Carros elétricos ultrapassam sedãs em vendas e expõem o declínio do segmento no Brasil
Em junho, carros 100% elétricos venderam mais que sedãs pela primeira vez no Brasil; consultor explica por que o segmento encolhe há dez anos
Publicado em 19/09/2026 às 09h00
Em junho de 2026, o Brasil emplacou 21.920 carros 100% elétricos e 19.476 sedãs. Foi a primeira vez que a categoria dos veículos a bateria passou à frente do tipo de carro que liderava o mercado brasileiro dez anos antes. Em agosto, a distância já superava 10 mil unidades: 26.558 contra 16.334.
A ultrapassagem do elétrico é só o sinal mais visível da curva descendente que conta como o sedã deixou de ser o carro do brasileiro.
Em 2015, 29% dos automóveis novos vendidos no país eram sedãs, de acordo com a Fenabrave. O Chevrolet Prisma emplacou quase 70 mil unidades naquele ano; o Toyota Corolla, 66,9 mil. Em 2025, a fatia caiu para 12%, e o Corolla vendeu 33,2 mil carros, metade do que vendia uma década antes.
Os sedãs pequenos, que somavam 17% do mercado, hoje ficam abaixo de 3%. O segmento fechou 2025 com 246,6 mil unidades, queda de 17% em um ano.
Quem matou o sedã?
“A principal razão é a migração do consumidor para as SUVs”, diz Milad Kalume Neto, da K.LUME Consultoria.
Mas compra-se menos sedã porque há menos oferta, ou há menos oferta porque se compra menos? Para o consultor, os dois movimentos ocorrem em paralelo e se retroalimentam: o consumidor migrou, as fabricantes investiram onde havia margem, e a redução de lançamentos acelerou a queda da demanda.
“E a fabricante não é inocente”, afirma. “Se existe o compartilhamento de uma mesma plataforma e o SUV tem maior demanda, aceita um preço maior e tende a garantir maiores margens, fica difícil justificar o investimento em novos sedãs.” O mesmo roteiro, lembra ele, já foi visto com as peruas.
A pesquisa ajuda a entender o lado do comprador: a Agência Internacional de Energia (IEA) registra que os SUVs chegaram a 48% das vendas globais de carros em 2023 e a quase metade em 2025. Um estudo publicado em 2022 na Energy Research & Social Science mostra que motoristas de SUV consideram seus carros superiores em segurança, espaço e prazer ao dirigir, e os veem como símbolo de sucesso.
Economistas descrevem o fenômeno como uma ‘corrida armamentista’ nas ruas: Michael Anderson e Maximilian Auffhammer calcularam, na Review of Economic Studies, que ser atingido por um veículo cerca de 450 kg mais pesado eleva de 40% a 50% o risco de morte. Quem escolhe um carro maior compra segurança para si e transfere risco aos outros, que reagem fazendo o mesmo.

No Brasil, pesquisa do Webmotors Autoinsights com 1,8 mil entrevistados indica que 40% de quem pretende comprar carro em 2026 quer um SUV; 28% ainda citam o sedã. Para Kalume Neto, a tendência é mundial e o Brasil apenas a acompanhou.
A particularidade local é o tamanho dos SUVs, menores que os europeus e norte-americanos, e a preferência por “um veículo maior para nossos pavimentos precários, grande número de lombadas, valetas e da possibilidade de acolher a família”.
O sedã que sobra
“Não penso que o sedã irá desaparecer”, diz o consultor. Ele prevê menos modelos e nichos mais definidos.
Os sedãs pequenos e compactos, caso de Hyundai HB20S, Fiat Cronos, Chevrolet Onix Plus e Volkswagen Virtus, “deverão perder cada vez mais espaço”, com atuação mais voltada a frotas corporativas.
Os médios, como Toyota Corolla, Nissan Sentra e BYD King, “tendem a sobreviver com os grandes nomes do mercado, mas com volumes menores”.
No topo, entre Mercedes-Benz Classe C, BMW Série 3 e Audi A4, o consultor avalia que os sedãs “permanecerão dominantes no segmento dos veículos de luxo executivo”.

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Boris metia o pau em SUVs e elétricos até há pouco tempo. Agora defende ferrenhamente os elétricos, mesmo sabendo que o Brasil não possui infraestrutura para esse tipo de carro, e não possuirá tão cedo. Basta uma viagem no eixo Rio-SP e veremos quantas estações de carregamento existem. Além disso, teríamos de pensar que outros veículos estariam utilizando a estação de carregamento também, e em uma fila de carros. Coitado de quem possui elétrico… A suposta autonomia de 500, 700 km é baseada em quê? Temos de pensar nos imprevistos na estrada, acidentes, obras, etc. A verdade é que NÃO HÁ estações de carga no eixo RJ-SP otimizadas para tráfego de veículos elétricos, sem contar na demora excessiva de recarga. Muito melhor o bom e velho motor a combustão, onde você encontra um posto em qualquer lugar que estiver. Já tive uma 330e, híbrida PHEV, muito boa. Carros puramente elétricos estou fora, mas híbridos plugin valem a pena. Totalmente elétrico se, no máximo, você roda na cidade, e em trechos curtos. Em grandes centros, considero furada. MEsmo em shopping centers, as vagas para plugin estão sempre ocupadas. Mas isso é Brasil! Estive na Holanda há 3 meses e lá, realmente, há muito carro elétrico. Mas a infraestrutura é TOP. País pequeno, há diversas vagas de estacionamento onde pode-se efetuar recarga (paga-se à parte). Aqui, com a abundância de recursos hídricos para gerarmos EE, sequer há o mínimo em uma cidade pequena. Lamentável.
