Chevrolet Cruze

Por Sérgio Melo 13/09/16 às 14h29

No passado recente os carros tinham que ser equipados com grandes motores para produzir razoável potência. Na década de 1970 motor um beberrão 2.5l gerava 80 cv e 18 kgfm de torque, mas atualmente com as novas tecnologias um 1.4 produz 153 cv e 24,5 kgfm de torque. A mágica tem nome: downsizing (encolhimento). Permite veículos mais leves e eficientes, para o bem do bolso e do meio ambiente. Um exemplo desse tendência é o Chevrolet Cruze 1.4, recém chegado ao mercado.

Chevrolet Cruze

O modelo é importado da Argentina e na atual geração está mais baixo, com as pecto musculoso e pegada esportivo. Até a antiga grade dianteira de dois andares, bastante controversa, foi trocada por uma nova, que parece uma grande boca, bem mais harmônica.

O entre-eixos cresceu 2,7cm, o que aumentou o espaço interno e deixou os joelhos de quem vai no banco de trás mais confortáveis. As colunas laterais próximas ao para-brisa ficaram mais estreitas, o que aumentou a visibilidade. Aliás, o carro inteiro perdeu peso. Uma dieta que enxugou 113 kg.

No motor, apesar da redução de cilindrada, de 1.8 da versão anterior para 1.4, tudo melhorou. A potência subiu de 144 cv para 153 cv. Porém, muito mais importante do que isso, já que a potência máxima você só usa em raras oportunidades quando o conta-giros vai ao limite, a força em médias rotações aumentou muito. No lugar dos 18,9 kgfm a 3.800 rpm, agora são 24,5 kgfm a partir de baixíssimas 2.000 rpm. O resultado é muito mais conforto ao dirigir, menos reduções de marchas e economia de combustível. A média de consumo é de 13,4 km/l dirgindo a 110 km/h na estrada.

A turbina de baixa inércia permite respostas rápidas e muita agilidade. Na estrada, há uma ligeira sobra de potência, porém com comportamento tranquilo devido ao acerto voltado para a economia de combustível. A transmissão com seis marchas é suave, inteligente nas reduções e rápida nas mudanças, mas a falta de borboletas para trocas seqüenciais no volante é imperdoável em um modelo que sugere esportividade.

Chevrolet Cruze

Mesmo vigoroso nas arrancadas e retomadas, o rodar é suave e silencioso. A suspensão traseira é do tipo semi-independente, mas com um acerto que dá impressão de ser multilink, com reações muito equilibradas e ótima aderência nas curvas.

O interior é moderno e bem acabado. Mas há alguns pecados. Os botões do volante, por exemplo, são parecidos com teclas de celulares baratos e faltam saídas de ar condicionado e tomadas USB para os passageiros traseiros.

Na frente, motorista e passaegeiro se ajeitam bem no banco e seguem com conforto. Atrás, o espaço é mais do que normalmente se tem na categoria dos sedãs compactos.Entretanto, falta espaço para bagagens. O porta-malas com 440 litros é o menor entre os concorrentes diretos.

O sistema de controle automático da velocidade de cruzeiro é um item elogiável, mas falta ação adaptativa para manter automaticamente a distância de veículos lentos à frente.

O assistente de manutenção de faixa consegue enxergar a pista por meio de uma câmera na parte superior do para-brisas e aciona alerta sonoro, assim como realiza pequenas correções na trajetória ao perceber eventual saída involuntária da faixa de rolamento.

O alerta de colisão frontal pisca luzes sobre o painel e aciona alarme sonoro em caso de aproximação perigosa em relação ao veículo da frente, mas não é tão completo como em outros veículos que além de anunciar o perigo freia para você.

O alerta de pontos cegos informa da aproximação traseira de outros veículos por meio de luzes nos retrovisores, para que você não resolva mudar de faixa em momento inadequado.

Chevrolet Cruze

O sistema auxiliar de estacionamento, baseado em radares instalados ao redor da carroceria, analisa se o veiculo cabe em determinada vaga e cuida do volante durante a manobra, enquanto você só terá que se preocupar com acelerar e frear conforme as instruções do painel, tanto em vagas paralelas quanto perpendiculares. O farol alto inteligente comuta automaticamente o facho baixo quando vem alguém em sentido contrário, depois volta para o alto. No console central tem um nicho dotado de sistema de indução, para carregar celulares compatíveis sem precisar conectar nenhum fio.

O sistema OnStar da Chevrolet vai além do viva-voz ou dos sistemas de infotenimento dos concorrentes. Além da função de segurança, que atende aos seus pedidos de socorro e até envia resgate automaticamente em caso de indícios de colisão, age como se fosse uma secretária 24 horas por dia ao seu dispor.

Ao toque de um botão, um atendente humano (não é gravação) entra em conversação por meio de um sistema de telefonia embutido no carro e pode fazer reservas em hotéis, informar sobre notícias ou enviar qualquer rota para o GPS do veículo. Outras funções podem ser acionadas por aplicativo no celular, como limite de velocidade e raio máximo de funcionamento ao entregar o veículo para o manobrista e alerta de região de rodízio ou restrição de tráfego. Resta saber o quanto esse serviço vai custar, pois após o primeiro ano gratuito a marca não informa o preço da anuidade.

O sistema multimídia, além de incorporar som HiFi, câmera de ré e GPS, permite conexão com o celular para utilizar as funções mais importantes através dos botões do volante, sem ter que manusear o aparelho. Outras modernidades são: chave presencial, controles eletrônicos de tração e estabilidade, direção elétrica, monitoramento da pressão dos pneus e start/stop do motor.

O QUE É
Sedã compacto de quatro portas para cinco ocupantes, com características de cupê pela caída contínua da carroceria desde o teto até próximo do final da tampa traseira.

ONDE É FEITO
Importado da Argentina.

QUANTO CUSTA
A versão testada LTZ parte de R$ 96.990 e, com pintura metálica e um pacote que inclui a maioria dos recursos mais modernos, como controle de tração e estabilidade, assistente de partida em aclive, alerta de colisão frontal, alerta de ponto cego e assistente de permanência na faixa, entre outros, chega aos R$ 109 mil.

COM QUEM CONCORRE
Embora diferenças sejam significativas, os principais concorrentes em suas versões mais completas são: Honda Civic Touring (nova geração com motor turbo) R$ 124,9 mil; Toyota Corolla Altis R$105,5 mil; e Nissan Sentra 2.0 SL R$ 98,9 mil.

COMO ANDA
Motor 1.8 turbo flex, com entrega de 153 cv de potência e torque de 24,5 kgfm já disponível a partir das 2.000 rpm. Velocidade máxima de 214 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos. Muito mais rápido que o modelo anterior, que precisava de 11,2 segundos para tal.

TRANSMISSÃO
Automática de seis marchas, sem borboletas para trocas sequenciais no volante.

COMO BEBE
Na cidade, média combinada de 8,8 km/l. Na estrada fez 13,4 km/l.

SEGURANCA
Conta com airbags complementares laterais para motorista e acompanhante e proteção por cortina para as cabeças de todos. Em ensaio americano de um modelo melhor equipado, com airbags laterais traseiros e para os joelhos do motorista e acompanhante, o Cruze 2017 recebeu nota máxima em crash test da IIHS – Insurance Institute for Highway Safety.

Chevrolet Cruze
Foto Chevrolet | Divulgação
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