Duas mulheres e um segredo

Linda Jackson, CEO mundial da Citroën, e Ana Theresa Borsari, diretora geral da PSA, estão dedicadas a um plano de recuperação que já trouxe resultados

Por Boris Feldman17/01/19 às 17h30

O Citroën C4 Cactus, lançado no Brasil em outubro do ano passado, representa muito mais que um novo modelo: a marca francesa pretende fazer dele um divisor de águas para restaurar sua imagem meio cambaleante no país. No ano passado, por exemplo, enquanto a produção de automóveis no Brasil cresceu 13%, a Citroën caiu 15% em relação a 2017. Quem aposta todas suas fichas no Cactus são duas executivas da empresa: Linda Jackson, CEO mundial da marca e Ana Theresa Borsari, diretora geral da PSA (holding Peugeot e Citroën) no Brasil.

Plano de recuperação da Citroën no Brasil é capitaneado pelo sucesso comercial do C4 Cactus
Linda Jackson (à esquerda) e Ana Theresa Borsari (à direita): elas são discretas, mas não escondem o otimismo em relação ao sucesso de seus planos para a Citroën no Brasil

Linda é inglesa de Coventry, tem 60 anos, entrou para o setor em 1977 na Jaguar e depois na MG Rover. Mudou-se para Paris em 1998 para assumir a Rover na França. Em 1998 assumiu a diretoria financeira da Citroën francesa, mas voltou para seu país em 2005 para chefiar a subsidiaria inglesa da marca. Em 2014 foi chamada de volta à França para se tornar a primeira mulher no mundo como CEO de uma multinacional do setor. E foi considerada, logo depois, a mais importante executiva feminina na indústria automobilística mundial.

Ana Theresa é paulista, tem 48 anos e se formou como advogada pela USP. Entrou para a Peugeot do Brasil em 1995 onde assumiu vários postos até se mudar para a França, onde comandou a diretoria comercial do sul da Europa. Foi então para a Eslovênia assumir a diretoria geral da Peugeot no país até retornar para o Brasil em 2015 para comandar as operações locais da marca. No início do ano passado tornou-se diretora geral da PSA, responsável pelas marcas Peugeot e Citroën no Brasil.

100 anos

A Citroën sempre se destacou pela ousadia mecânica e de design. Assombrou o mundo em 1934 com o primeiro automóvel produzindo em série com tração dianteira, o “11 Legere”. Seu sucessor foi o arrojado DS lançado em 1955, com suspensão hidropneumática. A DS virou recentemente a marca de luxo da PSA.

A Citroën torna-se uma marca centenária em junho deste ano, registrando a produção acumulada de 50 milhões de unidades no mundo. Ultrapassou em 2017 a marca de um milhão de carros produzidos mas quer atingir a 1,6 milhão em 2020.

A versão brasileira é a segunda geração do Cactus e tem algumas diferenças em relação ao francês, entre elas alguns recursos de design e mecânicos para torná-lo mais um SUV que um hatchback. Deu certo: em seus primeiros três meses (outubro a dezembro de 2018), o Cactus vendeu mais que a soma dos outros três modelos da Citroën no Brasil (C3, AirCross e C4 Lounge).

Ana Theresa, numa entrevista coletiva juntamente com sua “chefe” Linda Jackson em outubro do ano passado, revelou conhecer muito bem os problemas da Citroën no Brasil. Sabe que as quedas nas vendas superiores às do mercado (de 72 mil em 2012 para 18 mil em 2017) foram provocadas principalmente pela falta de investimentos em novos modelos, na deficiência da rede de concessionários e assistência técnica. Só no ano passado, o empresário Sergio Habib (importador da marca na década de 90), ex-presidente da subsidiária brasileira, fechou suas últimas 12 lojas, alegando ser altamente deficitário mantê-las sem uma participação mínima da marca no mercado.

Mas a diretora da PSA no Brasil está dedicada a um plano de recuperação que já trouxe os primeiros resultados, com a abertura de novas concessionárias, planos de conquistar clientes e fidelização à marca. Cabe ao Cactus ser o porta-bandeira destes novos tempos da Citroën no Brasil. Ana Theresa e Linda são discretas mas não escondem seu otimismo em relação ao sucesso de seus planos para recuperar a marca no nosso mercado. O segredo para o pulo final do gato de sua espinhosa missão tem nome: Cactus…

C4 Cactus tem como missão ser um divisor de águas e restaurar a imagem da Citroën no Brasil
C4 Cactus tem como missão ser um divisor de águas para restaurar a imagem da Citroën no mercado nacional

Fotos Citroën | Divulgação

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4 Comentários
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    SAMUEL MARINHO COSTA 23 de abril de 2019

    Tenho um C4 Cactus Shine, o carro é excelente! Na minha opinião, falta mais divulgação pra ele arrebentar de vez no mercado…. Coloca pelo menos um comercial na TV!!!!

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    Carlos Sergio Iessi 5 de março de 2019

    Não sou técnico, especialista, piloto, sou apenas um motorista comum. Dirijo muito na cidade e faço viagens anuais longas, 12 horas ou mais, de férias. O carro me surpreendeu em muitos aspectos. Conforto, dirigibilidade, segurança, beleza, espaço interno. Passa confiança ao dirigir, tem potencia, estabilidade, velocidade, responde aos comandos. Faz um mês que estou com o meu e até agora não me arrependi. Avalio o carro como uma pessoa sem conhecimentos técnicos, só conhecimento de um condutor do dia a dia. ESPETACULAR…

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    Hermínio Botelho 18 de janeiro de 2019

    Esse carro parece claramente subdimensionado.

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    Ronaldo 18 de janeiro de 2019

    “Deu certo: em seus primeiros três meses (outubro a dezembro de 2018), o Cactus vendeu mais que a soma dos outros três modelos da Citroën no Brasil (C3, AirCross e C4 Lounge).”
    Oliveto já dizia -” È possível contar mentiras dizendo somente a verdade”. 1.000 unidades num período de lançamento,considerando que quase a metade foi venda direta (PCD) ; creio que não deu certo tentar vender HATCH com preço SUV , embora seja um bom produto, está mal posicionado no segmento e no preço.

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