Capacidade ociosa, incentivos para modelos que prejudicam a cadeia de produção são algumas das preocupações da Volkswagen no Brasil
Com mais de um século de existência, a indústria automotiva brasileira passa por mais um desafio: marcas chinesas buscam incentivos para produzir carros nos regimes SKD e CKD, com baixíssimo índice de nacionalização. Isso afeta, de tabela, os fornecedores e a geração de emprego.
O setor automotivo brasileiro encerrou 2025 com 2,55 milhões de emplacamentos de veículos de passeio e comerciais leves e produção de 2,49 milhões de unidades, diante de uma capacidade instalada estimada em 4,5 milhões. O dado evidencia um cenário de ociosidade estrutural relevante, ao mesmo tempo em que o mercado convive com a presença de mais de 65 marcas e avanço das importações.
VEJA TAMBÉM:
Segundo dados apresentados pela Volkswagen, com base em informações da Anfavea, o setor responde por cerca de 20% do PIB industrial e mantém 109 mil empregos diretos. Nesse contexto, o debate sobre políticas industriais, incentivos a eletrificados via CKD e SKD e equilíbrio da balança comercial ganha centralidade. A avaliação da empresa é que a ampliação de importações desmontadas reduz o adensamento da cadeia produtiva local, especialmente em insumos estratégicos como o aço.
Não é apenas a Volkswagen que está investindo na produção nacional de modelos eletrificados. Em 2024 todas os fabricantes instalados no Brasil anunciaram investimentos bilionários e confirmaram produção de modelos híbridos e elétricos. Serão R$ 30 bilhões da Stellantis, R$ 11 bilhões da Toyota, R$7 bilhões da GM, R$ 5,5 bilhões da Hyundai, R$ 4,2 bilhões da Honda e R$ 4 bilhões da Mitsubishi.

A estratégia da Volkswagen no Brasil está ancorada na ampliação do conteúdo local. No portfólio Total Flex, o índice de nacionalização já alcança 85%, e a empresa projeta ampliar em 7% suas compras (peças e gerais) em 2026, totalizando quase R$ 35 bilhões. Dos 750 fornecedores atuais, 80% têm operação no Brasil.
Um exemplo citado é o aço, que representa cerca de 70% da composição de um veículo. A companhia movimenta aproximadamente 26 mil toneladas por mês do insumo, o que sustenta uma cadeia que envolve estamparias, sistemistas e logística. No modelo CKD/SKD, parte desse efeito multiplicador deixa de ocorrer, uma vez que componentes chegam prontos ao país.
A Volks não cita nomes, mas deixa claro que os incentivos recentes cedidos às marcas chinesas, como a BYD, na Bahia, é vista como desigual e predatória para a cadeia industrial brasileira. Isso porque esses modelos de fabricação não fomentam fornecedores locais, uma vez que os kits chegam prontos de suas matrizes e só são emendados no Brasil.

A montadora anunciou investimentos de R$ 16 bilhões no Brasil até 2028, dentro de um pacote regional de R$ 20 bilhões na América do Sul. A ofensiva prevê 17 novos veículos no mercado brasileiro até o fim do ciclo, dos quais oito já foram lançados, incluindo Tera, Novo T-Cross, Novo Nivus e Golf GTI.
Somente em 2025, foram R$ 3 bilhões destinados a maquinário, modernização produtiva e pesquisa e desenvolvimento. Projetos anteriores, do Up! ao Tera, consumiram mais de R$ 3 bilhões em equipamentos e atualização de processos industriais.
As quatro fábricas operaram em dois turnos ao longo de 2025, elevando a produção em 17%, para 538.657 unidades, ante 460.841 no ano anterior. As vendas domésticas cresceram 9%, alcançando 436.336 unidades, enquanto as exportações avançaram 29%, totalizando 116.495 veículos.

A partir de 2026, todo novo modelo desenvolvido e produzido na região terá versão eletrificada. A picape Tukan inaugura esse ciclo como o primeiro eletrificado da Volkswagen do Brasil, com 76% de peças nacionais e desenvolvimento integral no país. O modelo também marca a entrada da empresa em um segmento inédito dentro da estratégia local.
“A pick-up Tukan marcará o início de uma nova era para a Volkswagen do Brasil. Nosso primeiro modelo eletrificado, 100% desenvolvido e produzido aqui, já nasce com 76% de peças nacionais, fortalecendo a indústria nacional e gerando riqueza em toda a cadeia. Esse é o Brasil que acreditamos: um País que projeta, desenvolve e produz localmente.
A Volkswagen do Brasil já é líder de vendas nos dois principais segmentos do mercado – SUVs e hatches – além dos carros de passeio há três anos consecutivos. Agora ampliaremos nossa ofensiva com as pick-ups, como a Tukan. E seguimos firmes em um compromisso inegociável: desenvolver e produzir no Brasil, inclusive eletrificados, com alto índice de nacionalização, sustentando empregos, promovendo renda e mobilidade sustentável”, afirma Ciro Possobom, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil.
O movimento ocorre em um ambiente de transição tecnológica e pressão competitiva, com crescimento da oferta de eletrificados importados. A empresa defende que a eletrificação com alto índice de nacionalização é condição para preservar empregos, engenharia local e capacidade industrial instalada.
A operação logística movimenta 16 navios e 770 contêineres por mês, além de 17.500 caminhões que circulam mensalmente entre fábricas e fornecedores. São 1.440 rotas de entrega no país e 6.000 km diários percorridos internamente nas unidades industriais para abastecimento de linhas.
Com 13.220 colaboradores diretos e mais de 16 mil prestadores de serviços, a companhia mantém 1.300 profissionais apenas na engenharia, distribuídos em 20 laboratórios. Em 2025, foram 587 contratações para produção, sendo cerca de 50% mulheres.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|