Em 2027 as normas de emissões brasileiras ficarão mais exigentes e a eletrificação será a solução para carros a combustão
O Programa de controle de emissões veiculares (Proconve) entrou na oitava fase em janeiro de 2025. Em seu regulamento consta limites ainda menores que entrarão a cada dois anos até 2031. Para atendê-los, muitos carros nacionais precisarão virar híbridos.
A legislação brasileira estipula limites máximos de emissões de poluentes corporativos. Ou seja, é feita uma média entre todos os carros considerando o volume de vendas. Isso quer dizer que nem todos precisam ser híbridos.
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A segunda fase do Proconve L8 entra em vigor em 2027, a terceira será em 2029 e a quarta será em 2031. Com isso veremos um crescimento escalonado na oferta de carros híbridos nacionais.
A forma mais simples de se enquadrar nesses requisitos é com os sistemas híbridos leves. Eles são mais simples que um híbrido pleno e já aliviam a situação do motor a combustão.
No longo prazo a única diferença para o proprietário é a troca de uma pequena bateria de íons de lítio. Em híbridos plenos ou plug-in existem mais mudanças e uma bateria maior.
Não existe uma padronização nos carros híbridos leves, cada marca encara de uma forma. A Fiat possui um sistema mais simples de 12 volts, outras marcas usarão um de 48 volts. Nesse segundo pode ser usado um ou dois motores elétricos, existem casos onde a bateria cuida dos periféricos para aliviar o motor a combustão.
Vamos trazer aqui os carros que estão mais cotados ou confirmados para virarem híbridos em um futuro próximo. A maioria chegará em 2027 com as novas normas, ou serão adiantados para aproveitar face-lifts e trocas de ano/modelo.

Enquanto os carros com motor 1.0 turbo da Stellantis estão recebendo o sistema híbrido leve de 12 volts, os equipados com o 1.3 turbo terão um de 48 volts. O princípio de funcionamento é similar, porém a bateria mais potente permitirá um auxílio maior.
Essa eletrificação deverá estrear em breve com o Jeep Renegade reestilizado e será estendida para os irmãos Compass e Commander. Na Fiat ela será adotada por Toro, Fastback Abarth e Pulse Abarth.
O híbrido leve de 12 volts já é usado pelos Fiats Pulse Fastback e pelos Peugeot 208 e 2008. Nos próximos a Stellantis irá lançar o Jeep Avenger e a nova geração do Fiat Argo com essa mesma mecânica.
O portal Autos Segredos apurou que eles terão o 1.0 turbo recalibrado para 116 cv. Além de reduzir as emissões, essa potência enquadra eles no programa de carros sustentáveis do Governo Federal, que concede desconto no IPI.

A Volkswagen confirmou que o primeiro híbrido nacional dela será a picape Tukan. A marca diz que o índice de nacionalização do modelo será de 76%, sugerindo que parte dos componentes da eletrificação serão locais.
Por enquanto a marca não quer dar mais detalhes sobre como serão os seus híbridos brasileiros. O Autos Segredos apurou que a Tukan será um híbrido leve de 48 volts ajudando o novo 1.5 TSI.
Esse motor é uma evolução do atual 1.4, com melhorias para ficar mais eficiente. Já o conjunto híbrido leve da marca é bastante elogiado na Europa, pois utiliza dois motores elétricos e consegue médias próximas às de alguns híbridos plenos.
O primeiro motor fica junto do virabrequim, substituindo o motor de arranque e o alternador. O segundo vai no câmbio DSG e possui 20 cv. Em algumas situações o 1.5 TSI é desligado e motor elétrico mais forte mantém a velocidade.
A Volkswagen também terá híbridos plenos, começando pela nova geração do T-Cross. O princípio de funcionamento é similar ao do Toyota Corolla Hybrid, com um motor elétrico de tração e outro como gerador. A nova geração do Nivus virá depois, também eletrificada.

A Renault não trocou o CVT pela caixa de dupla embreagem apenas para dar desempenho melhor aos seus carros. A escolha por esse tipo de câmbio foi pensada na eletrificação da linha nacional.
Durante o lançamento do Kardian a marca confirmou que esse câmbio está pronto para a eletrificação. Ela não deu detalhes, mas acreditamos que essa caixa de dupla embreagem possa receber um motor elétrico em seu interior como a usada pela VW no eTSI.
O primeiro híbrido nacional da Renault no Brasil será a inédita picape Niagara, que virá para competir contra a Fiat Toro. Ela terá o conjunto que já é usado pelo Dacia Duster na Europa, batizado como E-Tech Hybrid 4×4.
O eixo dianteiro é tracionado pelo 1.3 turbo em versão híbrida leve de 48 volts. Já o eixo traseiro será tracionado por um motor elétrico de 31 cv que possui um câmbio de duas marchas integrado, para atuar em velocidades de até 140 km/h como também no fora de estrada.
Em algumas situações ele pode tracionar o carro sozinho, desligando o 1.3 turbo flex. Em outros ele pode ser desacoplado através de uma embreagem.
O Kardian e o Boreal serão híbridos leves de 48 volts em 2027, com o motor turbo auxiliado por um elétrico no câmbio de dupla embreagem. Na Europa existe híbrido leve com câmbio manual, portanto um Kardian de entrada eletrificado não está descartado.

A General Motors tentou pular do carro combustão para o elétrico a nível global, sem a transição dos híbridos. Essa estratégia deu muito errado e exigiu uma correção de rota.
O grupo está desenvolvendo um sistema híbrido leve de 48 volts para os motores turbo de três cilindros de sua linha brasileira. Ele irá estrear com a linha 2027 de Montana e Tracker.
Segundo o portal Autos Segredos, o motor elétrico que auxilia o 1.2 turbo flex terá 10,8 cv e 4 kgfm. Essa tecnologia também será aplicada ao 1.0 turbo, podendo chegar mais tarde ao Sonic. A estratégia será similar a usada pela Stellantis, começando com a eletrificação em modelos topo de linha.
Dentre os importados teremos também o novo Captiva em versão híbrida plug-in. O carro já foi flagrado em testes e poderá ser lançado já produzido no Brasil em regime CKD, na fábrica da PACE no Ceará.

A Honda anunciou que irá investir R$ 4,2 bilhões no Brasil até 2030 após o início do Programa Mover. O primeiro fruto desse investimento já chegou ao mercado, trata-se do WR-V, mas o aporte também inclui a tecnologia híbrida flex.
Segundo o Autos Segredos, o primeiro Honda híbrido nacional será a próxima geração do HR-V, que chegará no final de 2027 ou em 2028. E ao contrário da maioria dessa lista, ele será um híbrido pleno.
A Honda está fazendo uma versão flex do sistema E:HEV, que já temos no Brasil no Civic, Accord e no CR-V. Na linha nacional o motor a combustão será um 1.5 flex, não o 2.0 dos importados.
No HR-V europeu o 1.5 trabalhando no ciclo Atkinson rende 106 cv e trabalha com um motor elétrico de 131 cv e 25,8 kgfm. O sistema híbrido da Honda prioriza o motor elétrico em baixa velocidades, com o propulsor a combustão atuando como gerador.
Em velocidades mais altas, onde o elétrico é menos eficiente, a situação se inverte. O 1.5 entra para tracionar com uma marcha direta, eliminando a necessidade de câmbio e as perdas mecânicas desse componente.
Esse conjunto com o 1.5 é usado lá fora pelo HR-V, pelo City e pelo Fit. Ele é ainda mais econômico que o mais potente usado pelos carros maiores, podendo fazer da linha Honda a mais econômica do país.
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