Corolla Cross: afinal, o nome herdado do sedã mais ajuda ou atrapalha?

As críticas que o lançamento da Toyota recebeu são culpa do projeto do SUV ou do excesso de expectativa que veio com o batismo?

1 toyota corolla cross flex 2022
O Corolla Cross traz o nome do sedã, mas será ele tão parecido assim com o irmão mais velho? (foto: Toyota | Divulgação)
Por Zeca Chaves
Publicado em 26/03/2021 às 13h50

Quando o mercado descobriu que a Toyota lançaria o Corolla Cross, foi um alvoroço: se o sedã já era um êxito comercial, imagine o que seria sua versão SUV, a configuração mais desejada pelo consumidor brasileiro? E não é que ele acabou de chegar e está longe de ser a unanimidade do velho Corolla?

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Não pretendo fazer mais uma análise técnica para se juntar às dezenas feitas na internet, mas precisamos entender por que o SUV não recebeu nas avaliações da imprensa especializada a chuva de elogios que todos esperavam.

A pergunta que fica é: essa decepção de parte da mídia se deve ao projeto do SUV, que estaria abaixo do que a média do segmento proporciona, ou à expectativa dos avaliadores, que estaria acima do que esse SUV deveria oferecer?

Por que tantas críticas ao Corolla Cross?

Antes de chegar à resposta, vamos conhecer as principais reclamações de quem dirigiu o carro. As mais recorrentes que eu encontrei foram: acabamento simples demais para um veículo a partir de R$ 139.990, baixa altura em relação ao solo para um SUV (16,1 cm, apenas 1,3 cm mais alto que o Corolla), suspensão traseira de eixo de torção (o sedã tem multilink), porta-malas menor que o do Corolla (30 litros a menos, num total de 440) e um anacrônico freio de estacionamento de pedal, em vez da alavanca entre os bancos ou de um sistema elétrico.

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Porta-malas do Corolla Cross é 30 litros menor do que o do sedã

Percebeu que a maioria das críticas surge na comparação com o irmão sedã? O acabamento é equivalente ao VW T-Cross, a altura livre do solo é superior à do Chevrolet Tracker (15,7 cm), o tipo de suspensão é igual ao de Honda HR-V e Hyundai Creta, e o porta-malas é maior que o de Jeep Compass (410 litros), Nissan Kicks (432) e HR-V (437). E o pedal de freio? Bem, aí não tem argumento que salve…

Ficou claro, portanto, que o Corolla Cross está sob fogo cruzado principalmente pelo nome que escolheu. Em vez de usar uma denominação própria para marcar a diferença entre sedã e SUV (como Polo/T-Cross ou Onix/Tracker), a Toyota optou por acrescentar apenas um Cross ao bem conhecido Corolla.

Vale a pena pagar R$ 20 mil mais pelo Corolla Cross em relação ao sedã? Boris Feldman opina em vídeo!

Promessa é dívida

Adotar um nome ilustre, com reputação consagrada na boca do povo, é ao mesmo tempo um bônus e um ônus. Por um lado, vai sugerir ao público que o novato carrega todas as qualidades do nome pioneiro; por outro, cria uma promessa que o recém-chegado terá de cumprir.

Sejamos justos: a Toyota não foi a primeira marca a usar esse artifício de marketing. E posso quase jurar que as outras que o fizeram apanharam mais. A Mitsubishi resgatou o nome de um cupê esportivo aclamado nos anos 90 e acrescentou o Cross para batizar o seu atual SUV, o Eclipse Cross, e só ouviu reclamações. Afinal, um não tinha nada a ver com o outro.

A Ford tem sofrido rejeição semelhante com o SUV elétrico Mustang Mach-E, tentando forçar uma ligação esportiva com o icônico muscle car célebre por seu motor V8, nascido em 1964 e que existe até hoje. A Volkswagen sofreu críticas quando modernizou o Fusca/Beetle, que estava longe da simplicidade e do baixo custo que imortalizou a primeira geração.

mustang mach e e mustang coupe lado a lado de frente
Mustang de um lado, Mustang Mach-E do outro: dá para dizer que compartilham a mesma proposta?

Então quer dizer que a Toyota errou ao recorrer ao sedã para registrar a certidão de nascimento do SUV? O que eu posso garantir é que os jornalistas especializados não são o público-alvo do Corolla Cross. Para falar a verdade, a maioria não gosta de SUV. Se fosse por eles, Toyota Hilux, VW Gol e Jeep Renegade nunca teriam chegado à liderança de seus segmentos, pois esse trio vivia perdendo nos testes comparativos.

O primeiro indício de como será o futuro do Corolla Cross está na sua demanda inicial. A previsão de vendas era de 3,5 mil unidades por mês e a Toyota já registrou 4 mil encomendas confirmadas via internet – e ele ainda nem está nas lojas. Desse total, mais de 40% são da versão híbrida, mais cara (começa em R$ 172.990), enquanto no sedã a taxa é perto de 30%, segundo números da Toyota.

Teste da vida real

Quer dizer que o público já deu seu aval e o triunfo do Corolla Cross está garantido? Quase. Precisamos lembrar de duas coisas: 1) no lançamento de um modelo totalmente novo, é comum as versões mais sofisticadas venderem melhor no início; 2) quase ninguém viu o carro de perto nem teve a oportunidade de dirigi-lo.

