Consultamos um especialista para montar esse guia com tudo que você precisa saber sobre o assunto e para não cair em furadas
Para muitos o carro é quase uma segunda casa. Passamos horas ao volante, presos no trânsito urbano, viajando ou usando o veículo como ferramenta de trabalho. Uma boa companhia para isso é o sistema de som, para ouvir uma música ou se informar com o rádio.
O brasileiro em geral é exigente com o sistema de som de seu carro, tanto que os fabricantes estão percebendo isso. A GWM frisou essa questão no lançamento da linha 2026 do Haval H6 e melhorou a qualidade dos alto-falantes e a potência após várias críticas do público.
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Já na Renault vieram melhorias até para o Kwid, o carro mais barato do Brasil. O modelo nacional do hatch ganhou alt0-falantes melhores na linha 2026 e um par adicional posicionados na coluna C. Ficou melhor que o modelo elétrico que vem importado.
Na marca francesa também tem o novo Boreal, com som assinado pela Arkamys nas versões Evolution e Techno, enquanto a topo de linha Iconic utiliza Harman Kardon. Ver marcas famosas de som está ficando comum nos modelos médios nacionais e em alguns compactos.

Mas sabemos que nem todos querem comprar um carro novo apenas pelo sistema de som. Uma alternativa é melhorar o que já vem no veículo para ter mais qualidade — o que pode até superar os assinados que vêm em alguns modelos.
Aqui vamos tirar as principais dúvidas sobre som automotivo para você que pretende mexer no do seu carro. Essas dicas valem para todos os tipos de carro, dos mais simples e antigos aos modelos zero km.
Para auxiliar, consultamos o especialista em som Marcello Franco Figueiredo. Ele é dono da Audio Design e trabalha desde 1988 com som automotivo, além de ser juiz de áudio nas associações IASCA, USAC e EMMA.






O som do carro não é algo tão simples. Ele utiliza diferentes tipos de alto-falantes que possuem tarefas diferentes: o tweeter, o mid bass e o subwoofer. Nem todos os carros possuem esses três.
O mais comum é o mid bass, que é aquele que vem instalado nas portas. Ele é responsável pelas frequências médias, de 80 a 4 mil hertz.
O tweeter cuida das frequências altas, de 4 mil a 20 mil hertz, responsável pelos sons mais agudos. Já o subwoofer é o do grave, com as frequências de 20 a 80 hertz.
Também existem os que combinam essas tarefas. O coaxial possui um mid bass e um tweeter. Já o triaxial conta com esses dois mais um woofer para os graves, no mesmo corpo. São soluções para carros sem espaço para colocar os três tipos separados.
Resumindo, um complementa o outro para que o som do carro tenha mais fidelidade. Geralmente quando falamos que um veículo vem com quatro alto-falantes, ele só conta com os mid bass, os com seis incluem um par de tweeters. Se o número for ímpar, pode indicar a presença de um subwoofer.

Para Marcello Franco Figueiredo, não basta chegar na loja e pedir por componentes melhores. O trabalho feito no som do carro depende do que o cliente quer, seu orçamento e até mesmo o tipo de música que ele gosta de ouvir.
É possível fazer melhorias mais simples, apenas trocando o que já vem no carro, como também instalar componentes adicionais. Um veículo de entrada, com apenas os mid bass das portas, pode ser complementado por um par de tweeters por exemplo.
O próprio projeto do carro pode influenciar: o BYD Dolphin Mini conta com apenas um par de alto-falantes dianteiros, por exemplo. No Renault Kwid são usados falantes menores, de 4 polegadas, montados no painel.
Alguns modelos não possuem local para os tweeters, exigindo adaptação ou usar um alto-falante coaxial. Tudo isso precisa ser estudado antes de definir um projeto.

O mercado de som automotivo possui escalas de preço e qualidade, por isso fica difícil indicar algum modelo como o melhor. Consultamos Marcello Franco Figueiredo sobre o que é importante analisar na hora de comprar um alto-falante para não jogar dinheiro fora.
Em projetos mais simples, sem a necessidade de um amplificador, o especialista indica:
É melhor usar alto-falantes com material mais nobre no cone, que são mais leves e mais rígidos, para ir e voltar com precisão, e sensibilidade mais alta possível (medida em db 1W/1m).
Ele alerta que algumas fábricas divulgam a sensibilidade de outras formas para parecer maior. A medida mais confiável é a de db 1W/1m.
Quanto a potência, Marcello recomenda olhar apenas o valor RMS, que é a real. Para usar em um rádio original e sem amplificador precisa ser a menor possível. Porém esses alto-falantes precisarão ser trocados caso o som seja amplificado futuramente.
Quanto a impedância, siga a original do aparelho de som. O padrão da indústria é de 4 ohms.
Se o objetivo for melhorias mais extensas, incluindo um amplificador, é preciso montar o projeto junto de um especialista. As dicas que demos sobre materiais e as unidades de medida são universais.

