Flagra de trabalhadores em regime próximo à escravidão em fábrica da Bahia gerou punição à BYD, que tem seu nome incluído na 'lista suja' do governo
O Ministério do Trabalho e Emprego inseriu a BYD na ‘lista suja’ do trabalho escravo no Brasil. Esse é o nome dado ao documento que, segundo o ministério, elenca os “empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão”. O nome da BYD Auto do Brasil Ltda. consta na relação de empregadores desde a atualização da última segunda-feira (6).
A atualização do documento pode acarretar sanções econômicas à montadora asiática no Brasil, seu maior mercado fora da China, embora não determine o embargo ou a paralisação de suas operações fabris no país.

A ‘lista suja’ é um instrumento do governo federal para registrar e dar transparência a casos confirmados de exploração laboral após a conclusão do processo administrativo. A principal implicação técnica para as empresas incluídas é o bloqueio a certas linhas de crédito, por exemplo.
Instituições financeiras públicas e bancos privados signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo restringem ou proíbem a concessão de financiamentos e empréstimos a esses empregadores. Essa limitação afeta diretamente o planejamento de captação de recursos no mercado interno. Além da trava financeira, o registro gera riscos à reputação corporativa, embora a sanção governamental não imponha a interdição das atividades da empresa autuada.

A sanção aplicada à BYD é resultado de uma operação de fiscalização realizada no final de 2024 nas obras de instalação de sua fábrica em Camaçari (BA). Na ocasião, auditores-fiscais do trabalho identificaram 163 operários de nacionalidade chinesa atuando de forma irregular. Os relatórios oficiais registraram jornadas exaustivas, condições degradantes de alojamento, aplicação de contratos com cláusulas abusivas e indícios de tráfico internacional de pessoas.
A arregimentação e a gestão direta dos profissionais foram realizadas pelo Jinjiang Group — empresa terceirizada contratada para as obras do complexo. O Ministério do Trabalho, contudo, também responsabilizou a BYD, uma vez que ela tinha o dever de supervisionar rigorosamente o cumprimento das normas de saúde e segurança aplicadas pelas prestadoras de serviço em suas dependências.
Procurada após a inclusão no cadastro, a BYD não emitiu posicionamento oficial. À época em que as denúncias vieram a público, a companhia declarou desconhecer as violações trabalhistas e argumentou que a responsabilidade operacional era da prestadora de serviços. O Jinjiang Group, por sua vez, negou todas as acusações apontadas pelos auditores fiscais.
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