VW alerta sobre prática predatória das chinesas

Capacidade ociosa, incentivos para modelos que prejudicam a cadeia de produção são algumas das preocupações da Volkswagen no Brasil

Ciro Possobom volkswagen tera (3)
Os carros atuais da marca já possuem 85% de peças nacionais (Fotos: Volkswagen | Divulgação)
Por AutoPapo
Publicado em 04/03/2026 às 17h30
Atualizado em 04/03/2026 às 18h31

Com mais de um século de existência, a indústria automotiva brasileira passa por mais um desafio: marcas chinesas buscam incentivos para produzir carros nos regimes SKD e CKD, com baixíssimo índice de nacionalização. Isso afeta, de tabela, os fornecedores e a geração de emprego.

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O setor automotivo brasileiro encerrou 2025 com 2,55 milhões de emplacamentos de veículos de passeio e comerciais leves e produção de 2,49 milhões de unidades, diante de uma capacidade instalada estimada em 4,5 milhões. O dado evidencia um cenário de ociosidade estrutural relevante, ao mesmo tempo em que o mercado convive com a presença de mais de 65 marcas e avanço das importações.

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Segundo dados apresentados pela Volkswagen, com base em informações da Anfavea, o setor responde por cerca de 20% do PIB industrial e mantém 109 mil empregos diretos. Nesse contexto, o debate sobre políticas industriais, incentivos a eletrificados via CKD e SKD e equilíbrio da balança comercial ganha centralidade. A avaliação da empresa é que a ampliação de importações desmontadas reduz o adensamento da cadeia produtiva local, especialmente em insumos estratégicos como o aço.

Não é apenas a Volkswagen que está investindo na produção nacional de modelos eletrificados. Em 2024 todas os fabricantes instalados no Brasil anunciaram investimentos bilionários e confirmaram produção de modelos híbridos e elétricos. Serão R$ 30 bilhões da Stellantis, R$ 11 bilhões da Toyota, R$7 bilhões da GM, R$ 5,5 bilhões da Hyundai, R$ 4,2 bilhões da Honda e R$ 4 bilhões da Mitsubishi.

Nacionalização como eixo estratégico

linha de montagem volkswagen polo fabrica de taubate sao paulo
Produção com componentes locais gera empregos de forma indireta com os fornecedores

A estratégia da Volkswagen no Brasil está ancorada na ampliação do conteúdo local. No portfólio Total Flex, o índice de nacionalização já alcança 85%, e a empresa projeta ampliar em 7% suas compras (peças e gerais) em 2026, totalizando quase R$ 35 bilhões. Dos 750 fornecedores atuais, 80% têm operação no Brasil.

Um exemplo citado é o aço, que representa cerca de 70% da composição de um veículo. A companhia movimenta aproximadamente 26 mil toneladas por mês do insumo, o que sustenta uma cadeia que envolve estamparias, sistemistas e logística. No modelo CKD/SKD, parte desse efeito multiplicador deixa de ocorrer, uma vez que componentes chegam prontos ao país.

A Volks não cita nomes, mas deixa claro que os incentivos recentes cedidos às marcas chinesas, como a BYD, na Bahia, é vista como desigual e predatória para a cadeia industrial brasileira. Isso porque esses modelos de fabricação não fomentam fornecedores locais, uma vez que os kits chegam prontos de suas matrizes e só são emendados no Brasil.

Investimentos e ofensiva de produtos

Volkswagen Tukan teaser lateral da caçamba pintura amarelo canário fosco
A Tukan será híbrida e com 76% de componentes nacionais

A montadora anunciou investimentos de R$ 16 bilhões no Brasil até 2028, dentro de um pacote regional de R$ 20 bilhões na América do Sul. A ofensiva prevê 17 novos veículos no mercado brasileiro até o fim do ciclo, dos quais oito já foram lançados, incluindo Tera, Novo T-Cross, Novo Nivus e Golf GTI.

Somente em 2025, foram R$ 3 bilhões destinados a maquinário, modernização produtiva e pesquisa e desenvolvimento. Projetos anteriores, do Up! ao Tera, consumiram mais de R$ 3 bilhões em equipamentos e atualização de processos industriais.

