Energia que seria jogada fora é o que move a turbina

Turbos são movimentados pelos gases do escapamento; é por isso que motores equipados com essa tecnologia são mais eficientes

Por BORIS FELDMAN31/05/18 às 18h35

Há uma falsa noção a respeito dos motores turbinados. E as turbinas estão sendo cada vez mais utilizadas pois as fábricas correm hoje atrás de redução de cilindrada. É o fenômeno mundial do “downsizing” ou redução de volume, em inglês. Os engenheiros querem motores menores, porém mais eficientes, mantendo desempenho e reduzindo consumo e emissões. Por isso, tome turbina! E qual é a mágica?

Mágica nenhuma, é um princípio físico. Pois cabe à turbina comprimir o ar para dentro do motor, aumentando sua potência. E ganha-se eficiência pois ela trabalha acionada por uma energia normalmente jogada fora. Como assim?

Energia que seria jogada fora é o que move a turbina

Os gases de escapamento possuem uma energia e são eles que, antes de serem expelidos pelo escapamento, acionam essa turbina. Então, é um raciocínio lógico: se a turbina aproveita uma energia que era jogada fora, é claro que o motor terá sua eficiência aumentada. Mantem-se o desempenho reduzindo o consumo de combustível e as emissões de gases nocivos a saúde.

O único ponto negativo da turbina (além de seu custo) é que ela só funciona depois que o motor sobe razoavelmente suas rotações. Em giros mais baixos ela não opera. Porém, novas tecnologias e a eletrônica estão reduzindo esta falha e as turbinas já entram em funcionamento em rotações cada vez mais baixas.

Em resumo, não existe o reaproveitamento dos gases do escapamento. Eles não são reinjetados para serem novamente queimados, mas apenas aproveita-se sua energia cinética para acionar a turbina e depois são expelidos pelo escapamento. Exatamente como numa usina hidrelétrica: as águas que caem da cachoeira movimentam as turbinas que rodam os geradores de energia elétrica. Depois, voltam ao curso do rio.

Além das turbinas, pode-se também comprimir o ar para dentro dos cilindros através de compressores. Mas, neste caso, não há um ganho acentuado de eficiência, pois eles são movimentados pelo próprio virabrequim. Então, roubam energia do próprio motor para injetar um ar mais comprimido dentro dos cilindros.

Foto Shutterstock | Reprodução

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Eli Carlos 31 de maio de 2018

    Uma coisa interessante é que mesmo depois de sair da turbina a energia ainda poderia ser utilizada de outras formas, os protótipos de Le Mans por exemplo utilizam ainda para girar uma outra turbina, mas essa conectada a um gerador elétrico que alimenta as baterias para os motores elétricos.

Deixe um comentário