Hatch compacto que salvou a marca na Europa tem design considerado arrojado até hoje e várias boas opções entre os carros usados
O Fiat Punto é um daqueles carros atemporais. Obviamente, não muito na tecnologia e nos motores, uma vez que o carro é de 20 anos atrás. Porém, no design, é um hatch que ainda chama a atenção nas ruas.
Por isso mesmo é um compacto ainda desejado no mercado de usados e com boas ofertas. Isso porque o Fiat Punto teve uma boa variedade de versões, com diferentes opções de motores e direito até à variante esportiva.
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Lançado na Europa em 2005 e no Brasil dois anos depois, o Fiat Punto rapidamente virou figurinha carimbada nas ruas. Produzido em Betim (MG), o modelo usava a plataforma SCCS adaptada para a nossa realidade, misturando elementos do primeiro Palio e até suspensões herdadas da minivan Idea.
Por aqui, começou tímido, com motores 1.4 e 1.8 de oito válvulas. Em 2009, ganhou tempero com o T‑Jet, e em 2010 estreou a família E.torQ, que também trouxe novos nomes às versões.
A reestilização de 2012 aproximou o visual do Punto Evo europeu e elevou a potência do 1.4 para 88 cv. Entre séries especiais e pequenas atualizações, o hatch seguiu firme até janeiro de 2017, quando saiu de linha após 270 mil unidades produzidas – para dar lugar ao Argo.

O Punto não foi apenas importante: ele foi crucial para a Fiat. No início dos anos 2000, a montadora italiana vivia uma crise pesada na Europa. A aposta para virar o jogo foi justamente uma nova geração de compactos encabeçada pelo Grande Punto, como era chamado lá fora.
O sucesso comercial do modelo devolveu fôlego financeiro à marca italiana, que anos depois teria caixa e confiança suficientes para comprar a Chrysler, formando a FCA. Esse movimento pavimentou o caminho para a Stellantis, hoje um dos maiores grupos automotivos do planeta.

A história tem um detalhe curioso: parte do dinheiro que financiou o desenvolvimento do Punto veio da… General Motors. Em 2000, a GM comprou 20% da Fiat, com opção de adquirir o restante no futuro.
Mas a crise bateu à porta da fabricante estadunidense, e o contrato previa uma indenização caso a compra não fosse concluída. Resultado: a GM teve de abrir a carteira e pagar cerca de US$ 2 bilhões à Fiat… e boa parte foi parar no projeto do Punto.
No Brasil, o hatch ficou posicionado acima do Palio e abaixo do Stilo. Ocupou aquele subsegmento inventado no mercado nacional de compacto premium. À época, enfrentou rivais como Volkswagen Polo, Honda Fit, Citroën C3 e Chevrolet Corsa 2.
Em 2008, seu primeiro ano cheio, emplacou 38.571 unidades. O auge veio em 2012, com mais de 42 mil vendas.
Para começo de conversa, o Punto 1.4 aspirado pouco empolga. Com até 86 cv, sofre em arrancadas e retomadas, sendo mais indicado para uso urbano, sem exageros. O 0 a 100 km/h passa dos 13 segundos.
O 1.8 8V de origem GM dos primeiros anos de Fiat Punto é outra história: 115 cv, bom torque em baixa e comportamento mais animado. O problema é o consumo, na casa dos 6,5 km/l (etanol) na cidade.
A chegada dos motores E.torQ melhorou um pouco a eficiência, mas nada revolucionário: 7,8 km/l com o combustível vegetal no 1.8 16V de até 132 cv em ciclo urbano. E 8,1 km/l com o 1.6 16V de até 117 cv.
Ao menos, o 1.8 16V entrega desempenho convincente. O 0 a 100 km/h leva pouco mais de 9,5 segundos com etanol, graças ao bom rendimento em altas rotações. Mas lembre-se que o motor é áspero e vibra muito.

Para quem quer uma pitada de pimenta no desempenho, o T‑Jet é um prato cheio. Com motor 1.4 turbo de 152 cv importado da Itália, suspensão mais firme e visual esportivo, o hatch faz de 0 a 100 km/h em cerca de 9 segundos e chega aos 203 km/h.
A primeira fase do Fiat Punto T-Jet trouxe para-choques com entradas de ar generosas, rodas aro 17” e dupla saída de escape. Após a reestilização de 2012, o hatch ganhou detalhes em preto brilhante, faróis escurecidos e rodas inspiradas nas do Punto Abarth europeu. Por dentro, o painel podia acompanhar a cor da carroceria.

Apesar do design elogiado, o Punto nunca foi referência em espaço. Com 2,51 metros de entre-eixos, herdados do Palio, o hatch oferece boa posição de dirigir, mas pouco espaço para pernas nos bancos.
Atrás, dois adultos viajam sem aperto extremo, mas sem folga alguma. O porta‑malas de 280 litros também não impressiona.
O T‑Jet é irresistível quando falamos de Punto. Mas para quem busca estilo e bom custo-benefício, a versão Sporting 2014/2015 com câmbio manual é a pedida. Entrega mecânica confiável, desempenho honesto e pacote interessante (lembre-se que falamos de um carro de mais de 10 anos).
Entre os itens de série, ar-condicionado, direção com assistência hidráulica, trio elétrico, freios com ABS, airbag duplo e som com CD Player. Vale procurar unidades com opcionais como airbags laterais e de cabeça, sensor de ré, retrovisor eletrocrômico, ar digital, Bluetooth e até teto solar.
Na KBB Brasil, o Fiat Punto Sporting 1.8 manual ano 2015 tem preço médio de Revendedor de R$ 48.684 – apurado na primeira semana de março de 2026.








Os motores Fire do Fiat Punto costumam ter manutenção simples e peças fáceis de achar. Já os do 1.8 E.torQ têm custos um pouco maiores, mas nada assustador.
Veja preços de componentes do Fiat Punto com motor 1.8 16V:
O Fiat Punto acumula uma lista de queixas comuns entre seus proprietários, algumas com certa frequência em fóruns e no site Reclame Aqui. Problemas no sistema de injeção eletrônica e ruídos na suspensão estão entre os “campeões”.
Há ainda relatos de discos de freio empenados, falhas pontuais na pintura e até quebras nas regulagens dos bancos dianteiros.
As versões equipadas com o câmbio automatizado Dualogic também não escapam das críticas. Muitos donos relatam funcionamento irregular e manutenção cara, o que faz das opções manuais uma escolha bem mais tranquila.
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