Quanto maior a marca, maior o tamanho do recall

As marcas vão se unindo em grandes corporações para sustentar os custos da produção, o que acaba ampliando o alcance de problemas de fabricação

Por BORIS FELDMAN09/06/18 às 17h00

A economia atual exige que as fábricas, para continuar operando, se juntem em corporações cada vez maiores. Enquanto isso economiza nos custos por um lado, por outro, faz crescer o tamanho do recall.

corporações de fabricantes de automóveis tamanho do recall

Com a globalização e a briga de foice pela redução de custos, uma pequena fábrica só consegue sobreviver se dedicada à produção para atender à demanda de um nicho, um pequeno segmento de mercado. Que pode pagar mais caro por um produto exclusivo, sofisticado.

Caso contrário, ou a empresa se torna grande, gigantesca, e dilui seus investimentos num grande volume de unidades produzidas, ou sai do mercado pois perde competitividade. Exemplo típico são as fábricas de automóveis. Seu número está se reduzindo dia a dia, através de parcerias, compras ou fusões. A finalidade é aumentar seu volume de produção. O lançamento de um novo modelo implica em investimento de centenas de milhões de dólares. Se não for diluído na produção de milhões de unidades, a empresa não tem retorno dos valores aplicados no projeto.

As fábricas de componentes, as fornecedoras de autopeças, passam por processo semelhante: elas têm que crescer e aumentar o volume de produção para reduzir o custo unitário do produto.

Recentemente, a Takata (fábrica japonesa de airbags) se viu envolvida num gigantesco recall mundial que envolveu dezenas de milhões de unidades de diversas marcas.

No Brasil, mais que uma dezena de marcas, incluindo Honda, Toyota e BMW, fazem um recall para trocar os airbags da Takata.

Outro exemplo de um mesmo problema, mostrando o tamanho do recall, atingiu diversas marcas e também aconteceu agora no Brasil. É o recall para reparar o servo-freio dos modelos Peugeot 308 e 408. Por coincidência, no dia seguinte ao recall anunciado pela Peugeot, apareceu na imprensa a Citroën chamando de volta às concessionárias o seu sedã C4.

O motivo era o mesmo : servo-freio. Mas não é coincidência: é até previsível pois as duas marcas francesas pertencem à mesma holding, a PSA. E estes modelos são ambos produzidos pela mesma fábrica na Argentina. Um recall complicado pois foi detectado um erro na montagem do servo-freio que poderia eventualmente deixar o motorista sem freio.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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