Salão de Frankfurt define o futuro

Por Roberto Nasser15/09/17 às 08h19
Roberto Nasser Frankfurt

Há alguns anos todas as principais mostras de automóveis no mundo tem como tema ou sub tema os combustíveis verdes, alternativos. Muitos protótipos, conversas, entrevistas – e muitas propostas. E nenhum caminho definitivo dentre a miríade de soluções apresentadas.

Frankfurt – o International Auto Show – realizado nesta fantástica cidade alemã, botou ordem no negócio: o futuro é elétrico e virá em veículo autônomo. São, em síntese, as novidades maiores. Na prática mais um degrau na perda de interesse sobre a grande invenção do Século 20, e o maior dos problemas do atual. A eletrização dos veículos retira-lhes o charme, a independência, a personalização. Saem a cilindrada, os ponto zero, os cm3, vão-se os cavalos de força a sugerir rapidez e mobilidade, e para seu lugar convocam a pouco emocional, amorfa, inodora medida de potência elétrica, KiloWatt. Próximas medidas, hoje já disponíveis em alguns veículos e cidades com estrutura para orientá-los, o carro autônomo e a desnecessidade de possuí-lo para deslocar-se. O automóvel se encaminha para ser alguma coisa assemelhada a um SmartCar – um smartphone com rodas – com motor silencioso, sem vibrações, capaz de agir por conta própria, a conduzir com tanta sensação de mobilidade quanto um pequeno vagão.

Na prática

Antes do exercício de futurologia explícita, papo de carro, Frankfurt nos coloca na sempre assumida postura de mercado pequeno e distante, auto adotada pelo Brasil a limitar importações para manter internamente a relação entre carros pouco equipados e muito caros. Assim, novidades pontuais: o despertar da Volkswagen Brasil para seguir o caminho dos SUV; o novo Duster, lá Dacia, aqui Renault.

O que virá

Transição será aos poucos, permitindo convívio e disponibilidade dos motores endotérmicos, em especial os de ciclo Otto – com velas de ignição, mas a partir de 2025 todos os condicionamentos levarão ao carro elétrico e autônomo. Característica adicional, a mudança na relação de propriedade. Não mais será necessário ter um automóvel e vaga para guardá-lo nas muitas e longas horas sem uso. Eles pertencerão a frotas – até mesmo dos fabricantes  e os usuários demanda-los-ão pelo smartphone, sem relação de propriedade, ônus de impostos, taxas, financiamentos, com uso à base do reservou, usou, pagou.

De Frankfurt

Registro do início do fim, a mostra alemã trouxe reação corporativa da Volkswagen ao problema das emissões de poluentes por motores diesel, o Dieselgate. Marca largou a patente do conterrâneo e pegou-se nos motores elétricos, e anunciou investir 40 bilhões de euros, uns R$ 150 bi) ampliando o leque de 30 para 100 modelos.

Adotou, também, o caminho dos utilitários esportivos, os SUV. Te-los-á em todas as famílias. Um dos exemplares, o I.D. Crozz, primeiro utilitário esportivo eletrificado, será modelo a ser produzido em São José dos Pinhais (PR). A exibição faz pré-apresentação de sua morfologia, até então apenas conhecida em pequenas apresentações a público qualificado. Ao exibi-lo eletrificado a VW acabou com o segredo do paranaense previsto para o fim do próximo ano – com motores 1,4 flex ou TSI.

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VW I.D. Crozz, elétrico. Com motor flex, a ser produzido no Paraná, em 2018. Se chamará T-Cross

Roda-a-Roda

Festa – Como vem marcando mercadológica tradição, ao comemorar 70 anos Ferrari fez evento em Maranello, seu feudo: visita à fábrica, museus, leilão na pista de testes de Fiorano, a metros de sua sede.

Questão – 500 automóveis vindos de toda Europa, engarrafamento de Ferraris, automóveis mais valiosos ante os hostels abrigando seus donos, súbita ascensão de renda média na cidade, demonstrações viris de cartões de crédito para conseguir lugar no estabelecimento de Massimo Bottura, festejado restaurateur na vizinha Modena…

Ele – Sergio Marchionne, presidente da marca, apareceu e fez charme no leilão: atendeu a lances por telefone e ao final fez apelo aos presentes para abrir a carteira para os lances no LaFerrari Aperta, com total destinado a obra pia. Conseguiu US$ 8,3 milhões, valor estratosférico para o veículo. Presente, amigo da coluna crê em algum aditivo no Lambrusco, vinho local servido industrialmente.

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LaFerrari Aperta vendida por 8,3 milhões de dólares: despropósito

Limpeza – Na Inglaterra marcas sob o guarda chuva da sino-franca PSA – Peugeot, Citroën, DS e Opel – adotaram programa de renovação de frota. Iniciativa corajosa, abarca os produzidos até 31.dezembro.2010, e acena com pagamento ou facilidades adicionais em caso de troca por carros elétricos.

