Por que o número de recalls aumentou?

Será que o volume de recalls aumentou pela pressa em se lançar novos modelos? Pela redução dos testes nos protótipos? Pela redução dos custos?

Por BORIS FELDMAN12/06/18 às 16h30

Os motoristas reclamam, a imprensa reclama: por que a quantidade de recalls aumentou tanto? A operação é necessária e importante: levar o carro de volta à concessionaria para corrigir um problema de segurança. Mas, mesmo que seja um reparo gratuito, perde-se tempo, o carro tem que ficar algumas horas na oficina. Às vezes, mesmo agendado o serviço, acabou o estoque de peças para a substituição e outros incômodos. Deve ser por isso que, no Brasil, nem metade dos carros envolvidos é levada para o reparo, mesmo sabendo-se tratar de um problema de segurança, de um cinto mal fixado, do risco de um incêndio ou de ficar sem freios.

numero de recalls aumentou

Será que o volume de recalls aumentou pela pressa em se lançar novos modelos? Pela redução dos testes nos protótipos? Pela redução dos custos na manufatura e no controle de qualidade?

Os modelos brasileiros não fogem à regra. São muitos os recalls e, por isso, acusados de baixa qualidade e de falta de testes adequados antes do lançamento no mercado.

Mas, sem que tenha sido nomeado pela indústria brasileira para defendê-la, vale a pena lembrar que recall acontece no mundo inteiro e sempre em grandes volumes. E não ocorrem apenas em carros compactos e baratos.

Alguns anos atrás teve um recall da famosa marca Maserati. Centenas de seus modelos corriam o risco de perder a roda no meio da rua, por um problema de fixação no eixo traseiro.

Aliás, num passado não muito distante, proprietários do famosíssimo Rolls-Royce foram convocados por um recall para a substituição de uma válvula no sistema de aquecimento da cabine. A fábrica não informou exatamente do que se tratava, pois a marca inglesa (que pertence hoje à BMW) sempre foi muito arrogante em relação aos defeitos de seus carros.

Mas não foi difícil descobrir que o recall era para substituir um relé nos dois bancos dianteiros que provocavam um excesso de temperatura no assento quando se ligava este sistema de calefação. Já imaginaram a cena, um milionário tendo seu bumbum queimado num Rolls-Royce?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • jose 13 de junho de 2018

    pra que gastar com testes se eu posso deixar os consumidores faze-lo pra mim?

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