O homem do carro

"Jamais conheci um personagem tão rico em símbolos. José Roberto Nasser, figura única em nosso meio automotivo"

Por AutoPapo09/11/18 às 12h37
Eduardo Pincigher

Jamais conheci um personagem tão rico em símbolos. José Roberto Nasser, figura única em nosso meio automotivo, e que “passou” nesta madrugada enquanto dormia, em sua casa, em Brasília, poderá ser lembrado de diversos modos particulares.

1. O fundador da Federação Brasileira de Veículos Antigos.

2. O curador do Museu do Automóvel de Brasília.

3. O homem da gravata-borboleta.

4. O sujeito mais afável que havia na palavra dita.

5. O mais ferino na escrita.

6. O único texto do nosso meio a adotar mesóclises.

7. O idealizador da portaria da placa preta aos carros antigos.

8. Da que permite importar carros acima de 30 anos.

9. Ou da que isenta carros com 20 anos a pagarem IPVA.

10. O mais apaixonado, dentre milhares de mais apaixonados, por Alfa Romeo.

Tenho dezenas de passagens inusitadas com ele, as quais guardarei com carinho e saudade. Mas me permito relembrar a primeira. Estreava no setor, como estagiário da extinta Autolatina, em 1989, quando participei de meu primeiro lançamento, o Ford Verona.

Diz o Nasser, na coletiva: “Presidente, eu quero perguntar-lhe se a escolha do nome desse carro passou por alguma clínica com clientes do Planalto”. Diante da perplexidade de Luis Carlos Mello, Nasser emendou “Verona é nome de sapatão em Brasília, presidente. Isso não vai dar certo…”

Ah, esqueci.

11. Nasser subverteu a lógica usual do carro do homem. Ele definitivamente será lembrado como O HOMEM DO CARRO. Descanse em paz, amigo.

Roberto Nasser, antigomobilista, jornalista e advogado

1 Comentário

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  • Valdir Espinheira do Carmo 9 de novembro de 2018

    Zé Roberto foi meu vizinho por alguns anos aqui na QI-21 no Lago Sul em Brasilia, lamento seu passamento.

    A casa dele na sala não tinha moveis, tinha Ford Bigode bem no centro e uma Bomba de Combustível (das bem antigas).
    Sempre que eu recebia uma visita, levava (com consentimento do Zé) para ver o carro e a bomba, e aquele papo gostoso, sobre carros antigos.

    Eu tinha um Opala meio velho e pedia a ele pra entrar para o Clube, ele diz: “Valdir o clube é de carro antigo e não de velho”

    Minhas condolências á sua família, em especial à sua esposa.

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