Estas marcas terão carros híbridos nacionais em breve

Em 2027 as normas de emissões brasileiras ficarão mais exigentes e a eletrificação será a solução para carros a combustão

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A Stellantis está prestes a lançar seu 1.3 turbo MHEV (Foto: Eduardo Rodrigues | AutoPapo)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 25/03/2026 às 09h00

O Programa de controle de emissões veiculares (Proconve) entrou na oitava fase em janeiro de 2025. Em seu regulamento consta limites ainda menores que entrarão a cada dois anos até 2031. Para atendê-los, muitos carros nacionais precisarão virar híbridos.

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A legislação brasileira estipula limites máximos de emissões de poluentes corporativos. Ou seja, é feita uma média entre todos os carros considerando o volume de vendas. Isso quer dizer que nem todos precisam ser híbridos.

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A segunda fase do Proconve L8 entra em vigor em 2027, a terceira será em 2029 e a quarta será em 2031. Com isso veremos um crescimento escalonado na oferta de carros híbridos nacionais.

A forma mais simples de se enquadrar nesses requisitos é com os sistemas híbridos leves. Eles são mais simples que um híbrido pleno e já aliviam a situação do motor a combustão.

No longo prazo a única diferença para o proprietário é a troca de uma pequena bateria de íons de lítio. Em híbridos plenos ou plug-in existem mais mudanças e uma bateria maior.

Não existe uma padronização nos carros híbridos leves, cada marca encara de uma forma. A Fiat possui um sistema mais simples de 12 volts, outras marcas usarão um de 48 volts. Nesse segundo pode ser usado um ou dois motores elétricos, existem casos onde a bateria cuida dos periféricos para aliviar o motor a combustão.

Vamos trazer aqui os carros que estão mais cotados ou confirmados para virarem híbridos em um futuro próximo. A maioria chegará em 2027 com as novas normas, ou serão adiantados para aproveitar face-lifts e trocas de ano/modelo.

1. Stellantis

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Na Stellantis o 1.3 turbo será híbrido leve de 48 volts (Foto: Jeep | Divulgação)

Enquanto os carros com motor 1.0 turbo da Stellantis estão recebendo o sistema híbrido leve de 12 volts, os equipados com o 1.3 turbo terão um de 48 volts. O princípio de funcionamento é similar, porém a bateria mais potente permitirá um auxílio maior.

Essa eletrificação deverá estrear em breve com o Jeep Renegade reestilizado e será estendida para os irmãos Compass e Commander. Na Fiat ela será adotada por Toro, Fastback Abarth e Pulse Abarth.

O híbrido leve de 12 volts já é usado pelos Fiats Pulse Fastback e pelos Peugeot 208 e 2008. Nos próximos a Stellantis irá lançar o Jeep Avenger e a nova geração do Fiat Argo com essa mesma mecânica.

O portal Autos Segredos apurou que eles terão o 1.0 turbo recalibrado para 116 cv. Além de reduzir as emissões, essa potência enquadra eles no programa de carros sustentáveis do Governo Federal, que concede desconto no IPI.

2. Volkswagen

Volkswagen Tukan teaser lateral da caçamba pintura amarelo canário fosco
A eletrificação na VW irá começar com a Tukan (Foto: Volkswagen | Divulgação)

A Volkswagen confirmou que o primeiro híbrido nacional dela será a picape Tukan. A marca diz que o índice de nacionalização do modelo será de 76%, sugerindo que parte dos componentes da eletrificação serão locais.

Por enquanto a marca não quer dar mais detalhes sobre como serão os seus híbridos brasileiros. O Autos Segredos apurou que a Tukan será um híbrido leve de 48 volts ajudando o novo 1.5 TSI.

Esse motor é uma evolução do atual 1.4, com melhorias para ficar mais eficiente. Já o conjunto híbrido leve da marca é bastante elogiado na Europa, pois utiliza dois motores elétricos e consegue médias próximas às de alguns híbridos plenos.

O primeiro motor fica junto do virabrequim, substituindo o motor de arranque e o alternador. O segundo vai no câmbio DSG e possui 20 cv. Em algumas situações o 1.5 TSI é desligado e motor elétrico mais forte mantém a velocidade.

A Volkswagen também terá híbridos plenos, começando pela nova geração do T-Cross. O princípio de funcionamento é similar ao do Toyota Corolla Hybrid, com um motor elétrico de tração e outro como gerador. A nova geração do Nivus virá depois, também eletrificada.

