Correia dentada: se não trocar na hora certa pode perder o motor

O componente tem a importante função de sincronizar o comando de válvulas ao virabrequim, a negligencia pode causar estragos grandes

shutterstock correia dentada em motor com duplo comando de valvulas
O manual diz quando trocar, mas as condições podem acelerar o desgaste (Foto: Shutterstock)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 16/04/2024 às 19h02
Atualizado em 30/04/2024 às 12h00

Apesar dos avanços nos motores a combustão interna, a correia dentada ainda é muito comum nos carros modernos. Ela apareceu pela primeira vez no Brasil no Chevrolet Chevette, em 1973, e ainda é preferência nos projetos europeus.

Suas principais vantagens quando comparada com a corrente metálica é ter funcionamento mais silencioso e ter menos perdas mecânicas. Em tempos onde as montadoras buscam a maior eficiência possível, qualquer ganho nisso é considerável.

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A desvantagem fica na durabilidade: a correia dentada exige trocas periódicas, enquanto a corrente pode durar centenas de milhares de quilômetros. Isso não é preocupação caso o motorista tome os devidos cuidados e não seja negligente com esse componente.

Qual é a função da correia dentada?

chevrolet chevette azul foto em corte
O primeiro carro no Brasil com correia dentada foi o Chevette (Foto: Chevrolet | Divulgação)

A correia dentada trabalha para fazer o sincronismo do virabrequim do com o comando de válvulas. O motor a combustão trabalha com precisão, quase como um relógio, onde as válvulas devem abrir na hora certa enquanto os pistões sobem e descem.

Em motores de concepção antiga, o comando de válvulas fica no bloco e o sincronismo era feito por engrenagens ligando essa peça diretamente ao virabrequim. Com o comando subindo para o cabeçote, a solução foi uma corrente similar a usada por bicicletas.

Nos anos 60 apareceram as correias dentadas, primeiro em um motor da alemã Glas. Essa solução se popularizou em 1966, quando a Pontiac adotou em seu seis cilindros em linha OHC e a Fiat com o quatro cilindros Lampredi — motor que foi usado no Brasil pelo Tempra.

No Brasil a correia dentada estreou em 1973 com o Chevrolet Chevette. Ela se popularizou mais tarde com os motores refrigerado a água da Volkswagen, o motor Fiasa da Fiat e o Família II do Monza.

Motor com correia dentada é bomba?

Muitos compradores torcem o nariz para os motores que usam esse componente no sincronismo. A justificativa fica no medo dela arrebentar e causar danos grandes. Ou no simples fato da troca ser periódica, enquanto a corrente dura mais.

Apesar de existir esses preconceitos, a correia dentada é algo já testado e aprovado. Sua manutenção é simples, como veremos a seguir. Consultamos o engenheiro mecânico Renato Passos para esclarecer:

Correia dentada não é problema. Entretanto, frente a todos os meios existentes para comandar a abertura e fechamento de válvulas, é o que demanda maior atenção em termos de manutenção e o menos susceptível a erros.

Quando é preciso trocar a correia dentada

Existem componentes de um carro cuja troca não pode ser planejada com uma quilometragem exata, pois o desgaste depende de outros fatores. A correia dentada costuma ter um prazo para a troca no manual, variando entre 40 e 60 mil km.

No plano de manutenção costuma ter um aviso sobre o uso severo ou em vias com muita poeira. Outro fator que pode encurtar a vida da correia dentada é o tempo.

O que desgasta a correia dentada

volkswagen amarok single cab se prata dianteira parada
A poeira pode acelerar o desgaste da correia, a VW Amarok teve que fazer um recall por não proteger corretamente (Foto: Volkswagen | Divulgação)

A troca da correia dentada pode ser adiantada caso o carro rode muito por vias poeirentas. Isso foi até motivo para o recall no motor 2.0 diesel da Volkswagen Amarok, que não havia uma proteção adequadas contra isso.

Outro elemento que acelera o desgaste é o minério. Isso é um problema maior em Minas Gerais, onde estradas importantes são compartilhadas entre os caminhões de mineradoras e carros de passeio.

Por fim, existe a ação do tempo. Como todo componente que usa borracha, a correia dentada pode se degradar mesmo se o carro for pouco usado. É por isso que sua troca é indicada após a compra de um carro usado que ficou muito tempo parado.

Como saber quando a correia dentada está ruim?

Se não quiser esperar a quilometragem recomendada para trocar, existem formas de detectar o desgaste na correia dentada. Como ela cuida do sincronismo, conforme vai afrouxando pode alterar o sincronismo das válvulas e, com isso, aumentar o consumo de combustível.

Essa falta de sincronismo pode gerar trancos nas trocas de marchas, perda de desempenho e vibrações excessivas.

Um sintoma de que a correia precisa ser trocada logo é quando ela emite um som alto, como se algo estivesse arranhado. Esse barulho é fácil de ser detectado durante a partida.

Se não trocar, pode perder todo o motor

shutterstock motor de quatro cilindros sem cabecote
Fora de sincronia, as válvulas podem se chocar com os pistões caso a correia arrebente (Foto: Shutterstock)

Conforme já falamos, a sincronia do motor precisa ser precisa. Existem peças se movimentando em diversos sentidos. Caso a correia dentada se rompa, os pistões irão se chocar com as válvulas.

