Nesta temporada ocorreu algumas quebras de recorde na categoria que ainda não foram superados e rolou até sumiço de joias
O Grande Prêmio deste final de semana é o da China, que estreou na F1 em 2004 junto do Bahrein. Foi um ano bem marcante para a categoria e o primeiro, até então, com mais corridas fora da Europa que dentro.
Isso se tornou um padrão na categoria, com cada vez mais corridas ao redor do mundo conforme os anos passam. A expansão ajudou na popularização da categoria.

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No ano de 2004 o calendário foi reorganizado, uma das mudanças foi passar o Grand Premio do Brasil para o final do campeonato. Nas décadas anteriores o nosso país ficava no início da temporada.
O campeão foi Michael Schumacher, que conquistou seu 7º e último título na F1 em 2004. As mudanças no regulamento para o ano seguinte e a investida da Renault com Fernando Alonso quebrou essa hegemonia da Ferrari com o alemão.
O regulamento também mudou, com foco em reduzir a eletrônica dos carros que favorecia as equipes ricas. Em 2004 o controle de largada e o câmbio com trocas automáticos foi banido. O controle de tração continuou até 2008.
A FIA também implementou que o motor deveria durar todo o final de semana, as trocas seriam penalizadas fazendo o piloto perder 10 posições no grid. Hoje isso ficou ainda mais restrito, são quatro motores para toda a temporada.




No que tange os carros, o regulamento de 2004 era próximo aos anos anteriores. Eles usavam motores V10 aspirados 3.0 com potência que passava dos 900 cv no acerto de classificação. O câmbio era sequencial com seis ou sete marchas.
Esses V10 produziam uma bela sinfonia e giravam a mais de de 18 mil rpm. O carro pesava pouco mais de 600 kg, medindo 4,54 m de comprimento e 1,79 m de largura. Faz os monopostos da temporada atual parecerem caminhões.
Para muitos, incluindo este repórter que vos fala, os carros de 2004 foram os últimos a serem verdadeiramente bonitos na Fórmula 1. Em 2005 o regulamento passou a exigir algumas mudanças na aerodinâmica e os carros foram recebendo alguns apêndices duvidosos no visual.
A Ferrari F2004, que foi pilotada por Michael Schumacher e Rubens Barrichello, é considerada como o carro mais rápido da categoria. Ela mantém até hoje o recorde em quatro autódromos: Hungaroring (Hungria), Magny-Cours (França), Albert Park (Austrália) e Xangai (China), todos estabelecidos pelo piloto alemão.
O carro também foi dono do recorde de Monza (Itália), Nurburgring (Alemanha) e Gilles Villeneuve (Canadá). Os dois primeiros foram batidos em 2020 e o terceiro em 2019, demonstrando o quanto que o carro ainda é competitivo.

Voltando a China, o autódromo de Xangai era novo e foi inaugurado meses antes da corrida de F1. Ele foi desenhado por Hermann Tilke, que é criticado por fazer pistas chatas.
O autódromo de Xangai mede 5,45 km e tem uma longe reta de 1,17 km entre as curvas 13 e 14. A região onde foi construída tinha solo pantanoso e ficava longe da cidade em 2004, hoje a visão da pista já está tomada por prédios.
O recorde estabelecido por Michael Schumacher em 2004 foi de 1:32,238. Apesar de ter conseguido a volta mais rápida, o vencedor do GP foi o brasileiro Rubens Barrichello, pela segunda vez consecutiva após ficar no topo do pódio em Monza.






O Brasil é um dos países fora da Europa que mais produziu pilotos de Fórmula 1. Tivemos a nossa cota de campeões, com Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.
Na temporada de 2004 tivemos cinco brasileiros correndo, mas não ao mesmo tempo. Como piloto principal estavam Rubens Barrichello, na Ferrari, Felipe Massa, na Sauber, e Cristiano da Matta, na Toyota. Antônio Pizzonia era piloto de testes na Williams e Ricardo Zonta tinha essa posição na Toyota.
O belo-horizontino Cristiano da Matta saiu da equipe após o GP da Alemanha, após realizar muitas críticas ao carro. Em seu lugar entrou o piloto de testes Ricardo Zonta, que participou de cinco corridas e teve como melhor posição um 10º lugar na Hungria.
Já Antônio Pizzonia correu em quatro Grandes Prêmios em 2004. Ele substituiu o espanhol Marc Gené, que por sua vez estava correndo com o carro do lesionado Ralf Schumacher.
Pizzonia chegou em 7ºem três corridas e abandonou uma, conquistando mais pontos que Cristiano da Matta que correu em mais da metade da temporada. Ele também conquistou o recorde de maior velocidade atingida por um carro de Fórmula 1, chegando a 369.9 km/h em Monza. Mas foi superado em 2005 por Juan Pablo Montoya.
Felipe Massa estava em seu terceiro ano na F1. Em 2002 ele correu na Sauber e em 2003 ele foi piloto de testes na Ferrari. Em 2004 terminou o campeonato na 12ª posição.
Em números frios, 2004 foi o melhor ano da carreira de Rubens Barrichello na Fórmula 1. Ele terminou na segunda colocação com 114 pontos e duas vitórias, uma na China e outra na Itália.

A equipe da Jaguar correu pela última vez em 2004 e foi comprada pela Red Bull. Sabendo que seria o último ano, os britânicos resolveram se divertir.
A partir do GP da Bélgica usaram um burro inflável do filme Shrek como mascote. O brinquedo aparecia em fotos no paddock e nos bastidores como se fosse um membro da equipe.
There’s been some brilliant drivers’ class photos at the end of the season. But not quite like 2004 when the Jaguar Donkey caused chaos by trying to take Michael Schumacher’s seat. Seems his team mate was more comfy. (Then @AussieGrit decided to whack his team mate with it.) pic.twitter.com/womwIhcdp5
— Getty Images Motorsport (@MSI_Images) December 7, 2018
Rubens Barrichello colocou o burro na cadeira de Michael Schumacher na foto oficial do GP do Brasil. O alemão entrou na brincadeira e sentou no colo do brasileiro.
No final da temporada todos os pilotos, Bernie Ecclestone e Max Mosley assinaram o brinquedo, que foi leiloado para angariar dinheiro para a caridade. Apenas Schumacher não assinou, mas foi por não ter sido encontrado no dia.
No meio dessa diversão a Jaguar conseguiu uma parceria para divulgar o filme 12 Homens e Um Segredo durante o GP de Mônaco. Além do patrocínio pintado no carro, a revendedora de pedras preciosas Steinmetz forneceu um diamante para ficar no bico de cada carro da equipe.

A pedra era avaliada em US$ 300 mil em valores da época, cerca de US$ 1 milhão corrigidos com a inflação (R$ 5,25 milhões em conversão direta). A ideia tinha tudo para dar errado, pois um dos pilotos era amador e a pista apertada de Mônaco gera batidas.
Dito e feito. Na primeira volta o iniciante Christian Klien bateu o carro de frente no hairpin Loews após perder a asa dianteira, com menos de 1 minuto de corrida. Quando o carro foi rebocado o diamante não estava mais lá.
O paradeiro é desconhecido. A organização revistou os fiscais e não encontrou o diamante. Até hoje ninguém sabe o que aconteceu, se a pedra preciosa caiu na pista, voou na batida, caiu num bueiro ou foi surrupiada por alguém.
Para piorar, não havia seguro no diamante pois nenhuma empresa aceitaria cobrir isso. Certamente foi uma temporada marcante, com recordes, carros bonitos e até sumiço de joias.
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