As quatro fábricas operaram em dois turnos ao longo de 2025, elevando a produção em 17%, para 538.657 unidades, ante 460.841 no ano anterior. As vendas domésticas cresceram 9%, alcançando 436.336 unidades, enquanto as exportações avançaram 29%, totalizando 116.495 veículos.

Eletrificação com desenvolvimento local

Volkswagen nivus em porto para exportação
A indústria brasileira não atua apenas para o mercado interno, ela exporta para o resto do continente americano e para a África

A partir de 2026, todo novo modelo desenvolvido e produzido na região terá versão eletrificada. A picape Tukan inaugura esse ciclo como o primeiro eletrificado da Volkswagen do Brasil, com 76% de peças nacionais e desenvolvimento integral no país. O modelo também marca a entrada da empresa em um segmento inédito dentro da estratégia local.

“A pick-up Tukan marcará o início de uma nova era para a Volkswagen do Brasil. Nosso primeiro modelo eletrificado, 100% desenvolvido e produzido aqui, já nasce com 76% de peças nacionais, fortalecendo a indústria nacional e gerando riqueza em toda a cadeia. Esse é o Brasil que acreditamos: um País que projeta, desenvolve e produz localmente.

A Volkswagen do Brasil já é líder de vendas nos dois principais segmentos do mercado – SUVs e hatches – além dos carros de passeio há três anos consecutivos. Agora ampliaremos nossa ofensiva com as pick-ups, como a Tukan. E seguimos firmes em um compromisso inegociável: desenvolver e produzir no Brasil, inclusive eletrificados, com alto índice de nacionalização, sustentando empregos, promovendo renda e mobilidade sustentável”, afirma Ciro Possobom, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil.

O movimento ocorre em um ambiente de transição tecnológica e pressão competitiva, com crescimento da oferta de eletrificados importados. A empresa defende que a eletrificação com alto índice de nacionalização é condição para preservar empregos, engenharia local e capacidade industrial instalada.

Escala operacional e impacto econômico

A operação logística movimenta 16 navios e 770 contêineres por mês, além de 17.500 caminhões que circulam mensalmente entre fábricas e fornecedores. São 1.440 rotas de entrega no país e 6.000 km diários percorridos internamente nas unidades industriais para abastecimento de linhas.

Com 13.220 colaboradores diretos e mais de 16 mil prestadores de serviços, a companhia mantém 1.300 profissionais apenas na engenharia, distribuídos em 20 laboratórios. Em 2025, foram 587 contratações para produção, sendo cerca de 50% mulheres.

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9 Comentários
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Reynaldo 6 de março de 2026

VW estava predando o consumidor, agora chegou a sua vez. Meu último VW foi em 1993 e não me arrependo de não ter comprado outro. Carros capados, acabamento pobre, aquela mecânica confiável e robusta que não existe mais, além de preços fora da casinha. Se mexam para sobreviver igual nós estamos fazendo por aqui.

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Alex 5 de março de 2026

Falou pouco.mas falou bobagens. Não me.surpreenderia se trabalhasse na VW ou alguma outra montadora que “se diz nacional”, que de nacional não tem nada, mas tem matrizes na Alemanha ou Países Baixos (Stellantis) ou Eua (GM) ou Japão (Toyota/Honda)…e assim por diante.
Quando falou da carga tributária, essa foi a cereja do bolo.
Para ter falado isso, certamente você DESCONHECE que as montadoras tradicionais tem incentivos fiscais, chamadas renúncias fiscais.
Essas renúncias fiacais são benesses que os poderes executivo e legislarivo concedem (por meio de lei, decretos, resoluções, instruções normativas) para essas empresas desobrigando-as de recolherem impostos, tributos e taxas, sejam Federais, Estaduais ou municipais.
E a quantidade que a montadoras deixam de recolher são absurdamente altas, a nivel federal a Stellantis deixou de pagar quase R$25 bi de impostos, enquanto que a VW chegou em R$10bi.
LEMBRE QUE OS IMPOSTOS QUE TODAS ELAS DEIXAM DE PAGAR SERIAM DESTINADOS À SEGURANÇA, SAÚDE, EDUCAÇÃO, INFRA-ESTRUTURA, ENTRE OUTROS, MAS ACABA VIRANDO LUCRO QUE É REMETIDO PARA SUAS MATRIZES FORA DO.BRASIL.
Então, pare de defender quem te explora até os ossos, com carros merda, feios, pequenos, extremamente caros, mal equipados e mal acabados. E eu nem entrei no mérito trabalhista…

Mas para não ficar dúvidas, abaixo segue um link onde pode consultar todos os impostos federais que as montadoras deixaram de recolher.

