Lei da cadeirinha é surrealista

Por BORIS FELDMAN02/01/17 às 14h49

Das coisas mais estapafúrdias nesse país é a legislação de trânsito. Uma delas é a que diz respeito às cadeirinhas para crianças.

Elas foram tornadas obrigatórias em 2011 e de lá para cá houve uma significativa redução (40%) no número de crianças feridas e mortas nos acidentes, segundo as estatísticas da Policia Rodoviária Federal.

Embora a cadeirinha fosse, pela legislação, obrigatória para carregar crianças em qualquer veículo, ela só tinha sido regulamentada nos carros particulares. Faltavam ainda os taxis, ônibus e vans.

Lei capenga tem consequências surrealistas: um pai foi parado numa blitz em São Paulo, foi multado e não pode prosseguir com seu filho no carro pois não tinha a cadeirinha. O que fez? Tirou a criança do carro, chamou um taxi e continuou seu caminho para casa. Sem cadeirinha…

No ano passado decidiram finalmente regulamentar seu uso nas vans escolares, mas o Contran se esqueceu de um problema técnico para a cadeirinha ser usada nas vans: nenhuma fabricada no Brasil conta com os cintos de três pontos, necessários para dependura-las. Todas elas oferecem apenas os de dois pontos.

Confusão criada, imaginou-se como resolver o imbróglio. Um idiota de um técnico do Contran chegou a sugerir que se instalasse uma terceira fixação para permitir o cinto de três pontos. Como bom técnico do governo federal, ele nem imagina ser impossível adaptar fixação de cinto caso o veículo não tenha sido assim projetado. Sem um reforço da carroceria no local da fixação, qualquer esforço extra (num impacto, por exemplo), parafuso com porca com argola com cinto, todos seriam arremessados para a frente…

A obrigatoriedade foi adiada para 2017 e criadas comissões e grupos de estudos para examinar o assunto. Concluíram em novembro ser impossível a exigência, que acaba de ser cancelada. Pode?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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