O segmento está crescendo em passos largos desde 2015, atingindo um novo recorde em 2025 com a tomada de uma parcela grande das vendas
Em 2020 ocorreu uma ruptura no mercado brasileiro de automóveis: os SUVs passaram a ser o tipo de carro mais vendido no país, superando os hatchbacks compactos. Isso foi uma prévia do que ocorreu agora em 2025, onde eles emplacaram mais de 1 milhão de unidades pela primeira vez na história, representando por 54,89% das vendas.
Esse movimento de consolidação dos SUVs como os carros mais vendidos do Brasil começou em 2015, quando o Jeep Renegade, o Honda HR-V e o Peugeot 2008 foram lançados. Eles revolucionaram esse segmento tornando os compactos mais sofisticados e desejáveis, roubando vendas dos sedãs médios e ceifando as peruas e as minivans.
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Antes de 2015 o segmento de SUVs compactos contava apenas com o Ford EcoSport e o Renault Duster, que eram modelos mais rústicos e com proposta aventureira. Acima deles haviam modelos médios e grandes importados.
A participação do mercado dos SUVs em 2014 era de 10,72%, enquanto em 2015 pulou para 14,82%. A partir daí o crescimento foi acelerado, conforme o mercado recebeu mais carros no segmento. Veja na tabela abaixo o crescimento do segmento em 10 anos:
| Ano | Emplacamentos de SUVs | Participação no mercado |
|---|---|---|
| 2015 | 306.146 | 14,82% |
| 2016 | 302.486 | 17,92% |
| 2017 | 414.547 | 22,34% |
| 2018 | 512.352 | 28,59% |
| 2019 | 600.140 | 26,59% |
| 2020 | 528.182 | 32,70% |
| 2021 | 668.345 | 42,90% |
| 2022 | 691.313 | 43,84% |
| 2023 | 782.349 | 45,46% |
| 2024 | 939.279 | 48,22% |
| 2025 | 1.095.642 | 54,89% |
Os dados que usamos nessa matéria são fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que considera apenas os emplacamentos realizados. Ela coloca todos os SUVs na mesma categoria, sem subdivisões como faz com hatches, sedãs e minivans, mas pelo menos não coloca modelos como o Renault Kwid e o Citroën C3 nessa categoria — apesar de ser classificados como utilitários pelo Inmetro.

Modelos como o Nissan Kicks, Renault Captur, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, Volkswagen T-Cross, Toyota Corolla Cross, Caoa Chery Tiggo 5X, GWM Haval H6 e Fiat Pulse ajudaram a consolidar o segmento no topo do ranking de vendas da Fenabrave.
Junto desse movimento de popularização dos SUVs houve também uma mudança no dos hatches. Esses modelos mais tradicionais passaram a ter mais foco nas vendas diretas, com muitos perdendo versões mais equipadas.
Os SUVs de entrada tomaram o lugar dos hatchbacks mais equipados. A maioria deles utilizam monobloco de hatch, com suspensão elevada e mudanças estéticas nas extremidades para dar personalidade própria.
Dentro da Volkswagen, por exemplo, o Polo é vendido apenas nas versões Track, Sense e Highline, com o novo Tera tomando o papel de oferecer opções mais equipadas. Na Fiat o hatch Argo perdeu os modelos HGT e Precision antes do lançamento do Pulse. Já a Renault aposentou o Sandero de vez antes de lançar o Kardian.

Os sedãs compactos foram menos afetados pelo crescimento dos SUVs, já que seguem com o porta-malas grande como principal argumento de venda. Porém existem modelos com bagageiro grande, como o Citroën Basalt, o Fiat Fastback e o Renault Duster, que servem como alternativas mais familiares.
A tendência é que o segmento siga crescendo em 2026. Já temos modelos de volume confirmados, como o Chevrolet Sonic e o Jeep Avenger, além da consolidação de lançamentos realizados em meados de 2025, como o VW Tera e o Renault Boreal.
Os chineses apostam em peso nos SUVs também: a marca Jetour fará sua estreia focada nesse tipo de carro, por exemplo. Nesse ritmo, o Brasil se tornará um país de utilitários até o final da década.
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