Para montar um subwoofer grande no carro é preciso de espaço e um amplificador. Uma alternativa mais compacta e prática é usar a caixa slim, que já é amplificada.
Marcello alerta que é preciso tomar alguns cuidados na instalação:
Tem que puxar um positivo da bateria, aterrar e ter um porta fusível no positivo. O melhor lugar é dentro da cabine, embaixo do banco.
Alguns fabricantes já oferecem essa caixa como acessório. Quem comprou a Chevrolet Montana na pré-venda recebeu o carro com um subwoofer slim JBL sob o banco do motorista, por exemplo. A GWM homologou um da Hertz para o seu catálogo de acessórios.

A preocupação com a qualidade do som original dos carros generalistas é mais recente. Antes os fabricantes usavam rádios com menor potência ou centrais multimídias mais simples.
Apenas a troca por uma central mais atual e potente já melhora o som do carro ou abre possibilidade para mais ganhos. Essa sugestão só é válida em carros onde a tela não comanda outras funções, como o computador de bordo, ou não é integrada.
Para o especialista, o ideal é procurar centrais multimídia de marcas tradicionais. Hoje no Brasil sobraram apenas a Pioneer e a Alpine nesse mercado, outras marcas como a Kenwood, Clarion e Sony não atuam mais nesse segmento por aqui.
Existem milhares de opções chinesas nos sites de e-commerce, algumas até com valores abaixo de R$ 500. Mas a qualidade e durabilidade delas são incógnitas.
A marca chinesa mais conceituada no mercado hoje e que possui pós-venda estabelecido é a Navpro. Ela oferece modelos integrados que podem comandar algumas funções nos carros mais novos.
Existe uma padronização na indústria automotiva sobre o tamanho das head-units. Aquele mais fino, dos rádios mais simples, é chamado de 1 din, enquanto o que tem tamanho maior, cerca de 7 polegadas, é o 2 din.
Se o seu carro possui apenas o espaço para um rádio 1 din, existem centrais multimídia nesse formato. Se quiser uma tela maior, existem modelos com a tela mais destacada e até móvel, mas ela pode encobrir botões ou as saídas de ventilação.
O tamanho 2 din é o mais simples par quem deseja instalar uma central multimídia. Os modelos com tela de até 7 polegadas podem ser instaladas sem adaptações.
Em carros com rádios integrados é preciso comprar uma moldura para instalar a central. No mercado já existem molduras para colocar telas maiores de 9 polegadas em modelos que originalmente usam 2 din.

A partir de meados da década de 2010 as centrais multimídias passaram a contar com mais funções fora tocar o som e mostrar a câmera de ré. Elas podem mostrar o computador de bordo, comandar o ar-condicionado e configurar funções do veículo. Chegou a extremos como o Volvo EX30, onde a abertura do porta-luvas é por ela.
Nesses carros não é possível trocar a central multimídia. Se isso for feito, várias funções serão perdidas e a central eletrônica do carro irá apresentar mensagens de erro.
Isso não é um beco sem saída para quem deseja melhorar o som do carro. Para isso é preciso instalar um processador de áudio.
Existem carros onde a central é até boa, mas os alto-falantes originais que são ruins. Em modelos que já estão no mercado há mais de um ano já existe um conhecimento dos profissionais sobre as limitações de cada modelo.

Ter um carro com sistema de som Bang & Olufsen, Harman Kadron, JBL, Bose e outras marcas renomadas era um luxo reservado aos carros premium. Hoje temos modelos compactos nacionais com som assinado.
Existe uma pegadinha nesses carros, na maioria dos casos o sistema de som não é da marca premium. Tirando carros de luxo, o som assinado funciona como uma certificação dada pela empresa, atestando que o carro cumpre alguns requisitos.
Ele pode vir com algum componente dela, como um subwoofer ou um amplificador, mas geralmente os alt0-falantes são do mesmo fornecedor das outras versões. Marcello comenta que uma rara exceção são os Volvo e BYD com sistema Dynaudio, onde os falantes são desse fornecedor.
Se o seu interesse em um modelo mais caro for apenas no som, vale a pena testar antes. A diferença no preço poderá ser investida em uma instalação mais potente.
Colocar central multimídia, alto-falantes melhores, um amplificador e um subwoofer slim em seu carro não exige uma bateria mais forte. Em uma instalação bem feita não existirá mudanças relevantes no consumo de energia.
A dica do especialista é de colocar o sistema de som sempre no pós chave e usá-lo sempre com o carro ligado. Ouvir música com o motor desligado drena a bateria rapidamente, mesmo com tudo original, e descarregá-la diminui sua vida útil.

O especialista Marcello Franco Figueiredo contou em nossa entrevista que já viu todos os tipos de atrocidades e gambiarras sendo feitas em instalações de som, incluindo disjuntor residencial. A lista do que não fazer é grande.
As principais recomendações dele são: nunca cortar o chicote original do carro, em hipótese alguma. Existem conectores para os alto-falantes e para as centrais multimídia. Também indica instalar os falantes com aro em MDF e não furar a lataria para a fixação.
Em carros premium é indicado não trocar a central multimídia, o rádio e o amplificador originais. Isso pode acender luzes no painel e gerar alertas na central eletrônica.
Segundo a General Motors, trocar alto-falantes invalida a garantia da peça e do chicote caso ele seja alterado. Se a instalação for feita seguindo essas recomendações, a garantia da parte elétrica será mantida. Seguindo essas dicas, basta escolher os equipamentos que melhor encaixam no seu bolos e curtir o som novo do seu carro.
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