Ferrari 335 Sport Scaglietti: a Ferrari de R$ 130 milhões

Se o valor de um carro antigo é estimado pela notoriedade da marca, seu histórico e volume de produção, quanto valeria uma Ferrari 335

Por Boris Feldman 22/12/17 às 15h48
Boris Feldman comenta sobre Ferrari 335 que foi pilotada por Stirling Moss

Se o valor de um automóvel antigo pode ser estimado pela notoriedade da marca, seu histórico e volume de produção, quanto poderia valer uma Ferrari 335 Sport Scaglietti 1957, que teve apenas quatro unidades fabricadas e, entre outras corridas, ganhou o Grande Prêmio de Cuba de 1958 pilotada por Stirling Moss?

Inestimável, diriam alguns. Mas teve valor estipulado, pela casa leiloeira Artcurial, entre 28 e 32 milhões de euros. E o avaliador acertou em cheio, pois foi arrematada em Paris (Salon Retromobile, fevereiro de 2016), por exatos 32.075.200 euros (cerca de R$ 130 milhões). Apesar do valor estratosférico, ela não pode rodar nas ruas pois não é uma “esportiva”, mas projetada apenas para as pistas.

Boris Feldman comenta sobre Ferrari 335 que foi pilotada por Stirling Moss

O Ferrari “335” se refere ao volume deslocado em cada um de seus 12 cilindros em V, num total de 4.020 cm3 e que levam o carro a 300 km horários. Mas o modelo nasceu 315 (3.8 litros, 360 hp) e depois teve a cilindrada aumentada pela fábrica para 4.0 (390 hp).

Scaglietti é o sobrenome de Sergio, que projetou e fabricou a carroceria na sua oficina em Maranello, vizinha à fabrica do Commendatore. Ele produziu várias outras Ferraris projetadas por ele mesmo ou por Pininfarina, as famosas California e GTO entre elas. A Carrozeria Scaglietti pertence hoje à Ferrari e continua produzindo diversos modelos do “Cavallino Rampante”.

A primeira corrida da 335 (chassis 0674, ainda com motor 3.8) foi nas 12 horas de Sebring, nos Estados Unidos, em março de 1957, pilotada por Peter Collins e Maurice Trintignant. Chegou em sexto. Dois meses depois, em maio, Wolfgang Von Trips chegou com ela em segundo lugar na Mille Miglia, atrás de Piero Taruffi, com uma Ferrari semelhante.

Uma terceira 335, pilotada pelo nobre espanhol Alfonso de Portago nesta mesma prova, provocou o final da famosa corrida disputada em estradas italianas, largando e chegando em Brescia: um pneu estourou perto da cidade de Guidizzolo e o carro saiu da pista matando o piloto, seu navegador e mais nove espectadores. Três meses depois, o governo italiano proibiu competições nas rodovias e vinte mais tarde (1977) a prova se transformou num rali de regularidade para carros históricos.

Ferrari 335

Depois da Mille Miglia, as 315 foram então rebatizadas de 335 e a de chassis 0674 participou de várias outras competições até ser vendida, em 1960, para Robert N. Dusek, um arquiteto norte-americano. E comprada, em 1970, pelo colecionador francês Pierre Bardinon.

Perguntaram uma vez para Enzo Ferrari porque não montava um museu com seus carros mais importantes e ele respondeu não ser necessário, pois Bardinon já tinha providenciado isto em sua propriedade de Mas du Clos, na França. Bardinon era de uma rica família francesa e se dedicou aos automóveis antigos, focando nos carros de competição da Ferrari. E conseguiu reunir em sua coleção os mais importantes modelos de corrida da marca. Ele construiu uma pista para acelerar seus carros juntamente com convidados e recebia também clubes de carros antigos de outras marcas. Faleceu em 2012 e seus herdeiros decidiram vender a 335 através da leiloeira Artcurial.

Ferrari 335

Bola fora!

Quem pagou R$ 130 milhões pelo Ferrari 335, recorde mundial do valor pago por um automóvel num leilão? Uma pesquisa na internet não deixa margem a dúvidas: “Dr. Google” diz que a Ferrari foi disputada no leilão da Artcurial por dois famosos jogadores de futebol, o argentino Messi e o português Cristiano Ronaldo. E que o “hermano” ganhou a briga. Bola fora: os dois podem ter travado esta disputa fora do gramado, mas quem deu o lance vencedor foi o norte-americano (de Ohio) Brian Ross, do ramo imobiliário, dono de shopping center e de uma concessionária Ferrari e Maserati em Vancouver, no Canadá. Nos leilões de carros antigos, apesar de a Artcurial ter estimado corretamente o valor do carro (de 28 a 32 milhões de euros), os lances são muito variáveis. O martelo pode até não ser batido por não ter sido atingido o valor mínimo (chamado “de reserva”) determinado pelo vendedor, ou pode ser vendido até por mais que o estimado quando se defrontam dois colecionadores (para azar deles, sorte do vendedor e do leiloeiro…) a fim de levá-lo por qualquer preço. Se alguém não acredita, basta dar um pulinho na pista do aeroporto mais próximo do leilão e avaliar o valor dos jatinhos (ou jatões) executivos estacionados pelos arrematantes…

1 Comentário
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  • Franco Vieira 22 de dezembro de 2017

    No último parágrafo está trocado o modelo por outro dos mais lindos de Maranello 335 por 355. Não entendi a primeira foto.

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