Bateria, manutenção, desvalorização: o que observar antes de comprar um veículo de segunda mão movido a bateria
Passada a primeira era dos veículos elétricos, que também atendem pela sigla BEV, esses modelos começam a despertar o interesse no mercado de segunda mão. É só perceber a quantidade de ofertas de carro elétrico usado nos principais sites de compra e venda.
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Mas o que observar na hora de comprar um carro elétrico usado? Aqui, vamos dar um passo-a-passo do que checar e investigar antes de adquirir um veículo movido a baterias de segunda mão.
Se o dono do carro elétrico usado que você está de olho não fez as revisões dentro do prazo e na concessionária, nem perca seu tempo. A tecnologia ainda é recente e é importante que o veículo tenha passado pelas revisões nas concessionárias, com ferramental correto e mão de obra qualificada.

Aproveitando, um alerta de cara: depois que você compra o carro elétrico usado, pode apostar que vai acabar na mão da concessionária para fazer as manutenções – até por conta da garantia desses veículos, geralmente superior a cinco anos.
E também pelo menos até começarem a aparecer uma boa oferta de oficinas independentes que realmente entendam do assunto. Gente qualificada e equipamentos, no caso dos BEVs, fazem ainda mais diferença.
Um exemplo da importância da manutenção é a checagem dos inversores e dos motores elétricos. São peças-chave no sistema de propulsão elétrico e precisa ser feita por alguém que realmente entenda do assunto.
Geralmente esses componentes só podem ser testados em concessionárias ou oficinas autorizadas, porque é lá que existem os equipamentos certos para ler e analisar todos os parâmetros de funcionamento.

Normalmente, os automóveis 100% elétricos já vêm com aqueles cabos originais de carregamento. Por isso, vale conferir se o carro elétrico usado que você está pensando em comprar ainda está com o acessório certo. Um cabo novo costuma passar fácil dos R$ 1 mil.
Também é bom verificar se o modelo tem os conectores para recarga rápida (DC). E, tanto no cabo comum quanto no de carga rápida, dê uma olhada no estado geral: observe sinais de desgaste, teste a recarga e confirme se as conexões ficam firmes, sem folgas.
Peça à loja para levantar o carro elétrico usado no elevador – se for de particular, peça ao vendedor permissão para levá-lo à oficina. Dê uma olhada na parte de baixo do BEV.
É que a bateria fica instalada ali, bem no centro do assoalho. Veja se não existe nenhum amassado, deformação ou qualquer sinal de dano na área que possa ter comprometido a peça que é o coração do carro elétrico usado. Isso ajuda a evitar dor de cabeça depois.
Nos carros elétricos, os freios “normais” também merecem atenção, porque trabalham junto com o sistema de frenagem regenerativa. Além de testar a regeneração, é importante conferir como estão as pastilhas e discos tradicionais.

A suspensão desses modelos, por sua vez, costuma ser mais reforçada, já que as baterias são pesadas e mudam o centro de gravidade do automóvel. Por isso, vale inspecionar amortecedores, molas, batentes e buchas para ver se está tudo em ordem.
Os BEVs ainda exigem pneus com características específicas. Eles usam compostos e desenhos de banda de rodagem pensados para aguentar o torque instantâneo e, ao mesmo tempo, garantir rodar silencioso – afinal, sem motor de combustão, qualquer ruído aparece mais. Então, veja se os pneus são originais ou seguem as especificações de fábrica.
Lembre-se: o elétrico só não usa óleo de motor. O líquido que resfria as baterias é o mesmo fluido à base de etilenoglicol usado no sistema de arrefecimento dos veículos a combustão. Além disso, ainda existem os óleos de freio e da transmissão, que também precisam ser verificados.
A primeira leva de carros usados elétricos teve depreciação acentuada. Em dois anos, a média de desvalorização de um BEV no Brasil lançado em 2023 pode chegar a quase 50%.
Com a maior oferta de veículos movidos a bateria, essa perda ficou menos acentuada. Mesmo assim, tenha em mente que um carro elétrico usado ainda desvaloriza mais e mais rápido do que um veículo a combustão. E que também não tem uma boa liquidez.
No mercado de usados, quanto mais quilômetros rodados, menor costuma ser o valor do automóvel. Mas, quando falamos de carro elétrico, essa lógica muda.
Engenheiros e especialistas explicam que um BEV com quilometragem muito baixa pode ser sinal de pouco uso e poucas recargas – e isso, ao contrário do que parece, costuma prejudicar a vida útil e a capacidade da bateria.
Por falar nela, a bateria é o coração de qualquer carro elétrico, ainda mais usado e, por isso, merece atenção redobrada. O ideal é fazer um diagnóstico, algo que normalmente precisa ser feito na concessionária da marca, já que eles têm o equipamento certo para isso.

Por isso, a manutenção desses veículos depende do uso do scanner automotivo. Em cada revisão, é preciso usar o equipamento para checar o “status” da bateria. O aparelho faz uma varredura completa e mede o state of health (SoH), o estado de saúde do sistema.
Ali aparecem dados como as temperaturas de operação, possíveis falhas nos módulos e quanto do ciclo de vida da peça já foi consumido. Importante ressaltar que as baterias costumam perder de 2% a 4% da capacidade original por ano.
Ao mesmo tempo, a maioria das montadoras oferece oito anos de garantia para as baterias dos BEVs. Isso não quer dizer que, ao fim desse período, a bateria estará “no fim da vida”, nem que antes disso ela vai funcionar sempre no máximo. Cada caso depende muito do uso, das recargas e da rotina do carro.
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