A Land Rover queria um veículo com maior capacidade de carga, mas acabou criando um caminhão fraco, pesado e nada confiável
Antes de entrarmos no “desastre” mecânico, vale um breve mergulho na história. Os veículos da marca são ícones, amplamente utilizados por exploradores na África, América do Sul e Ásia. Sua origem, inclusive, é militar: durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), os britânicos admiraram a versatilidade do Jeep Willys e quiseram algo semelhante. Assim, em 1948, a Rover Company desenvolveu um modelo para aplicações agrícolas e militares que mudaria o mundo.
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Os primeiros modelos, conhecidos como Series, tinham para-lamas salientes e grade inclinada, visual que remetia ao tcheco Praga V3S. Essas características perduraram até 1983, quando surgiu o lendário Defender. Mas, no meio desse caminho, a marca tentou dar um passo maior que a perna.

O Series II chegou com uma das importantes características de um veículo comercial, a sua alta personalização, de fato, a Land Rover oferecia mais de 100 variantes, mas ainda sim, faltava um modelo para carregar mais carga. Para preencher essa lacuna, a marca lançou o Series II A Forward Control.
O conceito era simples: montar a cabine acima do motor para maximizar o espaço de carga. O problema? A “cabine” era, na verdade, um amontoado de peças de Land Rovers menores, com para-brisa bipartido e faróis adaptados.
Com entre-eixos de 109 polegadas (2,76 metros), o caminhão pesava quase duas toneladas vazio. Isso deixava a capacidade de carga útil em apenas 1,5 tonelada, um valor pífio para o porte do veículo.
O motor era o coração do problema. A versão a gasolina de 2.2 litros entregava parcos 77 cv. Para exportação, havia um 6 cilindros de 2.6 litros com 86 cv, mas ele era famoso pela baixa confiabilidade e manutenção difícil. Um motor a diesel chegou a ser testado, mas nunca viu a linha de produção.
O veredito era unânime: o caminhão era horrível. Tinha um raio de giro de 14 metros (excessivo para o tamanho), freios a tambor ineficientes e rodas que simplesmente não aguentavam o trabalho pesado. O resultado? Apenas 3.193 unidades produzidas em quatro anos, que dá uma média de 66 unidades produzidas por mês.

Tentando apagar o fracasso, a marca lançou o Series II B Forward Control. Ele trazia eixos mais robustos e barras estabilizadoras modernas, mas manteve os mesmos motores subdimensionados. O público não se empolgou: o modelo ficou mais tempo em linha (1966 a 1972) e vendeu ainda menos: apenas 2.305 unidades.
Curiosamente, a Land Rover provou que sabia fazer a lição de casa quando queria. Durante esse período, desenvolveu o 101 Forward Control exclusivamente para o Exército Britânico. Este, sim, era excelente: durável e confiável. Ele ficou tão famoso que foi usado como base para as viaturas futuristas do filme Judge Dredd (O Juiz), de 1995.
Mas, em vez de civilizar o projeto que deu certo, a Land Rover tentou outra cartada em 1985.
A última tentativa veio em 1985 com o Land Rover Llama. Ele aproveitava 85% das peças do Defender 110, mas com chassi reforçado e cabine basculante de fibra de vidro (que lembrava os nossos caminhões Agrale).

No papel, parecia bom: motor V8 3.5 da Rover e câmbio de cinco marchas. Na prática, foi outro desastre. O centro de gravidade era altíssimo, tornando o uso off-road perigoso, e a suspensão era mal acertada. O Ministério da Defesa britânico detestou os protótipos e preferiu comprar caminhões da Dodge/Chrysler.
Quer dizer, quase isso, já ela queria os Dodge 50, que eram modificados pela Reynolds-Boughton Engineering, e eram rebatizados de BR 44, porém nem esses modelos agradou o Exército, no final, os antigos Defenders do Exército passaram por revisão e modernização para continuar em serviço.
Em 1988, a Land Rover finalmente jogou a toalha. O projeto Llama foi engavetado, e a marca desistiu de tentar ser o que não era. No fim das contas, a Land Rover teve dois erros grotescos, um acerto exclusivo para militares e uma lição valiosa: melhor ficar nos jipes.
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