Veja que o exemplo abaixo é somente de impostos federais, mas as montadoras recebem benesses fiscais Estaduais (redução e/ou isenção de ICMS entre outros), renúncias municipais (suspensão ou isenção parcial ou total de IPTU e de diversas taxas, como a de lixo, de luz, água e afins):

https://portaldatransparencia.gov.br/renuncias/beneficiario/16701716003686?ordenarPor=anoCalendario&direcao=desc

Obs.: cada montadora possui diversos CNPJ’s, então, para saber o montamte total que elas deixaram de pagar em impostos federais você deve fazer uma busca com todos os CNPJ’s que elas tem e ao final somar todos os valores.
Acessa lá que você consegue…tenho certeza que depois de ver tudo o que estas CHUPINS recebem você nunca mais vai dizer que a “carga tributária” de montadoras no Brasil é alta demais.

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Alexandre 5 de março de 2026

((prática predatória)) ,, então a VW tem que falar de todas as fábricas chinesas em todos os segmentos.

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Matheus Fontana 5 de março de 2026

Prática predatória é desse CEO que se preocupa somente em reportar lucros à matriz enquanto empurra Tera 1.0 a preço de chinês híbrido com o dobro da potência e acabamento. Viva a concorrência!

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Mohamed All Mohamed Chbraue Ali Alixandre 5 de março de 2026

Oh, do! Tadinha da Vedabliu! Montadora de carniça de carros, derivados de MQB AO, a plataforma mais franciscana ao preço de carros de seguimento superior. Quem em sã consciência e poder aquisitivo irá deixar de adquirir um carro asiático chinês, que é melhor do que qualquer porcaria montada aqui? A VW está caminhando para falência e não irá fazer falta! Micos como UP, Amarok e Taos estão aí pra comprovar a incompetência! Valores de carniça que beiram o absurdo e existem incautos que compram essas malditas carniças da VW! O choro é livre e a VW terá que se adaptar a uma nova realidade mundial, ou você evolui ou fica de fora, não tem como comparar NENHUM carro da VW com NENHUM chinês, a diferença é gritante! E esse hábito de vender essas carniças da VW por preços muito acima da concorrência para alimentar a matriz falida, um dia terá que acabar, e se a VW acabar, não irá fazer a mínima falta, e se acontecer foi por falta de resiliência!

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Pablo Lopes 5 de março de 2026

Não somos uma sócia, somos um bando!!! Caso fôssemos racionais, pensariamos no resultado de comprar um veículo dessa maneira, que é dar emprego e fomentar a indústria chinesa, e tirando os nossos!

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cleriston 5 de março de 2026

O choro é livre VW abaixa o preço e LUCRA um pouco menos que os chineses não vão tomar sua clientela, a e começa a colocar mais carro nos seus plásticos ops ao contrario kkkkkkk

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Pablo Lopes 5 de março de 2026

Não é bem assim Cleriston, aqui no Brasil, o aço e outros insumos são mais caros que na China, uma vez que a indústria de lá tem uma capacidade produtiva pelo menos 5x maior ( o número de siderúrgicas é um exemplo), fora o incentivo que o governo de lá dá a indústria automobilística assim como nos EUA, que a carga tributária é “zero”, enquanto no Brasil é de 40%, ( fora a taxa sobre os insumos que deixam no total em torno de 60% ). Vamos pensar melhor na hora de votar e não culpar quem gera emprego e faz a economia do país girar!!!

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Leonardo 5 de março de 2026

Não é só isso Paulo, o Lobby das tradicionais, apelando sempre para a questão de emprego é clássico. A indústria automobilística caminha para a automação quase que total da construção de veículos. E, por fim, carros feitos aqui sao vendidos mais baratos em vizinhos.

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