Infelizmente as montadoras criaram a moda dos suvs porque lhes dão maior valor agregado. Tanta conversa mole de aquecimento global e estimulam veículos desse porte. Ainda, para piorar, quando vem de fora e é híbrido são todos a alcolina, sem estarem preparados para isso. Tenho um Cruze HB 2023 e estou passando apuros para achar algo parecido. Ou é popular, ou só a gasolina ou elétrico. E, para piorar, vem aí em janeiro o pilantríssimo imposto safa…ops, do pecado, onde carro elétrico é pecado e veículos a diesel não são. Sem falar no programa de emissões que está forçando todos a terem motor 1.0 .
Carros elétricos??? Até 2030 ou antes, teremos que ” privatizar ” Itaipu para que possamos usar a energia da usina em sua totalidade; kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Gostava dos sedans compactos. Agora acho que o maior problema não são os suvs, mas a precificação dos sedans atuais, muito caro, não vale a pena.
Carro no preço que tá não justifica muito caro! Seja ele SUV (que pra mim é o pior custo beneficio), sedã e hatch e eletrico
Eu tenho um SUV e um hath e o valor de compra deles na época era bem próximo, hoje, dependendo do modelo é quase igual. Eu preciso de espaço para itens grandes e para família, coisa que um sedã não me proporciona e o consumo não é tão alto assim como pintam na internet, tem muita babaquice sendo anunciada por aí, meu SUV gasta menos que meu hach e os os hatchs de hoje não são mais carros para quem quer um veículo prático, confortável e ágil, viraram carroças tecnológicas, os sedãs foram espichados e alongados, viraram banheiras móveis, até as pick-ups pequenas estão estragando com essas cabines duplas que mais parecem sedãs sem a tampa do porta malas. Estão acabando com as variações de veículos, não por causa que dá mais lucro, é porque os consumidores não compram algo que não lhes atende. Agora, que todos estão fora da realidade em preço, isso estão, e faz tempo.
Ainda prefiro o sedan, pelo visual, por andar bem sem ser gastão, ter seguro e manutenção mais conta além do custo de aquisição menor em relação a qualquer SUV de mesmo porte. O fato de ser mais baixo não me incomoda. As montadoras são espertas, perceberam que oferecer carros com visual mais “robusto” e imponente agrega muito mais valor e ajuda a aumentar a margem de lucro. E quem compra realmente acredita que o SUV é um carro mais resistente e aceita pagar a mais por isso.
De resistente não tem nada a mais, Só é mais alto (centro de gravidade pior) e mais gastão por ter aerodinamica pior e maior peso.
Carro elétrico é muito mais econômico
Como disse em outros posts, eu realmente não gosto de SUVs. São carros grandes, pesados, pouco aerodinâmicos, menos eficientes no consumo, e com dirigibilidade (em geral) ruim. A única vantagem do SUV, se é que pode ser considerada uma, é a maior altura do solo – raspa menos em lombadas, sarjetas e desníveis. E a maior altura também facilita entrar e sair do carro. Colocando isso tudo numa balança, acho que os aspectos negativos pesam mais.
Ainda assim os SUVs vendem muito mais, mesmo sendo mais caros. Porque ? Modismo ? Efeito ‘maria vai com as outras’ ? Tamanho mais impressionante ? A maior oferta de diferentes modelos ? Enfim, ainda existe um mistério a ser resolvido sobre essa preferência estranha. Ou seja, porque as pessoas compram carros que são mais caros e piores que os anteriores ?
Mas sinto que essa guinada rumo aos SUVs tem um limite, pois o excesso eventualmente fica chato e cansa a todos, que, eventualmente, vão começar a explorar outras opções para sair da mesmice. São ciclos de consumo que tem duração limitada.
No caso brasileiro o predomínio (ainda maior) continua sendo dos HATCHES, porém com a maioria deles sendo agora vendidos como “suvs”.
Lembrando ainda que a moda-“suv” (forjada pra inflar os preços) inflacionou o mercado a niveis pornograficos, inclusive os preços dos outros segmentos não-“suvs” aonde muitos consumidores buscavam alternativas.
Assim além da industria ofertar menos sedans, os próprios preços inflacionados do mercado faz com que muitos proprietários de sedans os mantenham consigo e não os troquem por um zero-km.
Como a moda-“suv” começou em 2020, acredito que em mais algum tempo ela já comece a esfriar. Aí os sedans voltam a recuperar o seu espaço, os hatches voltam a “ser” hatches, e quem sabe até assistamos o retorno das peruas-sw com novas roupagens.
