Economizador de combustível e a picaretagem eletrônica

Os supostos economizadores de combustível agora fazem uso da eletrônica

Por BORIS FELDMAN19/02/18 às 15h00

Quanto mais tecnologia se aplica no automóvel, mais as técnicas de “picaretagem” se modernizam. No passado, as lojas de acessórios ofereciam toda a sorte de equipamentos mecânicos ou elétricos para reduzir consumo, aumentar desempenho e outras supostas mágicas. Agora, com a eletrônica, a última dessas tecnologias a cair nas garras da esperteza é o OBD, ou On Board Diagnosis, com mais uma versão do economizador de combustível.

chip circuito eletrônico central eletrônica OBD economizador de combustível

Os automóveis fabricados desde 2010 devem ter – obrigatoriamente – debaixo do painel, perto da coluna de direção, uma caixinha retangular cheia de pequenos pinos. É ali onde se encaixa o cabo do computador quando o carro é levado à oficina para resolver um problema. Os pinos estão conectados à Central Eletrônica e fornecem informações valiosas para se diagnosticar possíveis irregularidades no funcionamento do motor.

A causa do problema pode estar em um sensor da central, no catalisador ou outro componente eletrônico. O computador também detecta níveis de emissões irregulares, acima dos limites legais, de gases nocivos pelo escapamento. O sistema é chamado de OBD, iniciais em inglês de “On Board Diagnosis”: diagnóstico feito a partir de informações disponíveis no painel.

Ao se encaixar o cabo do computador no OBD, surge na tela a descrição de possíveis defeitos e irregularidades, e até mesmo quais componentes devem ser substituídos para a correção do problema.

Entretanto, surgiu agora no mercado mais um suposto economizador de combustível, desta vez mais sofisticado, pois deve ser encaixado no OBD. Seu fabricante anuncia que o aparelho interfere na Central Eletrônica, altera a regulagem do motor e reduz em até 15% o consumo de combustível. Ele se chama ECO OBD2, e a revista Quatro Rodas teve a boa ideia de testá-lo na pista. Utilizou para tanto um mesmo carro e rodou com sempre no mesmo circuito, com e sem o aparelho, para confirmar o que já se imaginava: não houve economia, o consumo foi exatamente o mesmo nas duas situações.

Aparelhos “mágicos” não fazem mágica. Se fosse mesmo possível economizar combustível, as montadoras seriam as primeiras interessadas em adotá-los. Em termos econômicos, o único resultado efetivo e incontestável do ECO OBD2, é o de reduzir em R$ 62,90 o saldo bancário de quem o adquire e aumentar o mesmo valor no saldo de quem o fabrica.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Plínio Cesar 21 de fevereiro de 2018

    kkkkk!!!!! Essa conclusão do saldo foi demais.

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