Conflitos no Oriente Médio impedem o escoamento de matérias-primas derivadas do petróleo e causam escassez de produtos no mundo
Na última semana, as montadoras japonesas Toyota e Nissan começaram a preparar suas redes de concessionárias nos Estados Unidos para um cenário de escassez de óleo lubrificante. Isso acontece devido às restrições globais no fornecimento de matérias-primas e insumos de refino de petróleo em razão dos conflitos que acontecem no Oriente Médio, que impactam diretamente a logística e a cadeia de suprimentos.
O cenário mundial acende um alerta vermelho, já que as marcas apontam não apenas a iminência de um racionamento rigoroso, mas também um inevitável repasse de aumentos de preços nos serviços de manutenção automotiva. Com essa notícia vem também a dúvida: essa falta de óleo vai afetar o Brasil?
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O Estreito de Ormuz, uma via marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã que é ponto estratégico na rota comercial do petróleo, seus subprodutos e outras commodities importantes, está fechado desde o fim de fevereiro. Com isso, navios-tanque que transportam esses insumos estão parados na região há meses aguardando a liberação da passagem.
A maioria dos navios que partiram antes do bloqueio do estreito já chegaram ao seu destino e a partir dos próximos meses a escassez se tornará cada vez mais real. E quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será o impacto na oferta de produtos derivados do petróleo, como os óleos lubrificantes.
Na última quarta-feira (20), três superpetroleiros iniciaram o trajeto para cruzar o Estreito de Ormuz com 6 milhões de barris, depois de mais de dois meses parados. No entanto, os navios ainda representam uma parcela pequena das embarcações que passam pelo local e enfrentam alto risco devido a ataques recentes na região, congestionamento imprevisível e ameaças de drones e minas.
A expectativa é que a pressão internacional pelo abastecimento resulte em um acordo entre EUA e Irã em breve. Até o momento de elaboração desta reportagem, as restrições de passagem em Ormuz continuam e o tráfego permanece muito reduzido.
De acordo com Roberta Teixeira, diretora de Lubrificantes da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), o mercado brasileiro está alerta e acompanha com atenção o cenário internacional. Isso acontece pois a maior parte das bases e dos insumos usados em lubrificantes modernos é importada, logo, depende da oferta de matérias-primas que estão ‘presas’ devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
A diretora da área de lubrificantes da SAE afirma que:
O momento pede monitoramento da cadeia, planejamento e diálogo entre fornecedores, fabricantes, distribuidores e montadoras. Mesmo que não haja falta de produto no Brasil, é possível que o mercado sinta alguns reflexos indiretos, principalmente em custos e prazos logísticos. Esse impacto tende a variar conforme o tipo de produto e a dependência de insumos importados.”
Victor Taira, Diretor Comercial e sócio da Karter Lubrificantes, afirma que o Brasil já sente reflexos desse cenário global e que a principal consequência está ligada ao aumento dos custos de óleos básicos, aditivos e componentes importados. Além disso, outros desafios são: a volatilidade logística e a necessidade de maior previsibilidade na cadeia de suprimentos.
Há casos de empresas que precisaram realizar ajustes operacionais e até paralisações temporárias em determinadas linhas de óleo lubrificante por questões ligadas ao abastecimento e aos custos internacionais, segundo o executivo da Karter. O diretor comercial pontua que os impactos não são uniformes entre os distribuidores, pois podem depender mais ou menos da importação de matéria-prima.
A Karter, segue com as operações normais e empresas que comercializam lubrificantes, como Jair Óleos e MercadoCar também estão com os produtos em estoque, pelo menos por enquanto. Victor Taira reforça que com o cenário geopolítico atual é preciso intensificar o relacionamento com fornecedores, parceiros estratégicos e distribuidores para preservar a continuidade do abastecimento e minimizar os impactos da crise energética.
A gravidade da situação no país se materializou quando a Nissan confirmou a veracidade de um documento interno vazado, embora a marca tenha ressaltado que o material era preliminar e ainda não havia sido distribuído oficialmente aos lojistas. A fabricante afirmou que o setor automotivo enfrenta restrições globais severas no fornecimento de matérias-primas e insumos de refino.
As medidas preventivas desenhadas são drásticas: o rascunho do boletim da Nissan previa limitar o fornecimento do óleo genuíno da marca, incluindo as variantes fabricadas em parceria com a Mobil. A quantidade será reduzida para apenas 55% do volume adquirido por cada concessionária no ano anterior.
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