Quanto? – Um Citroën C3, por exemplo, vale mais: 6.400 libras – uns R$ 26 mil – ante L 2000, R$ 8.300, pagos em Peugeots 3008. Serão sucateados.

De volta – Promessa de volta da alemã marca Borgward se concreta. No Salão de Frankfurt marca expôs o redivivo Isabella Concept, em tendência atual, sedã acupezado. Empresa vai bem, produzindo SUVs na China, e 70 mil encomendas.

Futuro – Quer fazer fábrica 4.0 em Bremen, como a empresa original; acertou-se com a Sixt Neuwagen, maior distribuidora alemã on line de carros novos. Do Isabella dos anos ’50 mantém o DNA do design Impression of Flow, harmônico em seus 5,00m de comprimento, 1,40m de altura; 1,92m em largura.

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Isabella redivivo (Divulgação/AP Images)

Racionalidade – Onda de bom senso perpassa as fabricantes brasileiras de veículos, maiores do Continente e com produtos adequados às peculiares exigências, convencendo as matrizes permitir ocupar espaços. Renault, operando na Colômbia e no Brasil iniciou exportar o Captur nacional ao Peru.

Regionalização – Toyota Argentina anunciou salto de produção de motores diesel de 30.000 para 77.000 unidades em 2018. Crescer 160% indica novo mapa da empresa: substituir importações pelo fornecimento regional.

Visão – Projeto é de Mark Hogan, conhecedor do mercado sul americano com ex presidente da GM nacional, e hoje membro do board da Toyota e com responsabilidades para a América do Sul. Steve St Angelo, CEO para a região, toca o negócio. Brasil iniciou exportar Corollas e Etios.

Surpresa – Fechados números de vendas em agosto, Jeep Renegade é o utilitário esportivo mais vendido do mercado. Repete performance na Argentina.

Ok – Presidente da Volkswagen confirmou produzir outro utilitário esportivo ao mercado nacional: o Tharu. Furo mundial pelo portal AutoPapo, é projeto Sköda, especialista em solidez e custos contidos, baseado na multi-conformável plataforma MQB. Menor ante mexicano Tiguan e T-Cross, de produção no Paraná, servindo ao mercado nacional, final 2018.

SUV – Parece a palavra de ordem da VW mundial, com opções em todas as versões de plataforma, e por isto nada impedindo o resgate da proposta do Taigun, o utilitário esportivo sobre o up!.

Líder – Dentre as inúmeras fábricas chinesas de automóveis, Chery ganhou Prêmio Nacional de Qualidade na 36a Conferência Nacional de Qualidade da Indústria de Maquinaria da China.

Futuro – Nestes momentos onde a dúvida da motorização do futuro foi substituída pela certeza do carro autônomo, a Universidade de Michigan, EUA, onde estão as principais marcas norte-americanas implantou, área de testes. Aqui o assunto não é tratado.

 – MCity, o espaço, ocupa 13 hectares, e o Departamento de Transportes baixou o Vision for Safety 2.0, novas regras para indústria e governos estaduais interessados neste caminho. Governo age como governo: busca salvar e enriquecer vidas – e garantir a liderança dos EUA no setor.

Aqui – Não temos diretrizes e governo faz cara de paisagem, sem preparar-se à profunda alteração nos equipamentos urbanos à realidade dos autônomos.

Lugar – Brutus Sustainable Transport, start up curitibana, quer unir empresas querendo transporte a caminhoneiros disponíveis para cargas completas.

Vantagem – Entende oferecer preços menores pela constância e segurança da demanda. Em seis meses tem listados 30 empresas; 10.000 caminhoneiros; superou 12.600 transportes em 47 cidades. Inscrições graciosas em www.brutusst.com.br.

Recorde –   Simcas marcaram o 3º Encontro Nacional da marca, realizado em Canela, RS, com apoio dos Museu do Automóvel local e do Museu Nacional do Automóvel em Brasília, e o regional Veteran Car das Hortências.

Amostra – Marca durou 8 anos no país, fez umas 66 mil unidades, e as presentes representaram quase todos anos e versões. Raridade, o Simca 35 carro de corridas de Breno Fornari, primeiro piloto e desenvolvedor da marca.

Resultado – Em presença ascendente e recordista decidiu-se pela criação de clube e a realização do IV Encontro no próximo 2018 – interessado em sediar tal movimento em sua cidade? Proponha: simca@simca.com.br.

Roberto Nasser Frankfurt
3º Encontro Nacional Simca: recorde, sucesso

Gente – Mudanças na Dafra/KTM de motos em ManausOOOO Marketing será feito por Rafael Vieira e por Luiza Pellicani, assessora de imprensa. OOOO

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