Consórcio: cuidado com as picaretagens

Na dúvida, consulte a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio e confira se a administradora escolhida é autorizada pelo Banco Central

Por BORIS FELDMAN06/06/18 às 14h19

Consórcio é um sistema de financiamento para bens móveis, imóveis e até de prestação de serviços. Tem, é claro, prós e contras em relação ao financiamento convencional. Só vale a pena, a rigor, quando se recebe o bem na primeira metade de duração do grupo. Mas os vendedores não explicam que, feitas as contas, os primeiros consorciados a levarem seus carros são financiados pelos que os recebem no final.

O consorciado, apesar de pagar prestações mensais, não tem ideia de quando será contemplado: se não tiver condições de dar um lance na assembleia que seja vencedor ou se for um “azarado” e não for sorteado nos primeiros meses, poderá receber o carro depois de ter contribuído por anos.

Mas, esta incógnita dá margem a que espertalhões apliquem seus golpes em consorciados. O primeiro é o vendedor desonesto que “garante” a entrega do carro em até três ou quatro meses, no máximo, depois de iniciado o grupo. Diz que o lance de um determinado valor será, com certeza, vencedor, com direito à imediata concessão da carta de crédito. Acontece que outros consorciados do mesmo grupo podem dar um lance ainda maior e levar o carro. Ou então, sugerem um lance tão elevado que nem vale a pena ter entrado para o consórcio: teria sido melhor negócio comprar o carro com aquele valor de entrada e financiar o saldo devedor. A rigor, há um consenso de que o lance máximo não deve ser superior a 30% do valor do bem.

Boris explica algumas desvantagens do consórcio. Sempre consulte a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio e confira se a administradora escolhida é autorizada pelo Banco Central.
Ilustração AutoPapo | Fabiano Azevedo

Outro golpe é o da cota contemplada. Os vigaristas anunciam na internet ou nos jornais a venda de uma carta de crédito de um grupo de consórcio. De alguém que foi contemplado e negociou a carta, vendida por um valor inferior ao de face. A “vítima” deve pagar um valor a vista e assumir as prestações restantes do grupo. E leva (ou levaria…) o bem na hora.

Só depois que paga a “entrada”, percebe que caiu num verdadeiro “conto do vigário”. Ou a administradora do grupo não é idônea e não emite a carta de crédito, ou, se emite, nenhuma concessionária aceita para evitar um “cano”. Ou a administradora é idônea, mas aquela cota tem multas, prestações em atraso ou outros débitos.

Consulte, antes de fechar qualquer negócio, a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio e se a administradora é autorizada pelo Banco Central.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Vanessa Reis Queiroz 30 de agosto de 2018

    E melhor consórcio direto da fábrica ou de banco ou outro tt de administradora?

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