Problemas dos consumidores vão desde a demora na entrega de peças até dificuldade na resolução de defeitos crônicos
Em pouco mais de três anos a BYD alcançou a marca de 100 mil carros elétricos vendidos no Brasil e se consolidou no mercado nacional de eletrificados. Mas, não são somente os números de vendas que surpreendem, já que a quantidade de reclamações sobre a marca é expressiva.
Existem centenas de queixas não respondidas em sites que apresentam problemas de consumidores, como o Reclame Aqui. Porém, a maioria das reclamações não estão relacionadas à qualidade dos produtos, mas ao pós-venda.
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Confira a seguir três relatos de clientes da BYD que estão enfrentando diferentes problemas com seus modelos.
Rodney Moura, que trabalha com transporte por aplicativo em Belo Horizonte (MG), teve muita dor de cabeça com o seu BYD Dolphin GS. No dia 19 de outubro de 2025, o carro sofreu com uma colisão traseira que danificou parachoques, painel, tampa do porta-malas, uma das portas traseiras entre outras partes. A associação da pessoa que causou o sinistro foi acionada e, por meio de uma vistoria, constatou que mais de 20 itens do modelo teriam que ser substituídos.
A concessionária que ficou responsável pelo serviço realizou o pedido das peças para a BYD nos dias 13 e 17 de novembro. No entanto, o tempo passou e o motorista de aplicativo não recebeu notícias das partes, sendo que o processo já estava classificado como urgente. Em dezembro, ele abriu um protocolo na BYD para monitoramento de peças e acabou descobrindo que, mesmo após um mês de espera, os itens de reposição ainda estavam parados nos centros de distribuição da marca e não haviam nem sido faturados.
Enquanto isso, o proprietário estava arcando com o aluguel de um outro veículo e com o gasto referente ao combustível, muito superior à despesa que tinha com seu modelo elétrico. De acordo com ele, o prejuízo chegou a R$ 9.000 por mês.

Em contato com a BYD, Moura foi informado que as peças estavam em estoque, mas não poderiam ser faturadas e distribuídas devido a um problema de software da marca. Com isso, o dono do Dolphin abriu uma reclamação no Reclame Aqui no final de dezembro e passou a ser atendido por outro funcionário da empresa, que não tinha nenhuma informação sobre o processo e tudo teve que ser repassado novamente.
Nesse período, o motorista de aplicativo recebeu várias informações da concessionária de Belo Horizonte e da fabricante sobre o envio das peças, mas que não batiam entre si. Ele afirma ter intermediado várias trocas de dados e conversas entre a concessionária e a BYD. As peças começaram a chegar em meados de janeiro de 2026, mas a porta traseira que ficou pendente chegou apenas no dia 6 de fevereiro.
E desde a abertura do novo atendimento em dezembro, Rodney Moura havia solicitado um carro reserva ou o custeio do aluguel de um veículo, mas isso só foi atendido após mais de um mês, no dia 30 de janeiro. No total, são mais de 100 dias sem o carro, que é sua ferramenta de trabalho.
Apesar de não precisar mais lidar com o custo do aluguel, a despesa alta de aproximadamente R$ 5.000 referente ao combustível continua, pois o veículo disponibilizado é a combustão. Agora, Rodney Moura aguarda o fim do serviço de funilaria e a liberação do Dolphin, que está prevista para a segunda semana de março.
Eduardo Affonso foi outro cliente que teve problemas com a marca. Em dezembro de 2024, o comerciante comprou o seu BYD King GS em Brasília (DF) e logo na retirada do carro percebeu que o número do chassi estampado no capô estava diferente do código do veículo.

Esse fato também foi constatado no laudo da vistoria técnica, que descreve uma troca de capô que, segundo o proprietário, nunca foi explicada pela concessionária. Ele exigiu outro veículo, no entanto a loja afirmou que não poderia realizar a troca, pois o modelo já havia sido emplacado, licenciado e não havia mais aquele exato modelo em estoque. O condutor acabou levando o carro, pois precisava dele para exercer seu trabalho.
Por causa dessa troca sem explicações, Eduardo Affonso enviou uma notificação extrajudicial, tanto para a concessionária, quanto para a BYD, sendo que a primeira não respondeu e a segunda enviou uma resposta quatro meses depois, mas não apresentou nenhuma solução.

Após pouco mais de um ano da compra, o veículo começou a apresentar problemas como barulho na roda dianteira, danos internos nos pneus e suspensão com som de apito agudo. O comerciante levou o carro até uma concessionária da marca em São Paulo, onde foi realizada a troca do batente e o rolamento dos amortecedores no dia 4 de fevereiro deste ano, sem que fosse feita a cambagem e o alinhamento das rodas.
Apesar de conseguir rodar com seu King, Eduardo Affonso ainda tem que fazer visitas frequentes à concessionária, pois até o momento da publicação desta reportagem os problemas crônicos não foram resolvidos.
Já Sebastião Adilson Malheiros, de Belo Horizonte (MG), que comprou um BYD Dolphin em dezembro de 2023 está enfrentando um defeito desconhecido que impede que seu carro funcione. O problema começou em julho de 2025, quando o veículo tinha menos de dois anos de uso e não havia completado 20 mil quilômetros rodados.
De acordo com o proprietário, o modelo não reconhecia a chave presencial, por isso foi realizada a troca da bateria do objeto. Mas, mesmo com a substituição, o problema voltava a acontecer. No entanto, a situação se agravou em dezembro do ano passado, quando o carro apresentou uma pane geral em que o modelo não ligava e nada funcionava, segundo Sebastião.