O conserto caso isso ocorra sai caro, pois além de trocar as peças, é preciso abrir o motor. Os periféricos que são tocados por essa correia também precisam ser checados.

O que é necessário trocar junto com a correia dentada

Quando chega a hora de substituir a correia dentada, ela não é trocada sozinha. Caso haja necessidade, é preciso substituir junto os tensores e a bomba d’água.

Sobre os tensores, não é regra trocar sempre junto da correia. Os de melhor qualidade podem durar mais que a correia, precisando apenas de uma regulagem.

Porém, mal não faz trocar tudo junto, já que os tensores são baratos e costuma vir em um kit com a correia.

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14 Comentários
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Yitaka 30 de abril de 2024

Os veiculos no japao tem uma etiqueta no motor indicando trocar a correia do comando de valvulas seca aos 100.000 km!

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ELZE FILHO 18 de abril de 2024

Em 32 anos em que tenho veículos, tive 1 gol, 1 logus, 1 polo, 2 blazer e 5 camionetes S10 e todos com correia dentada e nenhum dos veículos me deixaram na mão por problemas na correia dentada. O segredo de ter um veículo sem ter dor de cabeça, é a manutenção periódica, e quando for fazer uma viagem mais longa, também faça uma manutenção preventiva porque imprevistos podem acontecer e é melhor prevenir do que remediar.

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HAF 28 de abril de 2024

Amigo, o fato do motor usar correia é sempre um fator de preocupação a mais…. é o problema de não poder bater óleo na hora da troca sob o risco de avaria da correia,… é o problema da poeira ressecar, é o risco de comprar correias de baixa qualidade do mercado paralelo, e ainda o problema da mão de obra não qualificada que deixa o motor fora de tempo soltando aqueles ‘pipocos’, pois o sincronismo está fora do tempo dos pistões…. ou seja… motor com corrente de comando no lugar da correia de borracha ainda é muito mais vantagem! Abraço

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Auvard 18 de abril de 2024

Eu posso ser porco, mas não compro carro com correia dentada de jeito nenhum. Aliás eu não quero nem de graça. Eu falei com um motorista de aplicativo ele me disse: está repreendido.

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Roger 18 de abril de 2024

Porco o baralho! As pessoas ja tem muito o que se preocupar com um carro. Correia dentada só gera transtornos.

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Paulo teixeira 18 de abril de 2024

Usei 2 hilux, 2002 e 2012 e as duas rodaram 560 mil km e nao quebrou nem uma peça, sera q comprei uma treceira, tenho uma 2023.

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Paulo Kalsing 17 de abril de 2024

Porco é o engenheiro de uma montadora como a Ford prometer que a correia cai ate 160.000 km e nao dira 60.000

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Luís Carlos 20 de abril de 2024

Nas mãos de um proprietário descuidado, não vou ofender o porco gratuitamente, pode durar até menos. Os dois que tive desde zero duraram muito mais que 60.000 Km com as devidas manutenções em dia.

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Washington Batista de Moura 17 de abril de 2024

As minhas correias são compradas na autorizada e instaladas fora, por um mecânico de minha confiança.

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Ronaldo Costa 17 de abril de 2024

Eu tenho medo pois tive grande prejuízo com tal componente rompido em um Monza nos anos 1990 com menos de 50000Km de uso. Hoje só compro carro com corrente de comando e me recuso sequer a usar carro com correia. Quem quiser que corra o risco, mas emjambres como CVTeco, Câmbio automatizado, motor tricilindrico e correia de comando eu deixo para os que amam ficar a pé em estradas desertas.

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Diego 21 de abril de 2024

Sempre troco com 40 mil.

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Jose dos santos alvez 17 de abril de 2024

A Ford e outras montadoras ja mostraram que correia dentada é retrocesso.. se todos os carros saíssem com corrente no comando, o consumidor ia sair beneficiado, o que consequentemente ia ser um custo a menos …mas
Continuem confiando nas suas montadoras de confiança …
A própia hoje já adotou esse conceito de carro descartavel…
Teiste…
.

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Jeziel 17 de abril de 2024

Fala isso a um proprietário de um Sandero com motor k4m que com apenas 8.000km de kit de correia trocada, a mesma se rompeu e empenou 8 válvulas. Resultado, outro cabeçote e muitos transtornos. Tenha a certeza, não sou um proprietário porco, pelo contrário, nem a própria ccs não seguia os manuais de serviço e procurei outro lugar pra fazer serviços em meu carro.

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Gustavo Lima 17 de abril de 2024

O brasileiro ama carro, mais acha que é só colocar combustível e andar para sempre ! Carro necessita de manutenção preventiva. Depois não adianta falar que o carro não presta. E aos mecânicos uma dica, se atualizem, pois cada vez mais os carros pedem conhecimento atual, muita coisa que você mecânico fazia no fusca não pode fazer hoje em dia nem em carros de entrada, pois até esses tem mudado ao longo dos anos. Chave de fenda é marreta e para consertar fusca !

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