eu particularmente já passei por estradas de terra com lombadas, especialmente quando elas cruzam localidades mais habitadas, áreas de preservação ambiental, ou áreas com muita presença de aninais tanto silvestres quanto de criação.
O que “pega” nesses casos, é raramente haver alguma sinalização.
De resto, nada tão excêntrico assim…

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Jicxjo 1 de março de 2026

Essa imagem foi gerada por IA, apenas para ilustrar o texto. Seu comentário apenas reforça a naturalização dessa prática questionável em todo o país, sem qualquer respaldo normativo.

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Brotherhood 1 de março de 2026

Não é assim não, quem dera fosse, é um lamaçal em forma de estrada

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