A assistência de uma concessionária da BYD foi enviada e depois de várias tentativas de ligar o veículo sem sucesso o Dolphin foi retirado da residência e rebocado. Isso foi feito com dificuldade devido ao espaço apertado da garagem e pelo percurso com rampas.
Antes das festas de fim de ano, o modelo foi liberado pela oficina autorizada funcionando normalmente, mas sem que a equipe conseguisse identificar qual havia sido o problema. Porém, a solução durou pouco, e já no início de fevereiro o Dolphin apresentou novamente o mesmo defeito. Dessa vez, não foi possível rebocar o carro da garagem devido à disposição dos veículos de outros vizinhos e o espaço reduzido.
Sebastião ligou diversas vezes para o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) da marca, mas não obteve resposta. Por fim, o proprietário foi até a oficina autorizada e convenceu a equipe a ir até sua residência, onde foi possível ligar carro. Isso foi feito por meio de uma série de curtos para dar um “reset” na bateria, de acordo com o funcionário que realizou o serviço.
A segunda visita à oficina não rendeu respostas para a causa do problema, nem qual seria a solução. Sebastião Malheiros foi informado de que não foi possível detectar o problema e que todas as orientações dadas pela fabricante foram seguidas, porém sem garantias de uma resolução definitiva. O dono do Dolphin trouxe o modelo de volta para casa no dia 21 deste mês, mas logo a pane geral voltou. Desta vez, a oficina autorizada afirmou que não poderia buscar o veículo e o guincho de sua seguradora não conseguiu acesso à garagem.

Como último recurso, ele tentou o SAC que, depois de dois dias de tentativas e 27 ligações sem resposta, conseguiu o contato. Dessa forma, pela terceira vez, o veículo foi retirado e levado até a oficina, onde está parado. A autorizada da marca alega que não consegue resolver o problema e que a BYD não dá retorno com uma solução.
Enquanto isso, o consultor que atendeu Malheiros por meio do SAC, tampouco ofereceu soluções concretas. Durante esse período, o proprietário também requisitou um carro reserva, mas o pedido ainda encontra-se em protocolo e sem autorização.
Até o momento de apuração desta matéria, Sebastião não recebeu nenhuma resposta que esclarecesse a causa do problema ou o que precisa ser feito para resolvê-lo. Por enquanto, a concessionária conseguiu apenas abrir um chamado junto à marca na última quarta-feira (25).
Sebastião Malheiros, assim como Eduardo Affonso e Rodney Moura, reforçam que os modelos da marca são bons e proporcionam boas experiências na direção, mas a grande falha da empresa está no pós-venda.
Isso também é percebido na página da BYD no Reclame Aqui. Apesar de ter ganho o prêmio de melhor montadora de veículos de 2025 na categoria de elétricos e híbridos, a marca ocupa o penúltimo lugar (29ª colocação) no ranking de melhores marcas, ficando na frente apenas da Nissan. Outras chinesas verificadas pela plataforma, incluindo novatas no mercado brasileiro, estão na frente como Caoa Chery (2º); Geely (11º); Leapmotor (15º); GWM (18º); Omoda Jaecoo (22º); JAC (24º).
A nota da empresa nos últimos seis meses é de 7.1, que entra na categoria “BOM” (média de avaliação entre 7.0 e 7.9). Esse valor leva em conta as opiniões dos usuários considerando os indicadores: reclamações respondidas; voltaria a fazer negócio; índice de solução e nota do consumidor.




A montadora não conta com o Selo RA1000 dado para marcas que atenderam a uma série de critérios envolvendo número de avaliações, média das notas e índices de resposta, solução e novos negócios. Outras montadoras como: Renault, Caoa Chery, Hyundai, Toyota e Honda possuem esse selo.
Os principais problemas que envolvem os veículos e concessionárias gerando reclamações sobre a BYD são:
Todas as informações acima foram retiradas da página do RA no momento de apuração desta reportagem.
Entramos em contato com a BYD para um posicionamento sobre os casos de seus clientes, assim como as reclamações no Reclame Aqui. Em nota, a marca respondeu:
“A BYD trata as demandas de seus clientes com absoluta prioridade e rigor técnico, razão pela qual não pode se manifestar sobre casos genéricos sem as informações necessárias para checagem adequada. No momento em que AutoPapo se dispuser a fornecer os casos concretos com prazos aceitáveis para a devida apuração — o que até aqui se negou a fazer, contrariando princípio básicos do jornalismo profissional —, estaremos prontos a esclarecer quaisquer dúvidas”, fecha nota!
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