Melhor evitar o acidente que suas consequências

Testes de segurança veicular já levam em conta recursos eletrônicos como o controle de estabilidade

Por BORIS FELDMAN20/05/18 às 15h00

Institutos de segurança avaliam como um carro se comporta após uma batida, e também quais recursos ele oferece para evitar o acidente.

imagem do crash test ou teste de impacto do renault kwid no latin ncap evitar o acidente
Renault Kwid durante crash teste do Latin NCAP (Latin NCAP | Divulgação)

Como se avalia a proteção de um automóvel quando submetido a um impacto?  Colocam-se dummies (bonecos) simulando motorista e passageiros devidamente assentados no automóvel que é jogado a 65 km/h contra uma barreira de concreto. Depois da pancada, os dummies são cuidadosamente analisados para se avaliar a intensidade dos danos que seriam provocados em um acidente real. A gravidade dos ferimentos e se algum dos ocupantes viria a falecer. São os chamados “crash-tests” ou testes de impacto realizados dentro de determinados padrões no mundo inteiro. No Brasil, eles são realizados pelo Latin NCAP, uma entidade uruguaia bancada por fundos internacionais.

Os modelos aqui produzidos estão se saindo cada vez melhor nestes testes e ganhando cada vez mais estrelas. O critério é não atribuir estrela alguma ao carro sem nenhuma proteção aos passageiros e cinco delas aos que oferecem máxima proteção no caso de um acidente.

Há pouco tempo, o critério para atribuição das estrelas passou por uma interessante e oportuna alteração. Até então, eram avaliados os dispositivos de segurança passiva, aqueles que protegem os passageiros depois de acontecido o acidente. São os cintos de segurança, airbags, a estrutura dos automóveis, barras laterais, etc. Mas, a partir dali, além dos resultados do crash test, as entidades que avaliam os automóvel passaram a considerar também os dispositivos de segurança ativa. Ou seja, aqueles que evitam de o carro se envolver em um acidente, tão importantes (ou mais) que os de segurança passiva. Quais são eles? Freios ABS, por exemplo, que já são obrigatórios nos nossos automóveis. E vários outros que ainda não o são. O mais importante deles é o sistema eletrônico de estabilidade, o ESC, que trás de volta para a trajetória o carro derrapando lateralmente . Dizem as estatísticas que estas derrapagens são responsáveis por cerca de 45% dos acidentes rodoviários.

Ora, é bastante razoável e veio em muito boa hora esta ideia de se levar em conta, ao avaliar o nível de proteção que um automóvel oferece aos ocupantes, os dispositivos de segurança ativa, que podem evitar o acidente. São, portanto, mais importantes, pois evitam ao invés de reduzir as consequências do acidente.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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