A interação com o veículo na vida real pode corroborar seu sucesso ou causar uma decepção no primeiro contato, como ocorreu com o Renault Kwid, que surpreendeu muita gente que foi levada à loja esperando um SUV e encontrou um hatch bem compacto.

Na minha avaliação, a Toyota fez as concessões certas para cortar custos a ponto de entregar um conjunto técnico muito bem acertado e eficiente, embalado pela reputação de confiabilidade da marca a um preço competitivo em relação aos concorrentes. Mas só o público-alvo vai poder validar essa tese e não eu, um mero jornalista especializado que não é fã de SUVs.

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9 Comentários
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Wal Santos 24 de agosto de 2021

Pelo que vejo, a tendência (a não ser que mude, novamente, nos próximos anos) é que os carros cresçam cada vez mais. O hatch pequeno não está sendo mais tão desejado, então lançam um “SUV” compacto na mesma base do hatch (olha aí Fiat Pulse, VW Nivus… O mesmo dos hatchs médios, peruas, esportivos e até alguns sedãs, que estão cedendo lugar aos SUV’s com a mesma plataforma. Muda-se apenas o status do carro, mas no fim é o mesmo carro de qual derivam, em tese, com tamanho maior.

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Robson Lima 18 de abril de 2021

Discordo totalmente de seu comentário , tenho um
Cross 2.0 XRE e o carro anda muito bem levando em consideração sua primeira marcha que usa engrenagem como se fosse câmbio mecânico não havendo aquele delay do CVT e suas nove demais marchas já entram como simuladas do CVT ,, na cidade está fazendo 12.5 por litro na gasolina e na estrada 15.7 e sinceramente acho esse consumo bem honesto , vi em outro comentário seu dizendo sobre a suspensão traseira ser igual e de um golzinho e essa suspensão traseira em eixo de torção não influi em nada no carro porque em curvas a frente nem sai de lado levando em consideração que a manutenção de uma multilink é bem cara , qnt ao acabamento do carro é muito bem acabado e sem rebarbas e pelo menos o meu possui os bancos em couro sintético com costuras bem acabadas também , faça um teste drive em uma estrada e depois de uma opinião mais concreta .

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Marcelo 26 de março de 2021

Zeca, parabéns pela análise mais racional que eu li até agora sobre o Cross! Eu também não gosto de SUVs, acho que todas essas características técnicas inferiores aos do sedã são uma sacanagem, mas você disse o mais importante: nada disso importa para o consumidor alvo da Toyota! Exceto, talvez, esse freio de estacionamento ridículo, mas, provavelmente, isso será relevado no momento da compra. Acredito que ele só não será líder do seu segmento porque a maioria das vendas do Jeep são diretas (se eu não me engano chegam perto de 70% das vendas), e eu vi que a montadora e as concessionárias dão descontos substanciais no Compass. Na prática, o ticket-médio do Compass é bem inferior ao preço de tabela da Jeep.

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Comentarista 26 de março de 2021

⚠️ Ter um carro custa muito caro, dá trabalho, preocupação e até estresse: é o combustível caro, IPVA caro, seguro caro, a manutenção sai cara,  financiamento é caro, tem a depreciação do carro, gastos com estacionamento, o trânsito é  estressante, tem as multas, o licenciamento, seguro obrigatório, pedágio, medo de assaltos, o trabalho pra lavar, secar, limpar, passar aspirador, encerar, polir,  calibrar os pneus toda semana, a preocupação com a manutenção e com a forma de dirigir para economizar combustível, tem o estresse com os motoristas barbeiros e com os motoqueiros  que buzinam e xingam por qualquer coisa…  Ufa! Melhor não ter carro. Kkk Viajar de Uber é bem melhor, é outra vida.

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Fernando 27 de março de 2021

Típico comentário de quem nunca teve que sair correndo para o hospital à 1 da manhã com o filho ardendo em febre que não baixava. Ter carro é ter independência. Não precisa ser um zero km, basta ser um carro. O restante é saber cuidar

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Nato 28 de março de 2021

Concordo. Tenho um amigo adepto do Uber que começou a mudar de ideia agora que virou pai e já tá procurando um carro pra comprar. Já no meu caso, tenho um Sandero 1.6 2009 que atende bem nossa necessidade e uma moto popular pra eu não ficar refém do trânsito de São Paulo durante a semana. Isso faz com que o carro rode poucos km/ano e eu pretendo ficar com ele por um bom tempo.

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Falcão Peregrino 26 de março de 2021

Tu desbancou o Etios, não é mesmo danadinho.
Pois não te quero.
Quanto ao pedal do freio de estacionamento, lembrei da picape Willys, ano 1975 adquirida pela empresa onde trabalhava. Já era Ford e se chamava F-75.
Pedala véio!

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Samarone 26 de março de 2021

Todos os SUVs derivados são dinamicamente inferiores aos carros que os originaram, custam o mesmo para produzir, e são vendidos bem mais caros, é claro que as fabricas vão aproveitar isso, ainda mais no Brasil que o consumidor não tem opinião própria.
Esse Corolla Cross usa muito bem essa receita ao utilizar o nome “Corolla”, a maioria vai comprar pela fama do nome.

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Carlos 26 de março de 2021

Já temos carroças demais!

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