Crise mundial de falta de óleo lubrificante vai atingir o Brasil? Entenda

Conflitos no Oriente Médio impedem o escoamento de matérias-primas derivadas do petróleo e causam escassez de produtos no mundo

shutterstock motor sendo abastecido com oleo lubrificante
Mercado de óleo lubrificante no Brasil é dependente da importação dos produtos. (Foto: Shutterstock | AutoPapo)
Por Julia Vargas
Publicado em 24/05/2026 às 13h00

Na última semana, as montadoras japonesas Toyota e Nissan começaram a preparar suas redes de concessionárias nos Estados Unidos para um cenário de escassez de óleo lubrificante. Isso acontece devido às restrições globais no fornecimento de matérias-primas e insumos de refino de petróleo em razão dos conflitos que acontecem no Oriente Médio, que impactam diretamente a logística e a cadeia de suprimentos.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!

O cenário mundial acende um alerta vermelho, já que as marcas apontam não apenas a iminência de um racionamento rigoroso, mas também um inevitável repasse de aumentos de preços nos serviços de manutenção automotiva. Com essa notícia vem também a dúvida: essa falta de óleo vai afetar o Brasil?

VEJA TAMBÉM:

Guerra no Oriente Médio gera escassez mundial com alertas para crise energética

O Estreito de Ormuz, uma via marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã que é ponto estratégico na rota comercial do petróleo, seus subprodutos e outras commodities importantes, está fechado desde o fim de fevereiro. Com isso, navios-tanque que transportam esses insumos estão parados na região há meses aguardando a liberação da passagem.

A maioria dos navios que partiram antes do bloqueio do estreito já chegaram ao seu destino e a partir dos próximos meses a escassez se tornará cada vez mais real. E quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será o impacto na oferta de produtos derivados do petróleo, como os óleos lubrificantes.

Na última quarta-feira (20), três superpetroleiros iniciaram o trajeto para cruzar o Estreito de Ormuz com 6 milhões de barris, depois de mais de dois meses parados. No entanto, os navios ainda representam uma parcela pequena das embarcações que passam pelo local e enfrentam alto risco devido a ataques recentes na região, congestionamento imprevisível e ameaças de drones e minas.

A expectativa é que a pressão internacional pelo abastecimento resulte em um acordo entre EUA e Irã em breve. Até o momento de elaboração desta reportagem, as restrições de passagem em Ormuz continuam e o tráfego permanece muito reduzido.

Crise dos óleos lubrificantes e outros derivados do petróleo já afeta o Brasil

De acordo com Roberta Teixeira, diretora de Lubrificantes da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), o mercado brasileiro está alerta e acompanha com atenção o cenário internacional. Isso acontece pois a maior parte das bases e dos insumos usados em lubrificantes modernos é importada, logo, depende da oferta de matérias-primas que estão ‘presas’ devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

A diretora da área de lubrificantes da SAE afirma que:

O momento pede monitoramento da cadeia, planejamento e diálogo entre fornecedores, fabricantes, distribuidores e montadoras. Mesmo que não haja falta de produto no Brasil, é possível que o mercado sinta alguns reflexos indiretos, principalmente em custos e prazos logísticos. Esse impacto tende a variar conforme o tipo de produto e a dependência de insumos importados.”

Principais impactos são o aumento de custos de dificuldade logística

Victor Taira, Diretor Comercial e sócio da Karter Lubrificantes, afirma que o Brasil já sente reflexos desse cenário global e que a principal consequência está ligada ao aumento dos custos de óleos básicos, aditivos e componentes importados. Além disso, outros desafios são: a volatilidade logística e a necessidade de maior previsibilidade na cadeia de suprimentos.

Há casos de empresas que precisaram realizar ajustes operacionais e até paralisações temporárias em determinadas linhas de óleo lubrificante por questões ligadas ao abastecimento e aos custos internacionais, segundo o executivo da Karter. O diretor comercial pontua que os impactos não são uniformes entre os distribuidores, pois podem depender mais ou menos da importação de matéria-prima.

A Karter, segue com as operações normais e empresas que comercializam lubrificantes, como Jair Óleos e MercadoCar também estão com os produtos em estoque, pelo menos por enquanto. Victor Taira reforça que com o cenário geopolítico atual é preciso intensificar o relacionamento com fornecedores, parceiros estratégicos e distribuidores para preservar a continuidade do abastecimento e minimizar os impactos da crise energética.

Nissan pretende racionar fornecimento de óleo lubrificante às concessionárias nos EUA

A gravidade da situação no país se materializou quando a Nissan confirmou a veracidade de um documento interno vazado, embora a marca tenha ressaltado que o material era preliminar e ainda não havia sido distribuído oficialmente aos lojistas. A fabricante afirmou que o setor automotivo enfrenta restrições globais severas no fornecimento de matérias-primas e insumos de refino.

As medidas preventivas desenhadas são drásticas: o rascunho do boletim da Nissan previa limitar o fornecimento do óleo genuíno da marca, incluindo as variantes fabricadas em parceria com a Mobil. A quantidade será reduzida para apenas 55% do volume adquirido por cada concessionária no ano anterior.

Newsletter
Receba diariamente notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo.

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
4 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
WARLESSON 27 de maio de 2026

NO ESTADO DO TOCANTINS, ONDE ATUO NO MOMENTO, JÁ FORAM 3 AUMENTOS SIGNIFICATIVOS, E ATÉ O FINAL DESTA SEMANA, NA VIRADA DO MÊS, AS DISTRIBUIDORAS LOCAIS JÁ INFORMARAM QUE SOFRERÃO REAJUSTE PARA CIMA, INFELIZMENTE QUEM PAGA A CONTA SE É INDÚSTRIA OU O CLIENTE DO DIA A DIA, SERÁ O CONSUMIDOR FINAL.

Avatar
Reynaldo 25 de maio de 2026

E, infelizmente, não baixará. Somos os palhaços nesse circo.

Avatar
Reynaldo 25 de maio de 2026

Pelo que sei o impacto é somente no valor do frete, pois os navios tem que dar a volta ao mundo para chegar no ocidente. Mas como tudo é motivo para aumentar preços, nada mais me surpreende, ainda não engoli a história dos componentes eletronicos durante a pandemia que só serviu para jogar o preço dos carros lá nas nuvens.

Avatar
Luis 25 de maio de 2026

E com a normalização, os preços não baixaram. Pelo contrário.

Avatar
Deixe um comentário