Hatch francês é um dos carros que mais sofrem bullying no mercado e nas redes sociais, devido a problemas que nem sempre são culpa do carro
Basta zapear o Instagram por cinco minutos que vai aparecer alguém fazendo piada com o Peugeot 206. Sem falar na quantidade de memes e figurinhas que “zoam” o hatch da marca francesa. Até no Mini Mundo de Gramado (RS) colocaram a miniatura do compacto sendo rebocada.
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Tamanho bullying se deve à má fama do Peugeot 206. Alguns problemas crônicos, suspensão frágil e defeitos recorrentes moldaram essa reputação. Mas o carro é, na verdade, um injustiçado na maioria das ocorrências.

Boa parte da culpa dessa péssima reputação é dos próprios donos, que foram negligentes ou displicentes com a manutenção de um modelo com conjunto mecânico até mais sofisticado que boa parte dos rivais do segmento à época. O que resultou em defeitos e na fama de “bomba” do hatch.
Vamos desmistificar agora alguns pontos sobre o Peugeot 206. Mostrar os defeitos que realmente são culpa do projeto, e outros que são de responsabilidade de terceiros.
Primeiro vamos contar a história do Peugeot 206. Substituto do 205, o compacto foi apresentado mundialmente no Salão de Paris de 1998. Foi lançado no Brasil no ano seguinte, inicialmente importado da França e, depois, da Argentina, primeiro com motor 1.6 8V.

A produção no Brasil começou em meados de 2001 e o 206 foi o primeiro produto da nova fábrica da PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ). Com isso, estreou versões com motor 1.0 16V da Renault, enquanto o 1.6 passou a ser 16 válvulas.
Esse mesmo propulsor começou a ser fabricado na planta fluminense em 2003. Em 2004, surgiu o 1.4 8V e, um ano depois, este e o 1.6 16V receberam a tecnologia flex fuel. Naquela mesma época a Peugeot deixou de usar o 1.0 no 206.
Em 2007, o hatch passou a ter opção do câmbio automático de quatro marchas. O Peugeot 206 continuou em linha no Brasil mesmo após a estreia do controverso 207 brasileiro (na verdade o hatch antigo com a casca do modelo europeu), e apenas com motor 1.4.
A produção foi encerrada no fim de 2009. Em 10 anos, o hatch registrou mais de 250 mil unidades vendidas.

O hatch da marca francesa tem uma trajetória de sucesso na principal competição de rali do mundo. O 206 deu o tricampeonato da categoria de construtores à Peugeot (2000-2001-2002) e foi campeão entre pilotos em 2000 e 2002, com Marcus Grönholm.
O Peugeot 206 trouxe novos parâmetros para o segmento de compactos. Graças ao design mais sofisticado e arrojado que quebrava a tendência redondinha da categoria. Sem falar nos motores com blocos e cabeçotes de alumínio e no estilo do acabamento interno, bem superior aos rivais da época.

Mas o motor 1.4 que surgiu para substituir o 1.0 de origem Renault ajudou a queimar o filme do Peugeot 206. Literalmente. O conjunto tem um problema crônico de queima da junta do cabeçote, além de misturar água e óleo lubrificante.
Detalhe que esse motor foi atualizado no lançamento da primeira geração do 208, já como 1.5, mas os relatos de queima da junta seguiram.
Já o 1.6 EC5 da PSA tem boa reputação. Equipou as versões mais caras do Peugeot 206 e, apesar de beberrão, garante desempenho bastante interessante ao hatch. Com quatro cilindros, 16 válvulas, tinha comando duplo de válvulas, 110 cv de potência, que passou para 113 cv (com etanol) quando flex.
A caixa AL4 – que era oferecida em poucas e caras versões – é outro equipamento que contribui para o bullying para cima do Peugeot 206. Projeto antigo e com apenas quatro marchas, o câmbio apresenta trancos e imprecisões demasiados, principalmente nos primeiros anos do hatch – já que foi sendo aprimorado ao longo do tempo.
Outra fonte de queixas dos donos de Peugeot 206 dizem respeito à suspensão, que consideram muito frágil. Esse foi outro problema que afetou os primeiros anos do compacto, especialmente devido à calibragem dos amortecedores, buchas, rolamentos e molas.

A má fama exagerada para cima do Peugeot foi mais culpa da manutenção pós-venda feita por terceiros. O hatch da marca francesa tinha mais eletrônica embarcada e conjuntos mecânicos avançados, principalmente em relação à concorrência da época.
Acontece que o pós-venda era caro. As concessionárias da Peugeot cobravam alto nas revisões, em uma época em que manutenção com preço fixo praticamente não existia no Brasil. Isso fez muita gente fugir das autorizadas e aí começaram os problemas.
Nos anos 1990 e começo dos anos 2000, carros com essa mecânica mais requintada acabaram em oficinas sem mão de obra qualificada ou mesmo ferramental apropriado. Na base do improviso, quem pagou o pato foram os automóveis, entre eles o Peugeot 206.
Outro ponto em relação ao 206 foi a famigerada mania do motorista de querer economizar na manutenção. Para não pagar mais caro no lubrificante 10W-40 ou 5W-40 recomendado pela Peugeot, o sujeito parava no posto e era seduzido pelo preço mais baixo do “óleo do Gol” – um 15W-40 ou um 20W-50.
Aí meu amigo, não tem milagre e nem o santo protetor da engenharia salva um carro tratado assim. As especificações diferentes faziam o conjunto mecânico do 206 trabalhar sob temperaturas elevadas e com atrito maior dos componentes metálicos. Com o tempo, esse erro na lubrificação causou formação de borra e quebras do motor do Peugeot país afora.
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