3. Renault

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A Niagara terá tração 4×4 graças a um motor elétrico exclusivo para o eixo traseiro (Foto: Renault | Divulgação)

A Renault não trocou o CVT pela caixa de dupla embreagem apenas para dar desempenho melhor aos seus carros. A escolha por esse tipo de câmbio foi pensada na eletrificação da linha nacional.

Durante o lançamento do Kardian a marca confirmou que esse câmbio está pronto para a eletrificação. Ela não deu detalhes, mas acreditamos que essa caixa de dupla embreagem possa receber um motor elétrico em seu interior como a usada pela VW no eTSI.

O primeiro híbrido nacional da Renault no Brasil será a inédita picape Niagara, que virá para competir contra a Fiat Toro. Ela terá o conjunto que já é usado pelo Dacia Duster na Europa, batizado como E-Tech Hybrid 4×4.

O eixo dianteiro é tracionado pelo 1.3 turbo em versão híbrida leve de 48 volts. Já o eixo traseiro será tracionado por um motor elétrico de 31 cv que possui um câmbio de duas marchas integrado, para atuar em velocidades de até 140 km/h como também no fora de estrada.

Em algumas situações ele pode tracionar o carro sozinho, desligando o 1.3 turbo flex. Em outros ele pode ser desacoplado através de uma embreagem.

O Kardian e o Boreal serão híbridos leves de 48 volts em 2027, com o motor turbo auxiliado por um elétrico no câmbio de dupla embreagem. Na Europa existe híbrido leve com câmbio manual, portanto um Kardian de entrada eletrificado não está descartado.

4. Chevrolet

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Tracker e Montana serão híbridos leves, mas podem chegar depois do Captiva híbrido plug-in (Foto: Chevrolet | Divulgação)

A General Motors tentou pular do carro combustão para o elétrico a nível global, sem a transição dos híbridos. Essa estratégia deu muito errado e exigiu uma correção de rota.

O grupo está desenvolvendo um sistema híbrido leve de 48 volts para os motores turbo de três cilindros de sua linha brasileira. Ele irá estrear com a linha 2027 de Montana e Tracker.

Segundo o portal Autos Segredos, o motor elétrico que auxilia o 1.2 turbo flex terá 10,8 cv e 4 kgfm. Essa tecnologia também será aplicada ao 1.0 turbo, podendo chegar mais tarde ao Sonic. A estratégia será similar a usada pela Stellantis, começando com a eletrificação em modelos topo de linha.

Dentre os importados teremos também o novo Captiva em versão híbrida plug-in. O carro já foi flagrado em testes e poderá ser lançado já produzido no Brasil em regime CKD, na fábrica da PACE no Ceará.

5. Honda

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A próxima geração do HR-V irá estrear o híbrido flex da marca (Foto: Honda | Divulgação)

A Honda anunciou que irá investir R$ 4,2 bilhões no Brasil até 2030 após o início do Programa Mover. O primeiro fruto desse investimento já chegou ao mercado, trata-se do WR-V, mas o aporte também inclui a tecnologia híbrida flex.

Segundo o Autos Segredos, o primeiro Honda híbrido nacional será a próxima geração do HR-V, que chegará no final de 2027 ou em 2028. E ao contrário da maioria dessa lista, ele será um híbrido pleno.

A Honda está fazendo uma versão flex do sistema E:HEV, que já temos no Brasil no Civic, Accord e no CR-V. Na linha nacional o motor a combustão será um 1.5 flex, não o 2.0 dos importados.

No HR-V europeu o 1.5 trabalhando no ciclo Atkinson rende 106 cv e trabalha com um motor elétrico de 131 cv e 25,8 kgfm. O sistema híbrido da Honda prioriza o motor elétrico em baixa velocidades, com o propulsor a combustão atuando como gerador.

Em velocidades mais altas, onde o elétrico é menos eficiente, a situação se inverte. O 1.5 entra para tracionar com uma marcha direta, eliminando a necessidade de câmbio e as perdas mecânicas desse componente.

Esse conjunto com o 1.5 é usado lá fora pelo HR-V, pelo City e pelo Fit. Ele é ainda mais econômico que o mais potente usado pelos carros maiores, podendo fazer da linha Honda a mais econômica do país.

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